Descrição de chapéu Governo Bolsonaro

Olavo de Carvalho está na Idade Média, diz Fernando Haddad

Ex-presidenciável afirma que sentiu a derrota 'em função de para quem' perdeu a eleição

Anna Virginia Balloussier
São Paulo

​O apego a Olavo de Carvalho, alguém que “está na Idade Média”, é um bom exemplo da essência do bolsonarismo, segundo Fernando Haddad (PT): “Essa coisa retrógrada, pré-moderna”.

Seria inclusive uma areia movediça até para o liberalismo que, num primeiro momento, foi atribuído ao governo de Jair Bolsonaro (PSL), o homem que derrotou o petista na disputa presidencial.

“Óbvio que vivi o luto de 2018”, disse Haddad neste sábado (7), no Festival Todavia, em São Paulo, organizado em torno do mote “Apocalipse?”. 

Fernando Haddad em debate em evento neste sábado (8), em São Paulo
Fernando Haddad em debate em evento neste sábado (8), em São Paulo - Anna Virginia Balloussier/Folhapress

Sua performance eleitoral pode não ter sido o fim do mundo, mas que doeu, doeu, admitiu o ex-prefeito de São Paulo e professor universitário. “Só senti [a derrota] em função de pra quem eu perdi. Não por perder a eleição. Sabe... Pelo amor de Deus”, disse, arrancando risos da plateia no Centro Cultural São Paulo.

O arcaísmo do governo, para Haddad, é gritante em quatro pastas do governo: Direitos Humanos, Meio Ambiente, Relações Exteriores e Educação (pasta que comandou nas gestões Lula e Dilma).

Olavo está nessa”, afirmou sobre a onda retrógrada que vê tomar o país. “Ele é pré-moderno, não tá evocando autores liberais como John Locke, ele tá na Idade Média.”

Haddad se disse um cara bem-humorado, que segue o escritor preferido da família Bolsonaro para se divertir. Dia desses, viu uma série de tuítes em que Olavo defendeu que a teoria de que nosso planeta é plano, a qual não conhecia muito, não pode ser descartada por completo. 

“Não sei se a Terra é plana, mas sei que globista, em geral, é louco. O mais assanhado acaba de me dizer que uma linha enrolada em uma bola continua reta”, escreveu nesta semana.

O guru do bolsonarismo “fala de terraplanismo com uma desenvoltura...”, disse, em tom irônico, o ex-prefeito.

Em debate mediado por Fernanda Mena, repórter especial da Folha, Haddad também falou sobre a dificuldade da esquerda em dialogar com alguns segmentos, como os evangélicos pentecostais e neopentecostais.

Para Haddad, “a rede social não é social”, porque as pessoas tendem a se fechar em bolhas. “As pessoas estão atomizadas pela tecnologia” e se reúnem onde não existe espaço para o contraditório, afirmou.

“Todo mundo se sente confortável [nas redes]. Por mais louco que você seja, vai achar alguém igual a você.” 

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