Primeira sessão conjunta do Congresso termina em bate-boca entre líderes do PSL

Major Olímpio e Joice Hasselmann trocaram xingamentos no plenário

Daniel Carvalho Angela Boldrini
Brasília

A primeira sessão conjunta de 2019 do Congresso Nacional, realizada nesta quarta-feira (5), terminou com gritos e troca de xingamentos entre o líder do PSL no Senado, Major Olímpio (SP), e a líder do governo no Congresso, deputada Joice Hasselmann (PSL-SP).

As sessões conjuntas do Congresso reúnem, ao mesmo tempo, senadores e deputados.

Tudo começou com Olímpio indo à tribuna para criticar não só Joice, mas também o líder do governo no Senado, Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP).

Olímpio acusou os três de não cumprirem com um acordo que haviam feito para que ele retirasse um destaque na sessão de análise de vetos presidenciais a projetos aprovados no Legislativo.

O senador Major Olímpio (PSL-SP) - Walterson Rosa-1º.fev.19/Folhapress

Os vetos do presidente a uma lei aprovada só podem ser derrubados em sessão conjunta do Congresso, ou seja, com os membros da Câmara e do Senado. Para que um veto seja rejeitado, é necessário o consentimento de ao menos 257 deputados e 41 senadores.

Integrante da bancada da segurança pública, Olímpio queria derrubar um veto à participação de policiais ferroviários federais e agentes penitenciários no SUSP (Sistema Único de Segurança Pública), instituído para fazer a gestão da segurança pública nacional.

O governo conseguiu derrubar parte dos cerca de 20 destaques que haviam sido apresentados e que prolongariam a sessão. Em troca, se comprometeu com a derrubada de 9 dos 24 vetos em pauta, o que representaria um impacto de menos de R$ 600 milhões aos cofres públicos, segundo Joice.

No entanto, deputados e senadores não seguiram a orientação e derrubaram apenas um veto integralmente e outros três parcialmente.

Entre os vetos mantidos está justamente o que Olímpio queria derrubar. Foram 241 votos a 204. Dos 51 deputados do PSL, 9 votaram contra o acordo. Diante disso, ele acusou Joice, Bezerra e Davi de não cumprirem com a palavra.

"Quero dizer que a palavra não foi cumprida. Coisa de moleque. Assim não teremos dignidade a essas categorias profissionais e eu quero dizer que quem falava pelo governo não teve palavra", berrou Major Olímpio da tribuna.

"O que eu digo aos 130 mil agentes penitenciários? Que não se tem palavra? Que é uma vergonha isso aqui mesmo? Que é uma esculhambação?", esbravejou ao microfone.

Do chão, mas também ao microfone, Joice rebateu e tentou se explicar.

"Ninguém pode pegar uma arma e apontar para a cabeça de parlamentar A, B ou c para votar segundo o que está na cédula. Dentro do próprio PSL houve divergência entre alguns pontos. Não admito que venham de molecagem comigo também. Cumprimos cada ponto do que foi falado", retrucou a líder do governo no Congresso.

Olímpio posicionou-se diante de Joice e voltou a reclamar.

"Não tenho medo de quem fala alto porque eu também sei falar", disse a deputada.

Em entrevistas concedidas separadamente, os Olímpio e Joice voltaram a se atacar.

"Conosco, não cumpriram o acordo. Tem 240 votos contrários, 204 favoráveis. Lógico [que foi] um passa-moleque. Foi um passa-moleque comigo. Por isso que estou indignado. Além de incompetência, molecagem. Da líder (no Congresso), do líder do governo no Senado, do presidente da Mesa", disse Olímpio.

O senador também disse não saber se o que ocorreu foi "má-fé, se é incompetência, se é irresponsabilidade, tudo isso junto".

Joice reagiu: "O moleque levando um passa-moleque. O Major Olímpio é um moleque, agiu como um moleque e não é a primeira vez."

A líder do governo no Congresso voltou a dizer que o governo orientou a votação, mas que há divergências nas bancadas.

"Ou a gente está numa monarquia? O Major Olímpio adoraria estar numa monarquia. Este é o problema dele. A gente está numa democracia. Nem o próprio partido do presidente [PSL] pode ser obrigado", afirmou.

Ela disse que não é a primeira vez em que se vê enfrentamentos entre figuras do PSL, algo que considera "absolutamente natural para este partido que é tão diferenciado", e voltou a criticar Olímpio.

"Quando você vê o líder do partido no Senado se submetendo a um ataque de pelancas no plenário, pelo amor de Deus, é vergonhoso."

Ao deixar o plenário, Davi Alcolumbre disse que o que havia acabado de ocorrer "mostra o exercício livre da democracia".

A confusão também gerou brincadeiras entre os parlamentares. Na saída da sessão, Davi encontrou o líder do governo na Câmara, Major Vitor Hugo (PSL-GO), no cafezinho do plenário. E perguntou, aos risos: "Mas quem do PSL que orientou contra o veto do Major Olímpio?". 

Na semana que vem, haverá nova sessão do Congresso para apreciar vetos que foram destacados.

Eles tratam do projeto Rota 2030, que define regras para a fabricação dos automóveis produzidos e comercializados no Brasil, o da anistia a partidos políticos, de fundos patrimoniais e de sanções impostas por resoluções do Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas).

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