Médicos retiram sonda de Bolsonaro e voltam com alimentação líquida

Presidente continua sem previsão de alta, mas estimativa é que ocorra em até quatro dias

Joelmir Tavares
São Paulo

Os médicos retiraram a sonda nasogástrica do presidente Jair Bolsonaro (PSL), que apresenta evolução positiva em sua recuperação, segundo boletim médico divulgado nesta sexta-feira (13).

A sonda, que ficava conectada ao nariz do paciente e ia até o estômago, foi colocada na terça-feira (10) e removida nesta sexta. O tubo tinha a função de ajudar na saída da grande quantidade de ar que se acumulou no estômago e no intestino do presidente.

Bolsonaro voltou a receber a dieta líquida (chá, gelatina, caldo ralo), que havia sido suspensa também na terça e substituída pela nutrição parenteral endovenosa (pelas veias). Por enquanto, contudo, serão mantidas as duas formas de alimentação.

O presidente está internado no Hospital Vila Nova Star, na região sul de São Paulo, onde foi submetido no domingo (8) à quarta cirurgia desde que sofreu uma facada durante um ato de campanha em setembro de 2018. 

As visitas continuam restritas e não há previsão de alta até o momento, de acordo com o porta-voz da Presidência, general Otávio Rêgo Barros.

Segundo o médico Antonio Macedo, que cuida do presidente, a estimativa é que ele seja liberado “em três a quatro dias”, mas o prazo pode variar de acordo com o quadro clínico.

“Pudemos tirar a sonda nasogástrica porque a drenagem dela foi bem visível. Damos um pouquinho de líquido [para nutrição], em geral 50 ml de hora em hora. Daí a necessidade de se manter a alimentação intravenosa”, afirmou o cirurgião.

Ele explicou que a nutrição pelas veias será retirada à medida que o organismo do presidente responder bem à reintrodução dos líquidos. O processo tem que ser feito aos poucos para evitar mal-estar, vômitos e distensão (inchaço) abdominal.

O vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ), que é filho do presidente e o acompanha no hospital desde que ele se internou para a cirurgia, afirmou em uma rede social que a sonda “incomodava muito” o pai.

“A recuperação do Presidente, após mais uma cirurgia devido a facada que levou de Adélio, segue bem! Hoje, finalmente tirou a sonda que o incomodava muito!”, afirmou Carlos no Twitter.

“Impressionante sua preocupação com o Brasil, tendo que ser lembrado o tempo todo sobre sua saúde pessoal! O bicho é brabo!”, escreveu o vereador.

Ainda de acordo com os médicos, o paciente está sem febre e sem dor e dá sinais de retomada dos movimentos intestinais. Ele só poderá ter alta depois que evoluir da dieta líquida para a cremosa (com papinhas e sopas mais espessas).

Bolsonaro também faz sessões de fisioterapia respiratória e motora, que incluem caminhadas no corredor do hospital. Segundo o porta-voz da Presidência, o presidente acordou de bom humor e andou na manhã desta sexta.

Durante a tarde, a Presidência da República divulgou para a imprensa um vídeo que mostra Bolsonaro andando no corredor do hospital, acompanhado de um fisioterapeuta e um enfermeiro. Segundo o Planalto, ele se sente bem disposto e fez três caminhadas até por volta das 16h.

O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, esteve no hospital no início da noite. Abordado pela Folha, ele não quis dar entrevista nem respondeu se visitou o presidente.

A Presidência também não comentou. Por ordem da equipe médica, as visitas estão restritas. Bolsonaro deve evitar conversar por muito tempo e fazer esforço físico.

Salles visitou o presidente no domingo, horas após a cirurgia, quando o acesso ao visitante também estava sob controle. Na ocasião, não foi divulgado o teor da conversa.

Em uma rede social, Bolsonaro publicou o vídeo que havia sido distribuído mais cedo aos jornalistas, no qual ele caminha no corredor do hospital.

“Retiramos a sonda nasogástrica, iniciamos a alimentação líquida oral e continuamos com fortalecimento alimentar venoso! Recuperação mais rápido que esperamos!”, afirmou ele no Twitter.

“Se Deus quiser, logo sairemos do hospital e mais nenhum problema acontecerá devido a está maldita facada!”, escreveu, referindo-se ao ataque praticado por Adélio contra ele durante a campanha eleitoral.

​O presidente ficará fora do cargo mais tempo do que previa, atendendo a orientações médicas. A previsão inicial era que ele reassumisse a cadeira nesta sexta-feira, mas a equipe sugeriu período mais longo de descanso. O vice-presidente Hamilton Mourão (PRTB) ocupa o posto até terça-feira (17).

Na tentativa de mostrar que está bem de saúde, Bolsonaro fez na noite desta quinta-feira (12) uma live para as redes sociais do quarto do hospital onde está internado.

Usando roupa hospitalar e a sonda nasogástrica, ele demonstrou sinais de cansaço na voz e anunciou que, por recomendação médica, falaria pouco. Na transmissão online, que durou cerca de três minutos, o presidente enumerou o que classificou como “coisas boas para informar ao Brasil”.

Segundo a Presidência, Bolsonaro estará restabelecido a tempo de discursar na Assembleia Geral da ONU, em 24 de setembro, em Nova York.

No último domingo, os médicos corrigiram uma hérnia que surgiu na região do abdômen em decorrência das múltiplas incisões feitas no local nos últimos meses. A operação durou cinco horas e foi considerada bem-sucedida.

Logo após a cirurgia, Bolsonaro vestiu uma cinta elástica para pressionar o abdômen operado e ajudar no processo de recuperação. 

surgimento da chamada hérnia incisional já era esperado pelos médicos que atendem o presidente, em razão da série de intervenções feitas na região da barriga do paciente para tratar os danos provocados pelo ataque.

O então presidenciável foi esfaqueado por Adélio Bispo de Oliveira em 6 de setembro de 2018. O autor do crime está preso desde então.

A hérnia ocorreu porque, em virtude do enfraquecimento da parede muscular do abdômen, uma parte do intestino passou por uma cavidade desse tecido. As sucessivas incisões (cortes) na barriga fragilizaram o músculo, o que fez com que a porção do órgão e uma camada de gordura rompessem a membrana, criando uma saliência sob a pele.

 

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