Sete de Setembro em SP terá Grito dos Excluídos e desfile; confira programação

Bolsonaro pediu verde e amarelo nas ruas, enquanto oposição defende usar preto

Carolina Linhares
São Paulo

No primeiro Sete de Setembro do governo Jair Bolsonaro (PSL), setores de oposição que organizam o Grito dos Excluídos esperam uma mobilização maior, com cerca de 10 mil pessoas a partir das 9h deste sábado (7). 

A 25ª edição da manifestação, tradicional no feriado da Independência do Brasil, reúne movimentos populares, movimento estudantil e sindical, feministas, ambientalistas, pastorais religiosas e partidos de esquerda. 

Enquanto Bolsonaro gastará 15% mais do que no ano passado com a parada militar em Brasília, mesmo com o cenário de cortes no orçamento federal, os oposicionistas pretendem incorporar às pautas da manifestação polêmicas recentes do governo, como as queimadas na Amazônia e o corte de gastos na Educação.

"Vai ser um grito com esse componente de fazer uma grande contraposição a essa comemoração oficial do governo Bolsonaro", diz Raimundo Bonfim, coordenador nacional da Central de Movimentos Populares (CMP), que organiza o ato. 

Um levantamento da CMP aponta que o Grito dos Excluídos ocorrerá, neste ano, em 132 cidades, de todas as regiões do país, um recorde, segundo a entidade. 

Em São Paulo, o Grito dos Excluídos se concentra a partir das 9h, na praça Oswaldo Cruz, na av. Paulista, e caminha até o Monumento às Bandeiras, no Parque do Ibirapuera. A caminhada, que passa pela av. Brigadeiro Luís Antônio, começa às 11h. 

Também em São Paulo, haverá o tradicional Desfile Cívico e Militar, realizado no Sambódromo do Anhembi desde 1997, a partir das 9h30. O governador João Doria (PSDB) não irá ao evento. 

Organizado pela Prefeitura de São Paulo, o evento é gratuito e as entradas serão abertas às 7h. A revista às tropas, feita às 9h, antecede o desfile. 

O pedido de Bolsonaro para que as pessoas saiam às ruas de verde e amarelo neste Sete de Setembro desencadeou em setores da esquerda e políticos de oposição a ideia de usar preto em protesto ao governo. 

O ex-presidente Fernando Collor, em 1992, conclamou "todo o Brasil" a ir às ruas usando as cores da bandeira nacional. O pedido teve o efeito oposto: em diferentes cidades, as pessoas saíram de preto, numa mobilização popular que reforçou o movimento pelo impeachment do então presidente. 

Bonfim disse esperar pessoas de preto na manifestação, mas afirma que não há orientação para que todos sigam isso. 

"A nossa linha é que vamos levar todas as nossas cores: verde, amarelo, vermelho, azul, o que representa diversidade. Nós não vamos entrar nessa paranoia de dividir o Brasil. Não vamos negar nossa bandeira", disse. 

"Muitos vão utilizar essa oportunidade para fazer um contraponto ao governo Bolsonaro [usando preto]. O que nós estaremos levando para avenida, mais do que a polarização entre as cores, é a denúncia da questão da Amazônia, de corte de recursos na área da habitação e educação, o desemprego, a exclusão e a desigualdade social."

Participam do Grito dos Excluídos as seguintes entidades: CMP, UNE, UEE, Marcha Mundial das Mulheres, UMM, FLM, CUT, Fenet, CTB, MST, MAB, Levante Popular da Juventude, Ceprocig, UMPS, Estrela Guia, Unidade Popular, Ubes, Umes, UJS, Conen, Cedeca-Interlagos, Centro Oscar Romero, Sasp, Sintaema, Apeoesp e Metroviários.

Já o desfile no Anhembi deve ter a participação de 7.200 pessoas, entre alunos da rede pública, integrantes da Marinha, do Exército e da Força Aérea, além de Polícia Militar, Polícia Civil e Guarda Civil.

Também desfilarão cães de guerra, viaturas, cavalaria e dois aviões da FAB. O desfile se encerra às 11h45. 

Os portões ao público serão abertos às 7h e serão fechados quando o sambódromo atingir a capacidade de 30 mil pessoas. Haverá revista e não será permitido levar objetos cortantes, bandeiras e faixas ofensivas. O trânsito no local também será bloqueado.


Grito dos Excluídos
Sábado (7), às 9h, na Praça Oswaldo Cruz, na av. Paulista
Organizado por movimentos populares e pastorais da Igreja Católica contra a desigualdade social

Desfile Cívico e Militar de Sete de Setembro
Sábado (7), às 9h30 (entrada às 7h), no Sambódromo do Anhembi
Desfile de civis e militares organizado pela Prefeitura de São Paulo; tem entrada grátis

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