'Menina simples', suspeita de hackear Moro saiu de casa para morar com DJ preso

Suelen de Oliveira, 25, foi criada pela avó em Araraquara, interior de São Paulo

Araraquara (SP)

No bairro Doutor Tancredo de Almeida Neves, em Araraquara (SP), Neide Oliveira, 72, ficou abalada com a notícia da prisão de Suelen Priscila de Oliveira, 25, a neta que criou desde a infância. "Passada. Passei mal, tenho pressão alta e meu coração quase parou. E fiquei muito sentida, também. A família é a última a saber", afirmou.

Suelen é uma das quatro pessoas presas em operação da Polícia Federal nesta terça (23). Eles são suspeitos de hackear telefones de autoridades, entre eles o ministro Sergio Moro (Justiça), e invadir suas contas no aplicativo Telegram. 

Segundo Neide, Suelen saiu de sua casa há cerca de seis anos, brigada com o pai, que não aprovou o relacionamento da jovem com Gustavo Henrique Elias Santos —o DJ Guto Dubra, também preso na ação da Polícia Federal. 

Gustavo Henrique Elias Santos, 28, o DJ Guto Dubra, preso sob suspeita de ter hackeado o celular do ministro Sergio Moro
Gustavo Henrique Elias Santos, 28, o DJ Guto Dubra, preso sob suspeita de ter hackeado o celular do ministro Sergio Moro - Reprodução

De acordo com a avó, Suelen e Gustavo se conheceram em um baile e, pouco tempo após o início do namoro, se mudaram para a casa no Selmi Dei. Do bairro partiram os ataques hackers às autoridades, segundo a Justiça. 

Outros familiares, como primas e tios, estavam presentes na casa de Neide durante a visita da Folha. Todos se disseram surpresos com a suspeita de envolvimento de Suelen e impressionados com as viagens frequentes de Suelen e Gustavo para São Paulo e Santa Catarina. O DJ já foi condenado por porte ilegal de arma. 

"Ela não é formada, assim, de curso e tal. 'Malemá' fez curso de informática, que a avó pagou. Então, ela era uma menina simples e inteligente, mas foi tola e caiu no lugar errado e na hora errada. Entrou de laranja nessa história", acrescentou o pai de Suelen.

De acordo com a Polícia Federal, há indícios de que os quatro presos na operação atuavam, em diferentes graus, em esquemas de fraudes bancárias e de cartões de crédito. 

O inquérito que investiga os ataques foi aberto em Brasília para apurar, inicialmente, episódios ligados aos aparelhos de Moro, do juiz federal Abel Gomes, relator da Lava Jato no TRF-2 (Tribunal Regional Federal da 2ª Região), do juiz federal no Rio Flávio Lucas e dos delegados da PF em São Paulo Rafael Fernandes e Flávio Reis.

Segundo investigadores, a apuração mostrou que o celular do procurador Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba, também foi alvo do grupo. Esse caso está sendo tratado em inquérito aberto pela Polícia Federal no Paraná.

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.