Amigos e políticos se despedem do ex-governador Alberto Goldman em enterro

FHC, Alckmin, Skaf e Covas estiveram em cerimônia; após embates com tucano, João Doria não compareceu

Wálter Nunes Danilo Verpa
São Paulo

O ex-governador de São Paulo Alberto Goldman (PSDB) foi enterrado nesta segunda-feira (2) no Cemitério Israelita do Butantã, na capital paulista.

Ele morreu neste domingo (1º), aos 81 anos, vítima de um câncer. Goldman estava internado desde 19 de agosto no Hospital Sírio Libanês, em São Paulo.  

O ex-governador deixou a mulher, Deuzeni Goldman, cinco filhos e quatro netos.

O tucano foi governador de São Paulo de abril a dezembro de 2010, quando assumiu o posto de José Serra (PSDB), de quem era vice-governador. Serra deixou o cargo para concorrer à Presidência da República naquele ano. 

O ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB), à esq., em velório de Alberto Goldman na Assembleia Legislativa de São Paulo
O ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB), à esq., em velório de Alberto Goldman na Assembleia Legislativa de São Paulo - Danilo Verpa/Folhapress

José Serra, hoje senador, compareceu ao velório do colega. “Goldman foi um grande homem público. Um batalhador pela redemocratização do Brasil. Um batalhador pela construção do novo desenvolvimento do Brasil”, disse Serra. 

Estiveram na despedida de Goldman parentes, amigos e colegas da política de vários partidos. O filho Flávio Goldman fez um breve discurso durante cerimônia religiosa judaica de despedida do ex-governador. 

“Meu pai tinha a capacidade de se indignar com a injustiça. Inclusive com a situação trágica de retrocesso que vivemos hoje no Brasil”, disse Flávio.

Geraldo Alckmin, ex-governador de São Paulo, disse que Goldman era um democrata e que seu exemplo é importante neste momento do país. 

“Sempre foi um democrata. Tinha apreço pela democracia. Um homem público com preocupação social, a serviço da população. Uma grande perda. Fica uma luz aí nesses momentos sombrios do Brasil”, disse Alckmin. 

O empresário Paulo Skaf, presidente da Fiesp, disse que Goldman foi “um homem que pensava e tinha espírito público”. 

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e o prefeito de São Paulo, Bruno Covas, também compareceram ao velório. 

O ex-governador Alberto Goldman
O ex-governador Alberto Goldman - Jorge Araújo - 5.nov.18/Folhapress

Ausência de Doria

O governador de São Paulo, João Doria, não compareceu ao velório nem ao enterro do ex-governador, mesmo estando na capital paulista. Ele protagonizou embates públicos com Goldman nos últimos anos. 

Em um vídeo gravado por Doria em outubro de 2017, Goldman foi chamado de improdutivo e fracassado que "agora vive de pijamas em sua casa".

Na eleição de 2018, Goldman declarou apoio a Paulo Skaf (MDB) na disputa ao governo paulista, apesar de Doria ser candidato pelo PSDB. 

Para Goldman, o alto número de viagens de Doria enquanto prefeito era um sinal de "falta de comprometimento com a cidade". 

Após a morte de Goldman, Doria decretou luto de três dias no estado e ofereceu o Palácio dos Bandeirantes para o velório. A família recusou a oferta e preferiu velá-lo na Assembleia Legislativa de São Paulo. 

Doria enviou uma coroa de flores à família de Goldman, mas o gesto não foi bem recebido. 

A jornalista Vera Sá, que assessorou Goldman durante mais de 40 anos, mandou retirar a coroa de Doria de perto do caixão e arrancou a faixa que expunha o nome do atual governador. A Folha presenciou o episódio. 

Vera foi procurada pela reportagem e não comentou inicialmente. Mais tarde, mandou uma nota cujo título é “A coroa da hipocrisia”. 

"Tirei mesmo a faixa da coroa em nome do Doria. Depois de ofender tanto o Goldman, no fim ele quer oferecer flores, quando o Goldman não pode mais ouvir e nem ver. Isso é hipocrisia! Como jornalista, o Doria tem a obrigação de saber da trajetória política do Goldman e deveria tê-lo respeitado, em vida." 

Políticos presentes também comentaram a ausência do governador. “Não tem nem clima. As pessoas que estão aqui, alguns a gente sente que ficaram muito chocados com as atitudes dele” disse o ex-senador Roberto Freire, presidente do PPS, sobre os embates envolvendo João Doria.

A assessoria de João Doria informou que ele não compareceu ao velório porque nesta segunda havia uma extensa agenda de eventos do governo. Doria também disse que “respeita o luto da família do ex-governador Alberto Goldman e não comentará a deselegância cometida pela jornalista Vera Sá”.

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.