Polícia Federal prende ex-governador do Tocantins Marcelo Miranda, do MDB

Pai e irmão de Miranda (MDB) também foram detidos por suspeita de corrupção

Cecília Santos
Palmas

O ex-governador do Tocantins, Marcelo Miranda (MDB-TO), seu pai, José Edmar Brito Miranda e o irmão do político, José Edmar Brito Miranda Júnior, foram presos nesta quinta-feira (26) durante uma operação da Polícia Federal.

Marcelo foi preso em Brasília, no apartamento funcional da esposa, a deputada federal Dulce Miranda (MDB-TO). Brito Miranda foi preso em Palmas e o irmão do ex-governador foi preso em Santana do Araguaia (PA).

O pai do ex-governador, de 85 anos, foi solto na tarde desta sexta-feira (27) após pagar fiança e vai responder ao processo em liberdade. O ex-governador e o irmão seguem presos.

O juiz federal João Paulo Abe decidiu manter a prisão preventiva do ex-governador após audiência de custódia realizada na tarde desta quinta-feira. Marcelo chegou em Palmas (TO) em um avião da Polícia Federal descaracterizado. Ele foi encaminhado para uma sala de Estado-Maior no Comando Geral da Polícia Militar na capital. 

A estimativa da PF é que o prejuízo causado aos cofres públicos pelo esquema chega a R$300 milhões - Shara Rezende - 8.jan.2015/Secom

Já o irmão do ex-governador, José Edmar Brito Miranda Júnior, que foi preso em Santana do Araguaia (PA) chegou em Palmas no fim da tarde e ainda está na Delegacia da Polícia Federal aguardando a audiência de custódia que só acontecerá nesta sexta-feira (27). O advogado de defesa da família não soube informar onde ele vai passar a noite e quando ele será liberado. Por ser militar da reserva, o advogado acredita que ele também deverá ser encaminhado para uma cela especial.

Eles são investigados por manter um esquema de corrupção, peculato, fraudes em licitações, desvios de recursos públicos, recebimento de vantagens indevidas, falsificação de documentos e lavagem de dinheiro. A estimativa da PF é que o prejuízo causado aos cofres públicos chega a R$ 300 milhões.

 

Desde 2016 que Marcelo, seu irmão e o pai são alvos de operações da polícia. Reis do Gado, Marcapasso, Pontes de Papel, Convergência e até a Lava Jato  investigam envolvimento do grupo em esquemas de corrupção. Para a PF, o núcleo familiar tinha influência política para operar o esquema nomeando servidores em cargos comissionados do governo que atuavam na organização.

Miranda foi governador do Tocantins por três mandatos. No ano passado foi cassado pela segunda vez por caixa dois durante a campanha eleitoral de 2014. O pai do político foi secretário durante o governo do filho.

As provas da PF indicam que mesmo com as investigações de operações antigas em andamento, o grupo continuou lavando dinheiro, usando laranjas para legitimar os bens móveis e imóveis que adquiriam, frutos de propinas, recebidas em troca de favores que era feitos a empresários que mantinham contratos com o governo estadual.

O objetivo da PF com a operação desta quinta, batizada de 12º Trabalho, é interromper as atividades do grupo, que mesmo investigados seguiam manipulando provas, por meio da falsificação de documentos e da compra de depoimentos, com o intuito de dificultar a ação da polícia.

A PF afirma que a organização continuou simulando operações envolvendo o comércio de gado de corte e empresas de fachada, construindo e vendendo imóveis, para ocultar a origem, localização, movimentação ou propriedade de bens, direitos e valores provenientes, direta ou indiretamente, obtidos por meio dos crimes.

O esquema de Marcelo, o pai, e o irmão, segundo a PF, girava em torno de  sete eixos econômicos, que envolvem a administração de fazendas e de atividades agropecuárias, compra de aeronaves, gestão de empresas de engenharia e construção civil.

O ex-governador é preso um dia depois do anúncio da prisão do seu ex-secretário de Integração Governamental do Tocantins, Elmar Batista Borges, conhecido como Cenourão, e sua mulher Tatiane Felix Arcanjo, durante a operação Carotenóides.

O advogado de defesa da família Miranda, Jair Alves Pereira informou que ainda não teve acesso ao processo, mas que os fatos em que se baseiam a prisão são antigos. "São fatos todos são requentados, que não justificam de forma nenhuma a prisão preventiva deles".

O advogado negou a afirmação de que o grupo mantinha a organização em funcionamento mesmo durante as investigações da PF. "Isso não corresponde a verdade. A família continua trabalhando nas coisas familiares deles, não tem mais nenhuma atividade pública. O que eles tem em torno deles são coisas que tinham antes de entrar para a política e continuam tendo isso. Não é porque são processados que tem que abandonar isso".

A defesa afirmou que vai recorrer da prisão preventiva.

O nome da operação dado pela PF faz referência ao 12º trabalho de Hércules, seu último desafio, que consistia na captura de Cérbero.

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