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Economia e educação começam a pesar na imagem de Bolsonaro, aponta Datafolha

Incertezas sobre futuro do país começam a ocupar maior espaço na avaliação sobre sua gestão

Mauro Paulino e Alessandro Janoni

​O grau de adequação ao cargo continua a ser determinante para a imagem do presidente Jair Bolsonaro (PSL), mas incertezas sobre o futuro do país e de projetos do governo, como nas áreas da Previdência e da educação, começam a ocupar maior espaço na avaliação dos brasileiros sobre sua gestão.

Como na pesquisa anterior, análise estatística multivariada aponta como fator de maior correlação com a popularidade do pesselista a percepção da população sobre o quanto o capitão reformado tem comportamento condizente com o cargo que ocupa.

A ideia de que ele atua de fato, em todas as situações, como um presidente da República caiu cinco pontos percentuais –corresponde agora a 22%. O estrato dos que, por outro lado, enxergam total inadequação chega a 25%.

Mas, nos últimos três meses, pelos resultados da pesquisa, outras variáveis passaram a influenciar a opinião pública, especialmente vetores ligados ao cenário econômico e à educação.

A combinação dessa visão crítica das atitudes do presidente com o pessimismo de uma parte dos entrevistados sobre a economia do país catalisa alta taxa de reprovação –Bolsonaro é considerado ruim ou péssimo por quase 90% dos que reúnem tais características.

No extremo oposto, seu melhor desempenho encontra-se entre os que aprovam seu comportamento no cargo, enxergam melhoras na economia e acham que o pesselista está, no mínimo, atendendo suas expectativas.

Por meio de uma análise de segmentação, consegue-se chegar ao grupo de “bolsonaristas satisfeitos”, isto é, aqueles que dizem ter votado no candidato do PSL e que o consideram um presidente ótimo ou bom –são 26% dos brasileiros e chegam a 45% entre os mais ricos.

Outros 17%, no entanto, também o elegeram, mas o avaliam como regular, ruim ou péssimo – aparecem com mais frequência em estratos que serão afetados especialmente pela reforma da Previdência, como os que têm de 45 a 59 anos e os que são assalariados registrados.

Aplicando-se o mesmo método para a expectativa de governo, chega-se aos “bolsonaristas otimistas”, isto é, declaram ter votado no pesselista e acham que daqui para frente ele fará no mínimo uma boa administração –correspondia a 41% dos brasileiros antes da posse, caiu para 37% em abril e agora fecha em 34%.

E não é só entre os eleitores do presidente que o otimismo com o novo governo caiu. Na população de um modo geral, a queda na expectativa positiva é de oito pontos percentuais nos últimos três meses, o que acompanha crescente pessimismo com a inflação e com o poder de compra dos salários.

Essa preocupação com o que vem pela frente fica ainda mais explícita na pergunta que mede os sentimentos dos brasileiros associados ao país. Atributos passionais como raiva, desânimo e tristeza, todos em alta durante o período eleitoral, sofreram quedas expressivas, mas o medo em relação ao futuro apresenta crescimento importante de cinco pontos percentuais.

Entre os jovens, o temor supera a média em oito pontos percentuais. Eles também estão muito mais tristes e desanimados do que qualquer outro segmento da população. E não é difícil entender o motivo –a área da educação alcança sua maior taxa de menções como principal problema do país, desde que o Datafolha começou a fazer a pergunta no governo de Fernando Henrique Cardoso, em 1996.

No segmento dos que têm de 16 a 24 anos, o setor lidera como a maior preocupação, superando a média em sete pontos percentuais. Não por acaso, esse estrato é o que mais reprova Bolsonaro e o ministro da área.

Abrahan Weintraub é o mais desconhecido e impopular ministro de Bolsonaro entre os avaliados. Dentre os 31% de brasileiros que já ouviram falar no seu nome, apenas 9% o avaliam positivamente e entre os mais jovens a taxa é ainda menor. O ministro colhe reflexos do contingenciamento de recursos que impôs à sua pasta e as consequentes manifestações contra a atitude.

Do time de Bolsonaro, o mais bem avaliado continua sendo Sergio Moro, apesar de sua popularidade ter caído sete pontos percentuais depois da divulgação de mensagens atribuídas a ele e a procuradores da Lava Jato sobre a interferência em investigações contra determinados réus da operação como o ex-presidente Lula.

Os efeitos dessa crise limitam-se, por enquanto, ao papel de Moro como juiz e não atingiram o governo até aqui –apesar de classificar como inadequada sua conduta e julgar necessária uma revisão de suas decisões, a maioria da população aprova a Lava Jato e quer que Moro continue ministro.

A explicação para o paradoxo remete à análise do Datafolha divulgada em 03 de outubro de 2017 sobre aparente contradição entre a liderança de Lula na corrida presidencial e a vontade da maioria em também vê-lo preso –da mesma forma que o petista personifica a tolerância à corrupção diante de ações sociais, o ex-juiz inspira sentimento correlato diante da promessa de combate à corrupção.

Mauro Paulino

Diretor-geral do Datafolha

Alessandro Janoni

Diretor de Pesquisas do Datafolha

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