Descrição de chapéu Governo Bolsonaro

Bolsonaro diz que Doria 'mamou' em governos do PT

Presidente se referia a compra de jatinho com empréstimo do BNDES por empresa do governador de SP

Ricardo Della Coletta Flávia Faria
São Paulo

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) atacou o governador de São Paulo, João Doria (PSDB) e, referindo-se à compra de jatinho a juros subsidiados do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), disse que ele “mamou” nos governos do PT. 

O presidente mirou ainda Luciano Huck, que também adquiriu uma aeronave por meio da linha de financiamento do BNDES. Doria e o apresentador são vistos como possíveis rivais de Bolsonaro nas eleições presidenciais de 2022.

"João Doria comprou também. Explica isso aí. Só peixe. Amigão do Lula, da Dilma. Eu vejo o Doria falando de vez em quando 'minha bandeira jamais será vermelha'. É brincadeira! Quando estava mamando lá a bandeira era vermelha com um foiçasso e um martelo sem problema nenhum, né?", disse, encerrando com um grito de "ihuuu".

Em live, Bolsonaro diz que governador João Doria 'mamou' nos governos do PT
Em live, Bolsonaro diz que governador João Doria 'mamou' nos governos do PT - Reprodução

O BNDES divulgou neste mês uma lista com 134 contratos de financiamento de jatos executivos da Embraer a juros subsidiados, no valor total de R$ 1,9 bilhão. 

A empresa Doria Administração de Bens, do governador paulista, é uma das citadas, com um empréstimo de R$ 44 milhões

Já Huck pegou R$ 17,7 milhões com o BNDES por meio do Finame (Financiamento de Máquinas e Equipamentos). O empréstimo se deu em 2013 por meio da empresa Brisair, da qual é sócio junto com sua mulher, Angélica Huck.

“Olha a caixa preta do BNDES apareceu. Já apareceu aquela galerinha da compra de aviões com [juros de] 3,5% ao ano. Que teta, hein? O que é isso, Luciano Huck? Eu sou o último capítulo do caos?”, disparou Bolsonaro, referindo-se a expressão semelhante à usada pelo apresentador para criticar a atual administração federal —em palestra no dia 14, Huck disse que "estamos vivendo o último capítulo do que não deu certo".

Não há indícios de ilegalidades nos empréstimos, o que Bolsonaro reconheceu no vídeo.

Com camiseta "Bolsodoria", o então candidato Doria faz campanha em São Paulo
Com camiseta "Bolsodoria", o então candidato Doria faz campanha em São Paulo - Luiz Claudio Barbosa - 27.out.18/Código19/Agência O Globo

Por meio de nota, o Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista, descartou haver qualquer problema com as operações da empresa de Doria junto ao BNDES.

"A Embraer vendeu mais de 135 jatos executivos e comerciais para empresas brasileiras e estrangeiras com financiamento do BNDES, gerando empregos e impostos para o Brasil. Nada de errado nisto."

Quando da divulgação da lista, Doria, em postagem nas redes sociais, classificou como “oportunismo” a associação de empréstimo tomado por sua empresa a “algo errado”.​

Já Luciano Huck disse, em texto enviado à coluna da Mônica Bergamo na semana passada, que o empréstimo que fez junto ao BNDES para comprar um avião foi "transparente, pago até o fim, sem atraso".

PONTOS DE DISTANCIAMENTO ENTRE DORIA E BOLSONARO

Corrupção Governador não mantém na equipe membros importantes com acusações de irregularidades, mesmo sem provas. Caíram assim Gilberto Kassab (Casa Civil), antes de assumir, e Aloysio Nunes (InvestSP). Enquanto isso, o ministro do Turismo, implicado no laranjal do PSL, segue no cargo

GP Brasil O presidente faz campanha aberta para tirar o GP Brasil de Fórmula-1 de São Paulo para o Rio, embora haja impedimentos técnicos. Doria rejeita a ideia e diz que vai brigar para que a prova siga em Interlagos

Ditadura Bolsonaro sugeriu que o pai do presidente da OAB não desapareceu na ditadura, e sim foi morto por colegas de luta armada. Ele o fez sem provas e sofreu críticas. Já Doria reagiu e criticou o presidente, até porque teve o pai cassado pelo regime de 1964

Moro Desde que Sergio Moro entrou na linha de tiro pelo caso The Intercept, Doria vem distribuindo afagos ao ex-juiz. Já Bolsonaro tem subido a temperatura da fritura do seu ministro, a ponto de aliados do governador defenderem convidá-lo para integrar seu governo.

Nepotismo O tucano disse que não nomearia parente para cargo público, ao comentar a indicação de Eduardo Bolsonaro, filho do presidente, para ocupar a embaixada do Brasil em Washington

Extremismo Em entrevista na China, Doria defendeu a moderação e o centrismo na política como um desejo da sociedade, e disse esperar que Bolsonaro retomasse o caminho do diálogo após uma série de declarações e acenos à fatia mais radical de sua base eleitoral

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