PF apreende cerca de R$ 60 mil em endereços do ex-governador Fernando Pimentel

Investigação é desdobramento da operação Acrônimo, que investiga o petista

Fernanda Canofre
Belo Horizonte

A Polícia Federal cumpriu dois mandados de busca e apreensão em dois endereços ligados ao ex-governador de Minas Gerais Fernando Pimentel (PT), na manhã desta segunda-feira (12).

As buscas foram realizadas em um endereço residencial e em um escritório, localizados no mesmo prédio. Pimentel foi quem recebeu a PF em um dos endereços. Foram apreendidas mídias eletrônicas e valores em dinheiro. 

O montante ainda não foi calculado, por ter sido apreendido em moeda estrangeira, como dólares, libras esterlinas e euro. A estimativa é que o total, somado a valores em reais, chegue a R$ 60 mil. 

 

A operação desta segunda, batizada de Monograma, é um desdobramento da operação Acrônimo deflagrada em 2015 e que investiga o ex-governador de Minas Gerais. 

Como Pimentel não foi reeleito em 2018 e, portanto, perdeu a prerrogativa de foro, a investigação passou do âmbito do Superior Tribunal de Justiça para a Justiça Eleitoral em junho deste ano. 

A 32ª Zona Eleitoral em Belo Horizonte autorizou os mandados desta segunda, que buscam apurar fatos levantados na segunda e na nona fase da operação Acrônimo, entre 2015 e 2016. 

Segundo a Polícia Federal, há suspeita de crime eleitoral. A campanha de 2014 de Pimentel teria recebido doações por meio de caixa 2 da OAS por ajudar a empresa com contratos no Uruguai. 

Empresas de consultoria contratadas pela campanha simularam a prestação de serviços para receber vantagem ilícita em valores que passam de R$ 3 milhões, pagos em cinco parcelas, em dinheiro. A investigação também apura falsidade ideológica eleitoral e lavagem de dinheiro. 

O objetivo da operação de hoje foi buscar o vínculo de Pimentel com as empresas que teriam movimentado os valores, o que teria ocorrido quando ele ainda ocupava o cargo de ministro de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior no governo de Dilma Rousseff (PT). 

Os fatos apurados apareceram em delação premiada de Benedito Rodrigues de Oliveira Neto, o Bené, empresário que trabalhou na campanha petista. 

“Os fatos que estão ali precisavam de um reforço. Esses fatos seriam a relação do ex-governador com as empresas em questão”, diz o delegado Marinho Rezende. 

O advogado de Pimentel, Eugênio Pacelli, disse que a operação desta segunda é “café requentado”. Mais cedo, por meio de nota, ele disse estranhar a medida por se referir a fatos de 2014.

“Estamos contribuindo, colocando tudo à disposição, apesar do excesso que carateriza essa busca e apreensão”, diz o texto da defesa. 

À Folha Pacelli afirmou que os valores apreendidos pela polícia constam na declaração de imposto de renda de Pimentel e tem origem comprovada. Ele também disse que irá pedir a restituição dos bens à PF. 

O advogado também diz que o ex-governador não tem qualquer relação com a OAS. 

Por meio de nota, a OAS disse apenas que “tem contribuído com as autoridades competentes e com a Justiça, prestando todos os esclarecimentos que se façam necessários” e que pretende concluir os acordos de leniência. 

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