Aos 90, ex-governador do TO se torna o mais velho a tomar posse no Senado

Para Siqueira Campos, país tem que criar outros '13 ou 20' estados

Cecília Santos
Palmas

Prestes a fazer 91 anos, o ex-governador do Tocantins Siqueira Campos (DEM-TO) se tornou o parlamentar mais velho a tomar posse no Senado desde 1983 —ano a partir do qual é possível consultar a base de dados da Casa.

Em sessão conduzida pelo presidente Davi Alcolumbre (DEM-AP) na terça (16), Siqueira fez um discurso de quase vinte minutos e afirmou que sua carreira política chegou ao fim.

"Muitas vezes desejavam que eu fosse senador. E minha carreira política está encerrada. Agora sou um velho que vai cuidar da família, dos netos e cuidar das pessoas que precisam de mim, pobres principalmente."

Senador Siqueira Campos (DEM-TO) toma posse e discursa em sessão do Senado - Marcos Oliveira/Agência Senado

Siqueira assume a vaga do senador, agora licenciado, Eduardo Gomes (SD-TO), que vai chefiar uma secretaria no governo do Tocantins. Em 2018, a intenção do ex-governador era concorrer a vaga principal ao Senado. Mas ficou doente, precisou ser internado para retirada do intestino grosso e desistiu de disputar o cargo.

Com Siqueira como seu suplente, Eduardo Gomes quis fazer uma homenagem. A intenção de transmitir o cargo foi definida por ele ao ser eleito. 

A ideia do senador era que Siqueira assumisse a vaga em março, data em que se comemora o dia da autonomia do Tocantins, mas a saúde do ex-governador não permitiu. A intenção agora é que Siqueira apresente projetos e passe seu aniversário, dia 1º de agosto, como senador —sem previsão de deixar o cargo.

"Para além da homenagem, mesmo com 90 anos ele tem vigor para discutir assuntos do Tocantins. Este é um momento raro. Não fica só no campo da homenagem. Apesar da idade, ele é um político ativo, experiente. O Siqueira é suplente na sua plenitude. Se eu decidir ficar na secretaria por dois, três anos, o tempo que precisar, ele não é um suplente figurativo, assume o mandato na sua integralidade", explicou Eduardo Gomes.

Em seu discurso, Siqueira pediu desculpas por não conseguir citar os nomes de todos que estavam presentes. A justificativa do senador é que estaria distante do universo político. Em sua fala ele defendeu também a criação de mais estados no país. O ex-governador falou em 13 ou 20 novas unidades da Federação.

"O Brasil precisa criar mais estados. Tem 27 e precisa criar mais 20 no mínimo. O território é imenso".

Em junho de 1987, Siqueira, então deputado federal e relator da subcomissão dos estados da Assembleia Nacional Constituinte, redigiu e entregou ao deputado Ulisses Guimarães a fusão de emendas, que contava com mais de 100 mil assinaturas, solicitando a criação do Tocantins.

Na época, o território fazia parte do estado de Goiás. Siqueira chegou a fazer greve de fome de 98 horas em favor da causa separatista.

O ex-governador está afastado da política desde que renunciou ao cargo de governador, em 2014. No mesmo ano, foi levado para depor coercitivamente durante a Operação Ápia, da Polícia Federal.

Na época, a PF investigava uma organização criminosa que fraudava licitações públicas e execuções de contratos administrativos firmados para a terraplanagem e pavimentação em rodovias estaduais. 

Os recursos do esquema teriam ajudado a financiar ilegalmente a campanha eleitoral à reeleição do ex-governador Sandoval Cardoso e do filho de Siqueira, o deputado estadual Eduardo Siqueira Campos.

Como resultado da operação, segundo o Ministério Público Federal no Tocantins, Siqueira foi denunciado em dezembro do ano passado por cartel e fraude licitatória e poderá ser denunciado também por corrupção, lavagem de dinheiro e improbidade administrativa.

A defesa do ex-governador acredita que ele será inocentado. "Tem uma ação em curso, mas acreditamos que pelos elementos nada leva a dolo ou culpa. A defesa acredita na absolvição e na improcedência da ação em relação à pessoa dele", disse o advogado ex-governador, Parrião Júnior.

Siqueira é nascido na cidade de Crato (CE) e começou sua carreira política como vereador no município de Colinas do Tocantins (TO). Foi deputado federal por quatro mandatos e governador do Tocantins também por quatro vezes.

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