Descrição de chapéu Governo Bolsonaro

Bolsonaro diz que Moro é patrimônio nacional e que não viu nada anormal em mensagens

Em referência a fala de ministro, presidente afirma que também não tem apego ao cargo e que qualquer um 'é livre'

José Marques
Guaratinguetá (SP)

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) disse nesta quarta-feira (19) que o ministro Sergio Moro é "um patrimônio nacional" e que não viu "nada de anormal até agora" no conteúdo das trocas de mensagens relevadas pelo site The Intercept Brasil.

Em audiência no Senado, o ex-juiz da Lava Jato afirmou que não tem apego ao cargo e que, se for constatada alguma irregularidade da parte dele, poderia sair do governo.

Questionado sobre a fala de Moro, Bolsonaro disse: "Eu também não tenho apego ao meu cargo". Em seguida, acrescentou: "Qualquer ministro é livre para fazer o que bem entender. O Sergio Moro é um patrimônio nacional, não é do presidente da República".

O presidente Jair Bolsonaro durante visita a mosteiro em Guaratinguetá (SP)
O presidente Jair Bolsonaro durante visita a mosteiro em Guaratinguetá (SP) - Marcos Corrêa/PR

Moro prestou depoimento de quase nove horas no Senado para explicar a troca de mensagens vazadas com o procurador Deltan Dallagnol, chefe da Lava Jato,

Nas conversas publicadas pelo site Intercept, Moro sugere ao Ministério Público Federal trocar a ordem de fases da Lava Jato, cobra a realização de novas operações, dá conselhos e pistas, antecipa ao menos uma decisão judicial e propõe aos procuradores uma ação contra o que chamou de "showzinho" da defesa do ex-presidente Lula.

 
Bolsonaro, que esteve na tarde desta quarta em em Guaratinguetá (a 178 km da capital), também provocou o jornalista Glenn Greenwald, do Intercept, e seu marido, o deputado David Miranda (PSOL-RJ).

"Esse pessoal daquele casal lá, um deles esteve detido na Inglaterra sob suspeita de espionagem", disse. Miranda foi detido em 2013 após Greenwald revelar estratégia de espionagem cibernética do governo dos EUA. Em 2016, a corte britânica considerou a detenção incompatível com o direito europeu.

As falas de Bolsonaro foram feitas a jornalistas após cerimônia na Aeronáutica em que ele disse que conta com os militares para preservar "a nossa liberdade e democracia, tão ameaçados há pouco".

O presidente usou seus dois minutos de discurso num evento de formação de sargentos em Guaratinguetá para fazer elogios aos militares.

"De paletó e gravata, na Presidência da República, juntamente com vocês, meus irmãos de farda, fazemos um Brasil melhor para todos", afirmou.

"Quis Deus colocar em nossas mãos a Presidência da República e nós honraremos essa missão", acrescentou Bolsonaro. "O exemplo de vocês em todo o Brasil a partir de agora é que fará com que nós realmente mudemos de direção", disse.

"O Brasil tem algo muito importante a se preservar: a nossa liberdade e a nossa democracia, tão ameaçados há pouco. Quis que isso mudasse e eu conto com vocês para que juntos façamos um Brasil melhor para todos."

Desde que iniciou o governo, Bolsonaro tem colocado militares em postos-chave do governo, mas o setor teve conflitos com a ala ideológica, formada por seguidores do escritor Olavo de Carvalho.

Lista tríplice

Ontem a ANPR (Associação Nacional dos Procuradores da República) divulgou a lista tríplice com os procuradores mais votados pela categoria para ocupar o cargo de procurador-geral da República.

Questionado se irá indicar um dos procuradores eleitos,  Bolsonaro disse que vai "estudar a lista".

"Vou seguir a Constituição", disse. Não há determinação constitucional para que o presidente indique um dos nomes da lista.

Os mais votados da categoria foram Mario Bonsaglia, Luiza Frischeisen e Blal Dalloul. 

Após a indicação presidencial, o procurador escolhido terá que ser sabarinado e aprovado pelo Senado.

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