Descrição de chapéu Governo Bolsonaro

Após derrota, bolsonaristas tentam apoio para destituir líder do PSL na Câmara

Grupo busca convencer deputados a colocar Eduardo Bolsonaro no lugar de Delegado Waldir, que é ligado a Luciano Bivar

Danielle Brant Angela Boldrini
Brasília

A confirmação do deputado Delegado Waldir (PSL-GO) na liderança do partido da Câmara não desanimou a ala ligada ao presidente Jair Bolsonaro, que já começou a negociar com parlamentares que apoiaram o aliado do presidente da legenda, Luciano Bivar (PE), para tentar convencê-los a trocar de lado.

A estratégia foi anunciada no fim da tarde desta quinta-feira (17) pelo líder do governo, Major Vitor Hugo (PSL-GO), que também afirmou que as listas para depor Waldir e substituí-lo por Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente, já estão disponíveis para quem quiser assinar.

Ala ligada ao presidente Jair Bolsonaro no PSL tenta remover o deputado Delegado Waldir (GO) da liderança do partido na Câmara
Ala ligada ao presidente Jair Bolsonaro no PSL tenta remover o deputado Delegado Waldir (GO) da liderança do partido na Câmara - Pedro Ladeira/Folhapress

“Nós não vamos encarar como qualquer tipo de derrota, como foi tratado aqui, ou de modificação, mas simplesmente uma reavaliação política”, afirmou o parlamentar.

Nesta quinta, a Secretaria-Geral da Mesa da Câmara reportou o resultado de sua análise das listas. Na noite de quarta, a ala bolsonarista entregou uma lista com 27 assinaturas para tirar o deputado Delegado Waldir do comando da bancada. Pouco depois, a ala bivarista apresentou sua própria lista, com 31 deputados. Os aliados de Bolsonaro apresentaram outra lista, com 27 nomes.

Segundo a Secretaria-Geral, das 27 assinaturas da primeira lista, 26 conferiram. Na lista dos apoiadores de Waldir, dos 31 nomes, 29 foram confirmados. E da terceira, dos 27 nomes, 24 conferiram –a assinatura é comparada com o cartão de assinatura do deputado.

“O processo não acabou ainda. E tenho certeza de que, no final, nós vamos conseguir colocar uma liderança que seja mais alinhada com o governo, que seja mais séria, mais equilibrada, e que mantenha um clima dentro do PSL, ainda que mantenha-se as disputas partidárias, mas um clima que consiga trazer possibilidades maiores de o governo avançar com suas pautas”, afirmou o major.

O líder do governo criticou Waldir por ter obstruído a votação de uma medida provisória que tratava da reformulação da estrutura do governo na última terça e que poderia perder a validade se não fosse aprovada pelo Senado até quarta (16). Também qualificou de “extremamente infeliz” o áudio em que o líder do partido na Câmara chama Bolsonaro de vagabundo e diz que vai “implodir o presidente”.

“Como foi um áudio gravado em momento reservado, ficou claro o posicionamento. Mais um motivo que reforça a necessidade da mudança da liderança”, defendeu.

“Imagina o líder do PSL, que é o partido do presidente, fazendo uma manifestação expressa contra o presidente dessa maneira, e ainda se referindo de uma maneira extremamente desrespeitosa e certamente falando uma mentira, não tem certamente nada contra o presidente para implodir a Presidência”.

Vitor Hugo disse ainda que não pretende expulsar os membros da ala bivarista, caso o grupo bolsonarista ganhe a liderança do partido na Câmara. Afirmou ainda que busca convergência e pacificação, e que o foco é aprovar as pautas econômicas, como a reforma tributária e a autonomia do Banco Central.

O parlamentar lembrou que o crescimento do partido, que tem 53 deputados, se deve a Bolsonaro. “É muito incoerente ver agora vários deputados se voltando contra o presidente num momento extremamente difícil, que é essa busca pela estabilidade”, disse.

Sobre a destituição da deputada Joice Hasselmann (PSL-SP) da liderança do governo no Congresso, Vitor Hugo descartou ter sido uma retaliação, mas sim uma questão de quebra de confiança.

“Se a líder do governo no Congresso não assina uma lista que vai trocar o líder do PSL e que vai dar maior estabilidade nas votações do governo na Câmara e também com reflexo no congresso, porque os deputados votam nas sessões do congresso...se não há esse alinhamento, é natural que houve uma queda de confiança”.

Os dois lados no racha no PSL

Bolsonaristas

  • Eduardo Bolsonaro (SP), deputado federal
  • Major Vitor Hugo (GO), líder do governo na Câmara
  • Helio Negão (RJ), deputado federal
  • Carlos Jordy (RJ), deputado federal
  • Bia Kicis (DF), deputada federal
  • Carla Zambelli (SP), deputada federal
  • Filipe Barros (PR), deputado federal
  • Bibo Nunes (RS), deputado federal
  • Alê Silva (MG), deputada federal (retirada da Comissão de Finanças e Tributação)
  • Daniel Silveira (RJ), deputado federal
  • Luiz Philippe de Orleans e Bragança (SP), deputado federal
  • Flávio Bolsonaro (RJ), senador (Senado)

Bivaristas

  • Delegado Waldir (GO), líder do partido na Câmara
  • Joice Hasselmann (SP), deputada federal e ex-líder do governo no Congresso
  • Junior Bozzella (SP), deputado federal
  • Felipe Francischini (PR), deputado federal (presidente da CCJ)
  • Sargento Gurgel (RJ) deputado federal (cotado para substituir Flávio Bolsonaro no diretório estadual do Rio de Janeiro)
  • Nelson Barbudo (MT), deputado federal
  • Professora Dayane Pimentel (BA), deputada federal
  • Delegado Antônio Furtado (RJ), deputado federal
  • Delegado Pablo (AM), deputado federal
  • Heitor Freire (CE), deputado federal
  • Major Olimpio (SP), senador
Tópicos relacionados

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.