Filiado ao Novo deixa gestão Doria para se descolar do PSDB de olho em 2020

Filipe Sabará, pré-candidato a prefeito de São Paulo, dá sinal de fidelidade à sua sigla

Carolina Linhares
São Paulo

O presidente do Fundo Social de São Paulo, órgão estadual de filantropia, Filipe Sabará (Novo), pediu demissão ao governador João Doria (PSDB) nesta sexta-feira (18). Trata-se de um distanciamento do tucano para aumentar suas chances no processo seletivo do Novo para candidato a prefeito em São Paulo no ano que vem. 

 novos integrantes do Governo Doria: Lia Porto como Procuradora Geral do Estado, Bia Doria como Presidente do Conselho do Fundo Social (trabalho voluntário) e Filipe Sabará como Presidente Executivo deste mesmo Fundo
João Doria, Bia Doria e Filipe Sabará, no momento em que foi anunciado presidente do Fundo Social no ano passado - Reprodução/Twitter

Sabará disputa a fase final com outros três nomes: Claudio Lottenberg, presidente do conselho de administração da UnitedHealth; Diogo da Luz, que foi candidato ao Senado no ano passado; e Emerson Kapáz, empresário e ex-deputado federal. 

A última etapa do processo é uma entrevista com a direção nacional do Novo, cujo presidente é João Amoêdo. 

Nos bastidores, a proximidade de Doria e Sabará é vista com desconfiança pela cúpula do Novo. Sabará foi ex-secretário municipal de Assistência Social da gestão do tucano na Prefeitura de São Paulo e migrou com ele para o governo do estado. 

Tucanos, por sua vez, querem garantir que o apoio de Doria na eleição de 2020 seja exclusivo para Bruno Covas (PSDB), atual prefeito que busca reeleição.

Com a demissão, Sabará envia sinal de fidelidade ao Novo —mas ainda precisa ser avaliado, ao lado dos outros três, antes que o partido defina seu candidato. A data da entrevista final não está marcada. 

Segundo a assessoria do Partido Novo, a demissão é para que Sabará possa se dedicar ao processo seletivo. O pré-candidato à prefeito foi procurado pela reportagem, mas não quis dar declarações. 

Um dos pré-candidatos a prefeito de SP pelo Novo, Filipe Sabará - Greg Salibian/Folhapress

Com a saída de Sabará, quem assume a chefia do Fundo Social é o diretor executivo do órgão, Augusto Ramos. Ele é empresário, com atuação na área de programação e aplicativos.

Nesta sexta, durante a reunião semanal de secretariado do governo Doria, Sabará se despediu dos colegas e entregou uma carta ao governador e à primeira-dama, Bia Doria, que é vice-presidente do Fundo Social. 

"Nesse momento, escrevo para comunicá-los que estou deixando o cargo de presidente executivo do Fundo Social, para me dedicar a outra missão, agora por meu partido, o único ao qual fui filiado: o partido Novo", escreveu Sabará. 

"A vida nos uniu para uma missão e agora conto com a compreensão de vocês, para que eu possa continuar a trabalhar lastreado em meu propósito, num novo desafio, que é eleger o próximo prefeito de São Paulo", segue o texto. 

"Já é sabido que me coloquei como pré-candidato e participei do longo processo seletivo do Novo. Portanto, nessa reta final, mesmo ainda não tendo certeza se serei o escolhido para disputar a eleição municipal, pois há outros bons postulantes no processo, entendo que o mais correto e justo é que eu deixe qualquer função pública, para apoiar o meu partido nessa difícil e árdua tarefa", completa. 

O distanciamento do tucano, no entanto, não foi interpretado como um rompimento —Doria e Sabará mantêm boa relação. Sabará se dirige a ele em tom amistoso na carta: "João, obrigado pelas lições de gestão, por me cobrar intensamente entregas de qualidade e por sempre ter me dado autonomia para criar".

Na carta, Sabará relembra seu trabalho na área social e ambiental, agradece a Doria pela oportunidade e lista os programas lançados na sua gestão. 

Ele é fundador da ONG Arcah, que se dedica a reinserir moradores de rua no mercado de trabalho e é também herdeiro do Grupo Sabará, gigante da indústria química voltada à fabricação de cosméticos.

À frente da área social, Sabará defendeu a ideia de que a solução para pobreza está mais no empreendedorismo do que em assistencialismo e programas sociais. Ele costuma usar o mote "liberal no social" para identificar sua atuação. 

O Partido Novo deve lançar candidatos a prefeito em cerca de 60 cidades no ano que vem. Os nomes serão escolhidos a dedo, após rigoroso processo seletivo de três etapas. A consultoria Exec foi contratada para realizar parte da seleção. 

Os candidatos que chegam à segunda etapa têm que pagar de R$ 2.000 a R$ 4.000 para continuarem na disputa. O valor de R$ 4.000 é cobrado para as principais capitais, como São Paulo. 

Ao contrário de outros partidos, que planejam lançar candidatos no maior número de cidades possível, o Novo quer promover um crescimento sustentado.

Depois de eleger quatro vereadores na eleição de 2016, a primeira da qual participou, o Partido Novo alcançou bom resultado em 2018: elegeu 8 deputados federais, 11 estaduais e um distrital, além do governador Romeu Zema (MG). Presidenciável, Amôedo terminou em quinto, com 2,5% dos votos válidos.

A eleição de 2020 é vista como estratégica por Amôedo, principalmente porque será a primeira em que o Novo terá vaga garantida nos debates. 

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