Bolsonaro gravou vídeo e chamou pelo nome um dos presos em caso das laranjas

PF prendeu nesta quinta-feira três assessores do ministro do Turismo envolvidos no esquema

Ranier Bragon Camila Mattoso
Brasília

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) gravou um vídeo durante a pré-campanha, em fevereiro de 2018, ao lado do então candidato a deputado federal Marcelo Álvaro Antônio e de um dos presos na operação da Polícia Federal nesta quinta-feira (27), Robertinho Soares.

Marcelo Álvaro, Jair Bolsonaro e Robertinho Soares (um dos presos na operação desta quinta), antes das eleições, em foto publicada nas redes sociais do PSL-MG em 2018
Marcelo Álvaro, Jair Bolsonaro e Robertinho Soares (um dos presos na operação desta quinta), antes das eleições, em foto publicada nas redes sociais do PSL-MG em 2018 - Reprodução

No vídeo, Bolsonaro chama os dois pelo nome e convoca os interessados em disputar as eleições para se filiar ao PSL, partido ao qual tanto ele quanto Marcelo Álvaro haviam ingressado no início de 2018.

O título do vídeo, publicado nas redes sociais do PSL-MG, é: "Bolsonaro fazendo uma convocação aos mineiros". 

O então pré-candidato à Presidência fala: "Olá meus amigos de Minas Gerais, Jair Bolsonaro!  Tô com o deputado Marcelo aqui, com o Roberto. [quero] Convocar todos vocês que porventura queiram disputar as eleições do corrente ano, procure a sede do PSL no seus município, no seu Estado."

Robertinho Soares coordenou a campanha de Marcelo Álvaro em Minas. O hoje ministro do Turismo, por sua vez, foi quem comandou a campanha de Bolsonaro no estado.

Além de Soares, a Polícia Federal prendeu nesta quinta Mateus Von Rondon, assessor especial de Álvaro Antônio no Turismo, e Haissander de Paula, ex-assessor do deputado e que atuou conjuntamente com Robertinho nas eleições de 2018.

Os três e o ministro são investigados pela Polícia Federal e pelo Ministério Público em decorrência da montagem de um esquema de candidaturas laranjas pelo PSL de Minas Gerais, caso revelado pela Folha em reportagens publicadas desde o início de fevereiro.

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) tem dito que a situação do ministro do Turismo causa desgaste para o governo e que esperaria a conclusão da apuração da PF para decidir o destino de Álvaro Antônio. O presidente está em viagem ao Japão e ainda não se manifestou sobre as prisões.

caso das laranjas do PSL, partido de Bolsonaro, é alvo de investigações da Polícia Federal e do Ministério Público em Minas e em Pernambuco e levou à queda do ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gustavo Bebianno, que comandou o partido nacionalmente em 2018.

Em nota nesta quinta-feira, o Ministério do Turismo afirmou que aguarda mais informações para se pronunciar, mas disse não haver relação entre as investigações e as atividades de Von Rondon na pasta.

"É importante esclarecer que não há qualquer relação entre a investigação da Polícia Federal e as funções desempenhadas pelo assessor especial Mateus Von Rondon no Ministério do Turismo."


 

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