Descrição de chapéu Governo Bolsonaro

Em Goiás, Bolsonaro faz aceno ao Congresso e chama Maia de 'irmão'

Durante evento com governadores de MT e GO, presidente assinou acordo para revitalizar bacia do rio Araguaia

Talita Fernandes
Aragarças (GO)

Em novo aceno ao Congresso, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) afirmou nesta quarta-feira (5) que a classe política agora “se voltou realmente para o interesse popular”.

“Nós, juntos, temos como mudar o destino do Brasil. Este nós é o povo em primeiro lugar, depois essa classe política que agora tomou a Câmara dos Deputados e o Senado Federal. Com espírito diferente, se voltando realmente para o interesse popular”, afirmou.

Durante cerimônia em comemoração ao Dia Internacional do Meio Ambiente, celebrado nesta quarta-feira (5), Bolsonaro chamou o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), de “aliado em vários projetos” e de “irmão”.

Presidente Jair Bolsonaro (PSL) cumprimenta apoiadores em Barra do Garças (MT)
Presidente Jair Bolsonaro (PSL) cumprimenta apoiadores em Barra do Garças (MT) - Talita Fernandes/Folhapress

“Rodrigo Maia é meu irmão. Está um pouquinho mais forte, mas é meu irmão”, disse.

Bolsonaro participou de cerimônia para o lançamento do programa Juntos pelo Araguaia ao lado dos governadores Ronaldo Caiado (Goiás) e Mauro Mendes (Mato Grosso), ambos do DEM. 

O evento foi realizado em Aragarças (GO) separada de Barra do Garças (MT) pelo rio Araguaia. O objetivo é revitalizar a bacia hidrográfica da região que abrange 27 municípios.

O presidente chegou à cidade matogrossense acompanhado por uma comitiva de sete ministros Tereza Cristina (Agricultura), Marcelo Álvaro Antonio (Turismo), Gustavo Canuto (Desenvolvimento Regional), Ricardo Salles (Meio Ambiente), Onyx Lorenzoni (Casa Civil), Augusto Heleno (GSI) e Floriano Peixoto (Secretaria-Geral).

No caminho entre o aeroporto de Barra do Garças e o evento, realizado do lado goiano, ele desceu do carro cinco vezes e acenou para a população, cumprimentando moradores com aperto de mãos.

Ele chegou ao local da cerimônia, à beira de uma região assoreada do rio Araguaia, próximo às 11h, com uma hora e meia de atraso. Bolsonaro vestia uma camisa do clube de futebol Goiás com o número 17, o mesmo de sua legenda, o PSL.

Ao fim, conduziu um jet ski levando Caiado na garupa e percorreu um curto trecho do rio Araguaia, sob a escolta do Corpo de Bombeiros.

Ele pediu aos seus seguranças que liberassem o acesso da população a uma área cercada próxima ao evento e foi cumprimentado com gritos de “mito” e foi aplaudido ao criticar a esquerda e defender o aumento da validade da carteira de motoristas.

Durante a cerimônia, Bolsonaro assinou um protocolo de intenções com os governadores e o Ministério do Meio Ambiente firmou um acordo de cooperação com as secretarias estaduais para revitalizar a bacia do rio.

No início da noite de terça-feira (4), o porta-voz da Presidência, general Otávio Rêgo Barros, chegou a anunciar que o presidente cancelaria a agenda. Como justificativa, disse que a desistência tinha como base uma análise de risco feita pelo GSI (Gabinete de Segurança Institucional). 

A fala do porta-voz pegou a equipe do presidente e dos governos de Mato Grosso e de Goiás de surpresa. Durante o mesmo pronunciamento à imprensa, Rêgo Barros foi interrompido e em seguida informou que, na verdade, a agenda estaria mantida. 

Segundo relatos feitos à Folha, relatório do GSI da véspera não apontava risco à segurança e integridade do presidente. O cancelamento da agenda foi cogitado após serem detectados problemas na organização e a possibilidade de manifestação de um grupo de estudantes da UFMT (Universidade Federal de Mato Grosso), que tem um campus em Barra do Garças (MT).

A cidade de Aragarças, localizada a 400 km de Goiânia, fica na divisa de Goiás com Mato Grosso. Os estados são divididos pelo rio Araguaia. 

A região tem forte presença ruralista, base de apoio a Bolsonaro. Na cidade goiana, o presidente obteve 58,14% dos votos nas urnas em 2018. Já na cidade de Barra do Garças, do lado matogrossense, ele teve 63,79% dos votos.

Tópicos relacionados

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.