Descrição de chapéu Governo Bolsonaro

Bolsonaro vê ministros como 'fusíveis' e admite problemas na articulação política

Presidente transferiu tarefa da Casa Civil para a Secretaria de Governo

Brasília

Ao anunciar mudanças em sua equipe ministerial, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) reconheceu que seu governo tinha problemas na articulação política. "Tínhamos problema na articulação política em parte sim", afirmou em entrevista no Palácio do Planalto nesta sexta-feira (21).

Por meio de medida provisória publicada na quarta-feira (19), Bolsonaro transferiu a articulação política de Onyx Lorenzoni (Casa Civil) para o general Luiz Eduardo Ramos (Secretaria de Governo).

O presidente Jair Bolsonaro e o ministro Onyx Lorenzoni (Casa Civil), no Planalto
O presidente Jair Bolsonaro e o ministro Onyx Lorenzoni (Casa Civil), no Planalto - Pedro Ladeira/Folhapress

Esta foi a primeira vez que ele falou sobre a mudança.

O diálogo do governo com o Congresso é alvo de constantes reclamações de parlamentares nesses quase seis meses de gestão Bolsonaro e já impôs uma série de derrotas ao Planalto.

Exemplo mais recente é a aprovação de um texto pelo Senado esta semana que tira a validade de dois decretos presidenciais sobre porte e posse de armas.

As queixas eram direcionadas, sobretudo, a Onyx, a quem cabia a tarefa de atender as demandas do Legislativo.

Bolsonaro, contudo, minimizou as mudanças e negou que a retirada da articulação da Casa Civil signifique um enfraquecimento da pasta e de seu titular. "Ele está fortalecido no meu entender. Aqui não tem ministro fraco ou forte, todo mundo tem que jogar junto nesse time", disse o presidente.

Ele disse ter conversado com Onyx por WhatsApp na manhã desta sexta e que ele "está tranquilo". "Ele vai continuar conosco enquanto sua saúde permitir", afirmou Bolsonaro dizendo que o chefe da Casa Civil passou mal e teve febre alta esses dias. 

O presidente usou analogias para falar da dificuldade do trabalho desempenhado pelos ministros que ocupam pastas do Planalto.  

"Bem, todo mundo diz, e é verdade: tem três ministérios aqui dentro [do Planalto], Secretaria do Governo, Secretaria-Geral e Casa Civil, que são fusíveis. Para evitar queimar o presidente, eles se queimam", afirmou.

O presidente também comparou o trabalho de seus auxiliares ao de jogadores de futebol.

"Eu, na minha vida toda, eu sempre fui goleiro. É função mais ingrata que tem num time, mas o goleiro aqui é a função mais importante no time, que é a do Onyx. Porque se um centro-avante perde um gol, tudo bem, o pessoal esquece rapidamente. Agora, se o goleiro toma um frango, fica marcado a vida toda.

Bolsonaro disse ainda que acredita que as coisas agora estão adequadas no Planalto e admitiu que cometeu erros ao montar o desenho do governo por "inexperiência". 

"Depois que a gente faz as coisas, a gente plota [entende] que podia ter feito menor ou não ter cometido aquele erro. Quando nós montamos aqui, no primeiro momento, [por] inexperiência nossa, houve, tivemos algumas mudanças nas funções de cada um que não deram certo. Então, em grande parte, retornamos ao que era feito em governo anterior", reconheceu. 

Após sofrer um revés com o decreto de armas, Bolsonaro foi questionado se pretende seguir estimulando que parlamentares sugiram a elaboração de decretos, em vez de o governo enviar projetos de lei ao Congresso para fazer mudanças legislativas.

Ele respondeu de forma afirmativa e disse que tem oferecido a deputados e senadores a possibilidade de que o Executivo edite decretos de temas polêmicos, que poderiam gerar desgastes para os parlamentares.

"Tenho oferecido a deputados e senadores, por ventura, decretos que, de uma forma ou de outra, causem transtornos ou injustiças. Eles apresentem para nós o que deve ser feito, o que poderia ser feito. A gente manda para a SAJ, a assessoria jurídica nossa, e o que puder fazer a gente faz para melhorar este entendimento, não só entre nós, bem como atender os interesses da população regional ou brasileira como um todo", afirmou.

Além de mudanças feitas na Casa Civil e na Secretaria de Governo, Bolsonaro anunciou nesta sexta a ida de Jorge Oliveira Francisco para a Secretaria-Geral no lugar de Floriano Peixoto, que vai presidir os Correios. Segundo ele, não haverá mais mudanças em sua equipe.

Sem citar  nomes, Bolsonaro disse que alguns quadros de sua equipe não se adequaram às suas posições.

"Alguns ministros, quando aceitaram a vir trabalhar comigo, eu tinha  posições no tocante a armamento, no tocante a valores familiares, no tocante à religiosidade, à questão do Mercosul entre tantos outros. E alguns poucos não se adequaram a isso, mesmo sabendo quem eu era. A gente não pode abrir mão disso. Temos um norte e o povo acreditou em mim."

Bolsonaro minimizou a saída do general Carlos Alberto dos Santos Cruz da Secretaria de Governo. "Não tenho nada para falar contra o Santos Cruz. Às vezes, a gente vê um excelente jogador de vôlei, você bota para jogar basquete e não dá certo. Talvez minha falha tenha sido por aí", disse Bolsonaro sobre seu ex-ministro, a quem se referiu como "uma pessoa excepcional".

"Desejo-lhe boa sorte e tenho certeza que ele guardará boas lembranças aqui da Presidência", afirmou. 

Nesta sexta-feira, Bolsonaro também voltou a defender o ministro da Justiça, Sergio Moro, envolto em uma polêmica por causa de trocas de mensagens, quando era juiz da Lava Jato, com o procurador Deltan Dallagnol.

"O Sergio Moro é patrimônio nacional. É um homem que, no meu entendimento, conseguiu o ponto de inflexão neste grande mal que assola o país há décadas, que é a questão da corrupção", afirmou.
E questionou a veracidade dos diálogos.

"Os vazamentos em si, ninguém tem certeza da fidelidade do que está publicado ali. Exitem programas hoje que simulam conversas entre aplicativos, entre duas pessoas que nunca se viram. Então, tudo é possível. Acredito que ele se saiu muito bem no Senado e saiu mais fortalecido do que entrou e pra mim é motivo de honra e orgulho tê-lo em meu ministério", disse Bolsonaro.

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