Doria diz que preferiu trabalhar a ir a desfile de 7 de Setembro

Governador de São Paulo negou que chamado de Bolsonaro foi motivo da ausência

Guilherme Seto
São Paulo

O governador de São Paulo João Doria (PSDB) disse neste sábado (7) que preferiu trabalhar a comparecer ao desfile de 7 de Setembro, realizado no Sambódromo do Anhembi, na zona norte de São Paulo.

O tucano participou de evento para marcar o início das obras de restauro do Museu Paulista, conhecido como Museu do Ipiranga, neste sábado. Os desfiles de 7 de Setembro são tradicionalmente prestigiados pelo prefeito da capital e pelo governador do estado. O prefeito Bruno Covas, do PSDB, também se ausentou.

"Sou patriota como todos os brasileiros que não foram ao desfile. Você também não foi e nem por isso deixa de ser [repórter responde que foi, sim, ao desfile]. Bom, mas outros não foram. Não há nenhuma falta de patriotismo em não estar presente a um desfile", respondeu o governador.

"Foi uma decisão minha e do Bruno Covas. Continuo sendo brasileiro, amo meu país, respeito a pátria, respeito os militares, respeito o 7 de Setembro. Mas preferi, em vez de assistir a um desfile, vir aqui trabalhar, e mostrar o novo projeto do Museu do Ipiranga", completou.

Os desfiles e comemorações de 7 de Setembro estão sendo encarados pelo presidente Jair Bolsonaro (PSL) como tentativas de frear a queda em sua popularidade. Ele pediu para que as pessoas saíssem às ruas vestidas de verde e amarelo.

Perguntado se deixou de ir ao Anhembi devido ao chamado de Bolsonaro, Doria negou. "Nem chamado, nem Bolsonaro, foi uma decisão feita por mim e pelo Bruno Covas", disse.

A relação entre o governador e o presidente tem ficado mais tensa e distante nos últimos tempos.

Em café da manhã com a Folha na terça (3), Bolsonaro afirmou que Doria não tem chance nas eleições presidenciais de 2022 porque é uma "ejaculação precoce". O tucano planeja concorrer à Presidência na próxima eleição. 

Na avaliação do presidente, Doria deveria pensar "talvez" somente nas eleições de 2026. Para ele, o governador de São Paulo "não tem apoio popular".

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