Descrição de chapéu Lava Jato

Operação Lava Jato denuncia ex-executivos do Banco Paulista

Após vazamento de conversas de Sergio Moro, força-tarefa denuncia lavagem de dinheiro e gestão fraudulenta

Katna Baran
Curitiba

A força-tarefa da Operação Lava Jato no Paraná denunciou nesta segunda-feira (10) os ex-executivos do Banco Paulista Tarcísio Rodrigues Joaquim, Gerson Luiz Mendes de Brito e Paulo Cesar Haenel Pereira Barreto pelos crimes de lavagem de dinheiro e gestão fraudulenta.

Também foram acusados da prática de lavagem de dinheiro os ex-empresários da Odebrecht Fernando Migliacchio da Silva e Luiz Eduardo da Rocha Soares; e os operadores financeiros Olívio Rodrigues Junior, Vinicíus Veiga Borin, Marco Pereira de Souza Bilinski e Luiz Augusto França.

A denúncia foi anunciada um dia após os vazamentos de conversas entre membros da força-tarefa da Lava Jato e de mensagens do procurador Deltan Dallagnol com o ex-juiz e atual ministro da Justiça Sergio Moro, que indicam influência sua na condução da operação.

Segundo aponta o MPF, o grupo ligado ao banco detinha o controle societário do Meinl Bank, instituição financeira do Caribe, para onde a Odebrecht mandava e movimentava o dinheiro ilícito. De acordo com os procuradores, os sócios do banco estrangeiro ganhavam uma comissão de 2% sobre cada ingresso de valores nas contas operacionais da empreiteira.

A comissão destinada ao grupo do banco era depositada em uma conta ligada a uma offshore de Olívio Rodrigues. Ele seria o responsável por distribuir a verba em contas no exterior e no Brasil, por intermédio de doleiros e do Banco Paulista.

Segundo a denúncia, os executivos do banco tinham como papel dar aparência legal aos recursos, efetuando pagamentos, que teriam somado R$ 52,2 milhões apenas entre 2007 e 2015, em favor de sete empresas de fachada, controladas pelos próprios envolvidos. Para esconder os crimes, eles também teriam fraudado os demonstrativos do banco no período.

Em troca, os executivos recebiam, no exterior, recursos do setor de operações estruturadas da Odebrecht, que, conforme a Lava Jato, era o gestor de propinas da empresa.

Soares e Migliaccio, entre outros operadores financeiros, também teriam auxiliado na dissimulação e ocultação da propina, recebendo comissões por essa atuação. O repasse, segundo a denúncia, se dava por atos de lavagem de dinheiro.

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