Zema diz que errou ao prometer que secretários não receberiam salário

Governador de MG voltou atrás em promessa feita durante a campanha eleitoral de 2018

Fernanda Canofre
Belo Horizonte

O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), disse que errou ao prometer em campanha que o primeiro escalão do governo não receberia salários e ao criticar o pagamento de jetons —gratificação que secretários recebem por cargos em conselhos de estatais. 

A declaração foi feita em entrevista à rádio CBN, nesta quarta-feira (12). No final de maio, Zema vetou a emenda da reforma administrativa, aprovada na Assembleia Legislativa, que proibia o pagamento de jetons a secretários. O veto depende de nova análise dos parlamentares. 

“Eu tenho de dar a mão à palmatória e falar que errei nessa questão aí”, afirmou o governador. “Vale lembrar que é a primeira vez que assumo um cargo público, nunca tinha assumido e não tinha conhecimento realmente como estava”. 

No mesmo dia em que vetou a proibição ao pagamento de jetons, o governador assinou um decreto que estipula condições para a participação dos secretários nos conselhos fiscais de estatais. 

No texto, Zema determina que os vencimentos totais de um secretário —salário e jetons somados— não pode exceder o teto do funcionalismo estadual. Medido por salário de desembargador, hoje ele é de R$ 35.462,22. 

Também fez valer um decreto anterior, do governo de Fernando Pimentel (PT), que limita a participação de cada secretário a até dois conselhos. Os valores pagos por jetom variam de empresa a empresa. 

O governador disse que reviu sua posição ao comparar os salários de secretários de Minas Gerais com outros estados e com o de secretários municipais de Belo Horizonte. 

O salário líquido de um secretário estadual de MG gira em torno de R$ 8. 500. Segundo o governador, o valor seria equivalente a um quarto ou um terço do que é pago por Goiás, Rio de Janeiro e Espírito Santo. 

Ele ressaltou ainda que os salários dele e do vice-governador, Paulo Brant (Novo), são doados, como prometeu em campanha. Zema divulgou doações a duas Apaes para os pagamentos de janeiro e fevereiro. 

“O que diz respeito aos secretários, nós teríamos que corrigir o que eles ganham para um patamar que seja igual ao de outros estados. Porque hoje você não consegue atrair pessoas qualificadas com um salário que é metade de um secretário municipal”, defendeu. 

Zema também defendeu a nomeação dos secretários de Governo e Educação —Custódio de Mattos e Júlia Sant’Anna— para cadeiras nos conselhos fiscais de duas estatais de energia, a Light e a Taesa. 

Segundo o governador, caso a vaga fosse em conselho de administração, os dois precisariam ter experiência no setor das empresas, como defende seu partido. 

Mas, como o cargo é fiscal, para analisar relatórios financeiros e despesas, Zema disse que os considera “totalmente aptos”.

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