PSB expulsa um deputado e suspende nove por voto favorável à Previdência

Átila Lira, do Piauí, foi expulso da sigla, que havia 'fechado questão' contra a reforma

Angela Boldrini
Brasília

O PSB decidiu expulsar o deputado Átila Lira (PI) e suspender outros nove parlamentares que votaram a favor da reforma da Previdência na Câmara, em julho. 

Foram suspensos os deputados Felipe Rigoni (ES), Emidinho Madeira (MG), Felipe Carreras (PE), Liziane Bayer (RS), Rodrigo Agostinho (SP), Rodrigo Coelho (SC), Jefferson Campos (SP), Rosana Valle (SP) e Ted Conti (ES).

O deputado Luiz Flávio Gomes (SP) mudou seu voto no segundo turno da reforma e foi poupado pelo partido.

O deputado federal Átila Lira (PSB-PI), que foi expulso do partido nesta sexta (30)
O deputado federal Átila Lira (PSB-PI), que foi expulso do partido nesta sexta (30) - Divulgação

Átila Lira foi expulso por ser considerado reincidente em infidelidade partidária. Segundo o partido, o deputado votaria constantemente contra a orientação do partido na Câmara.

Já os outros parlamentares perderam acesso a cargos e posições em comissão por 12 meses, sendo possível a reavaliação do caso depois de seis meses.

Eles desrespeitaram o chamado "fechamento de questão" —no caso, contrário à reforma previdenciária. No jargão político, quando uma sigla fecha questão, significa que determinou que aquela decisão deve ser cumprida por todos os seus integrantes, sob risco de punição.

"Eu penso que é razoável que o partido lhes dê oportunidade de se ajustar às diretrizes da direção partidária", afirmou o presidente do PSB, Carlos Siqueira, citando que parte dos suspensos são deputados de primeiro mandato. 

Siqueira também disse que, caso os deputados deixem o partido antes da janela partidária, o PSB irá à Justiça para cassar seus mandatos. 

O deputado Rodrigo Agostinho afirmou à Folha que sente muito que o partido tenha tomado decisão extrema no caso de Lira. "Trata-se de um deputado experiente e que sempre honrou o seu mandato na Câmara. Muito ruim para o PSB", disse. 

Sobre a sua própria suspensão, o deputado informou que ainda estava tentando entender a decisão para depois comentá-la. 

Em nota, a deputada Rosana Valle afirmou que "o tempo dos coronéis acabou". "Vou continuar votando com a minha consciência, permanecendo fiel aos meus ideais e aos meus eleitores. Meu compromisso é com a Baixada Santista, o litoral e o Vale do Ribeira. E não com partidos ou ideologias extremadas."

Em 2017, o PSB decidiu expulsar 13 deputados que votaram a favor da reforma trabalhista do governo Michel Temer (MDB). Na prática, eles conseguiram questionar na Justiça um aspecto formal do processo e acabaram liberados. Deixaram o partido por conta própria.

Caso Tabata

Dos partidos que optaram pelo fechamento de questão na reforma da Previdência, PSB e PDT foram os que tiveram mais problemas com rebeldes.

No PDT, 8 parlamentares de um total de 27 votaram a favor da reforma no primeiro turno, contrariando a orientação do partido.

Entre eles está Tabata Amaral (SP), que protagonizou uma crise com a sigla e foi ameaçada de expulsão. O PDT abriu processo na comissão de ética para avaliação e punição aos dissidentes.

“O sim que eu digo à reforma não é um sim ao governo. E também não é um não a decisões partidárias”, discursou a pedetista em vídeo nas redes sociais.

Líder do PDT, o ex-presidenciável Ciro Gomes pediu a saída de Tabata e chamou organizações suprapartidárias como o Renova e o Acredito, de "partidos clandestinos".

"Você pega um partido clandestino, que tem suas regras próprias, seu programa próprio, você se infiltra nos outros partidos e usa os outros partidos, fundo partidário, tempo de TV, coeficiente eleitoral para se eleger e fazer o serviço do outro partido? Aí é um problema de dupla militância, não tem nada a ver com a compreensão de reforma da Previdência que nós temos", afirmou Ciro.

Assim como Rigoni, do PSB, Tabata faz parte do Acredito, fundado em 2017 com a bandeira da renovação política.

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