Bolsonaro diz que Witzel sabia do depoimento do porteiro do caso Marielle

Presidente contou que governador do Rio falou com ele sobre o caso no dia 9 de outubro

Raquel Landim
Riad

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) acusou nesta quarta-feira (30) o governador do Rio, Wilson Witzel (PSC), de "conduzir" o processo do assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL) para prejudicá-lo. 

Ele afirmou que Witzel falou com ele sobre o assunto semanas atrás em um evento no Clube Naval do Rio de Janeiro, apesar do processo correr sob segredo de Justiça.

Bolsonaro fala em transmissão ao vivo em rede social na noite desta terça (29), madrugada de quarta (30) na Arábia Saudita - Reprodução/Facebook

"No dia 9 de outubro, às 21 horas, eu estava no Clube Naval do Rio de Janeiro quando o governador Witzel chegou para mim e disse: o processo está no Supremo", contou Bolsonaro.

"Que processo? O que eu tenho a ver? E o Witzel disse que o porteiro citou meu nome. Ele sabia do processo que estava em segredo de Justiça", disse o presidente.

"Agora eu pergunto ao governador Witzel: você sabia? Esse processo corre em segredo de Justiça. No meu entendimento, o senhor Witzel está conduzindo esse processo para manchar meu nome com essa falsa acusação", completou Bolsonaro.

As declarações do presidente foram feitas ao sair do hotel em Riad, na Arábia Saudita ,a caminho do fórum conhecido como "Davos no Deserto". Bolsonaro contou que havia dormido apenas uma hora por causa da crise, mas que era "militar" e enfrentaria os investidores que o aguardavam.

Durante a madrugada, o presidente fez uma transmissão ao vivo em suas redes sociais para rebater matéria do Jornal Nacional, da TV Globo, que diz que um dos acusados de dirigir o carro com os assassinos de Marielle esteve em seu condomínio no dia do crime.

Segundo o depoimento de um porteiro, o suspeito pediu para ir na casa de Bolsonaro e um homem com a mesma voz do presidente atendeu o interfone e autorizou a entrada. O acusado, no entanto, teria ido em outra casa dentro do condomínio.

O depoimento tem uma contradição porque o plenário de presença da Câmara dos Deputados atesta que Bolsonaro estava em Brasília nesse dia. Para o presidente, esse porteiro é uma pessoa "humilde" que está sendo "usada" pelo delegado da Polícia Civil que conduz o caso "a mando de Witzel". Ele afirmou ainda que pretende ver com seus advogados se a Polícia Federal pode tomar novamente o depoimento do porteiro.

O presidente afirmou ainda que está aguardando a TV Globo convidá-lo para uma entrevista no Jornal Nacional ao vivo sobre o assunto. "Se é que alguém tem caráter na cúpula da Globo. Divulgar uma matéria mentirosa para atrapalhar o Brasil aqui [na Arábia Saudita]. Acabou a mamata da TV Globo".

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