Descrição de chapéu Governo Bolsonaro

Em SP, manifestantes defendem Moro com Latino e Regina Duarte

Entre o Masp e o Fiesp, cantor afirma que 'o Brasil está de saco cheio de bundalelê'

Fábio Zanini Thiago Amâncio Wálter Nunes
São Paulo

Se nos protestos do mês passado a tônica era a defesa do governo Jair Bolsonaro e da reforma da Previdência, neste domingo (30) os manifestantes saíram em defesa do ministro da Justiça, Sergio Moro.

Há um mês o ex-juiz da Lava Jato é alvo de dúvidas sobre sua imparcialidade desde que o site The Intercept divulgou suposta troca de mensagens entre ele e procuradores da República. 

Moro aparece nos diálogos orientando procuradores em processos envolvendo o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. 

 

Um grande boneco inflável com a imagem de Moro foi instalado junto a um caminhão de som. Faixas e camisetas estampavam a fase “In Moro we trust”, na tradução do inglês “em Moro nós acreditamos”. 

Assim como nos protestos do mês passado, a maior aglomeração acontece nos arredores do Masp (Museu de Arte de São Paulo) e da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo).

O maior público se aglomerou em volta do caminhão do movimento Nas Ruas. Nele, personalidades como a atriz Regina Duarte e o cantor Latino discursaram.

O cantor Latino afirmou que "o Brasil está de saco cheio de bundalelê", em referência a um de seus principais hits, "Festa no Apê". Ele arriscou uma versão de "Me Leva", com "Oh, Baby, me leva, me leva pro futuro, me leva, pro Brasil que eu sempre quis".

A atriz Regina Duarte pediu união. "A eleição passou. Quem perdeu, perdeu, quem ganhou, ganhou. Agora somos um povo só", disse ela, e pediu a aprovação da reforma da Previdência. O apresentador Otávio Mesquita discursou contra o ex-presidente Lula e a favor do ministro Sergio Moro.

O movimento Direita São Paulo levou ao palco um sambista que repetia uma canção que defende que Moro seja tratado como uma santidade. “Eeeee que beleza, ele é mais santo que Madre Tereza /Acredite se quiser, ele é mais honesto que Chico Xavier”, dizia o refrão. 

O carro de som do MBL (Movimento Brasil Livre), que foi um dos protagonistas do impeachment da ex-presidente petista Dilma Rousseff, atraiu menos gente do que nos últimos protestos.

 O MBL não apoiou o último protesto, no mês passado. Pessoas que passavam perto do carro de som gritavam “traidores”. 

Na lateral do parque Trianon, na Peixoto Gomide, moradores de rua reclamavam da altura do carro de som. Para Rodolfo Cristiano, 10 de seus 47 anos na rua, "se estão insatisfeitos, têm que protestar, mesmo. Mas olha quanta gente aqui. Pouca gente ajuda", diz ele.

Seu colega, Jonas Bartolomeu, 33, diz que entende a manifestação. "Mas eu sou mais o Lula", diz, afirmando que hoje não acha emprego em lugar nenhum. Jonas aproveitou a multidão para catar latinhas de alumínio, de cerveja e refrigerante. "Tem que fazer o seu", resume.

Imprensa no alvo

Os manifestantes definiram como um de seus alvos a imprensa, especialmente o site “The Intercept Brasil”. “Esses diálogos são falsos na sua origem. Quem está divulgando são canalhas que querem atemorizar os juízes, os promotores, os que querem acabar com essa rede de corrupção”, discursou o jurista Modesto Carvalhosa, de cima do carro de som do Vem Pra Rua.

Manifestantes levantam cartaz em ato em defesa da operação Lava Jato e do ministro Sergio Moro na avenida Paulista, São Paulo
Manifestantes levantam cartaz em ato em defesa da operação Lava Jato e do ministro Sergio Moro na avenida Paulista, São Paulo - Nelson Antoine/Folhapress

O empresário Luciano Hang, dono das lojas Havan, criticou o fato de diversos veículos, entre eles a Folha, terem entrevistado o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

“Como pode um preso em Curitiba ser tratado como um pop star?”, perguntou, do alto do carro de som do grupo Nas Ruas.

Também há críticas ao Congresso e ao STF. Manifestantes exibem cartazes com os nomes dos senadores que votaram a favor do projeto que institui penas por abuso de autoridade.

Do alto de um carro de som, outro puxou um coro de “Rodrigo Maia, presta atenção, nós queremos a reforma de 1 trilhão”, em referência à reforma da Previdência.

Príncipe na Paulista

Um carro que mobilizava menos pessoas em comparação aos outros trios era o do Movimento Brasil Conservador, que ostentava uma grande foto do escritor Olavo de Carvalho e trazia discursos contra o aborto, o "globalismo" e a "ideologia de gênero".

O ponto alto da mobilização foi quando subiu no carro o autointitulado príncipe Bertrand de Orleans e Bragança, "o maior conservador do Brasil" nas palavras dos organizadores, que hasteavam as antigas bandeiras imperiais. "O Brasil que queremos é um país autêntico, forte, que sabe enfrentar os problemas que temos. Essa batalha, unidos venceremos", afirmou ele.

Às 17h, o carro que mais aglomerou pessoas nesta tarde, o do movimento NasRuas, encerrou seu protesto, também com uma fala de Bertrand de Orleans e Bragança —que exaltou o fato de que "o país finalmente tem um governo capaz de enfrentar outras nações". Os organizadores tocaram a música "Eu Te Amo, Meu Brasil", e o público entoou o já tradicional canto "eu vim de graça".

O ambulante José Neto, 43, gostou do protesto. "Eu sou do lado do Bolsonaro mesmo", resumiu. Só não vendeu muito: ia voltar pra casa com o isopor cheio de cerveja. "Em protesto, o pessoal quase não compra nada. Foi muito fraco. Mas domingo que vem eu volto, em dia normal vendo muito mais".

Bolsonaro

De volta da viagem ao Japão, onde participou dos encontros do G-20, Jair Bolsonaro comentou brevemente os protestos, na entrada do Palácio da Alvorada. “É um direito de o povo se manifestar. Eu costumo sempre dizer. A união dos três poderes precisa fazer parte de nós. Está no coração, no sentimento nosso. Uma coisa que pode levar o Brasil ao local de destaque que merece”, afirmou.

Nas redes sociais, disse que a "população brasileira mostrou novamente que tem legitimidade". 

Na Esplanada, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), um dos filhos do presidente, e o ministro Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional) subiram em um dos carros de som e discursaram. 

"Alguém aí gosta de bandido, alguém aqui é amigo de bandido? (...) Jair Bolsonaro já falou, Sergio Moro não sai. Nosso total apoio ao ministro Sergio Moro", discursou Flávio Bolsonaro. Heleno fez uma enfática defesa de Moro, dizendo ser uma "calhordice" quererem transformá-lo em acusado.

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