Grupo de Bolsonaro retoma ofensiva para tentar destituir líder do PSL na Câmara

Ala do partido ligada ao presidente quer que Eduardo Bolsonaro seja o líder na Casa

Danielle Brant
Brasília

A ala do PSL ligada ao presidente Jair Bolsonaro retomou nesta segunda-feira (21) os esforços para tentar destituir o deputado Delegado Waldir (GO), aliado do presidente do partido, Luciano Bivar (PE), da liderança na Câmara.

O líder do governo na Casa, Major Vitor Hugo (PSL-GO), disse ter protocolado às 9h30 junto à Secretaria-Geral da Mesa Diretora uma lista com 29 assinaturas para destituir Waldir da liderança do PSL na Câmara e substitui-lo pelo deputado Eduardo Bolsonaro (SP), filho do presidente.

Para chancelar a troca de comando, a Secretaria-Geral da Mesa Diretora precisa conferir as assinaturas —é preciso ter o apoio de metade mais um dos deputados do partido para a lista valer. Na semana passada, a ala bolsonarista apresentou duas listas, ambas com 27 assinaturas. A primeira teve 26 validadas, e a segunda, 24.

Em uma rede social, Vitor Hugo afirmou ter assinado a lista e reunido as assinaturas de Alê Silva (MG), Aline Sleutjes (PR), Bia Kicis (DF), Bibo Nunes (RS), Carla Zambelli (SP), Carlos Jordy (RJ), Caroline de Toni (SC), Chris Tonietto (RJ), Coronel Armando (SC), Coronel Chrisóstomo (RO), Daniel Freitas (SC), Daniel Silveira (RJ), Dr. Luiz Ovando (MS), Eduardo Bolsonaro (SP), Enéias Reis (MG), Filipe Barros (PR), General Girão (RN), General Peternelli (SP), Guiga Peixoto (SP), Helio Lopes (RJ), Junio Amaral (MG), Léo Motta (MG), Luiz Lima (RJ), Luiz Philippe de Orleans e Bragança (SP), Marcelo Brum (RS), Marcio Labre (RJ), Ricardo Pericar (RJ) e Sanderson (RS).

Mas ainda pode haver outro entrave. Na sexta (18), em convenção em Brasília, a ala ligada a Bivar anunciou a suspensão de cinco deputados bolsonaristas —Carlos Jordy, Alê Silva, Bibo Nunes, Carla Zambelli e Filipe Barros. O objetivo da manobra era impedir que eles representassem o PSL em qualquer atividade na Câmara, incluindo a votação para líder da bancada.

Nesta segunda, o líder do governo afirmou que “as suspensões de deputados do PSL que haviam sido anunciadas não foram confirmadas oficialmente, e por isso todas as assinaturas valem”. Sem os cinco nomes, a ala bolsonarista não alcançaria os 27 deputados necessários para destituir Waldir.

A nova ofensiva do governo pela liderança do partido na Câmara ocorre após a guerra travada pelas duas alas na semana passada. A ala bolsonarista tentou destituir Waldir da liderança do PSL na Casa, sem sucesso.

Em retaliação, o presidente Jair Bolsonaro retirou a deputada Joice Hasselmann (SP) da liderança do governo no Congresso. Ela deve ser substituída pelo senador Eduardo Gomes (MDB-TO), que é vice-líder.

Bivar decidiu ainda destituir Eduardo e o senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), filho mais velho do presidente, dos comandos da legenda em São Paulo e no Rio de Janeiro, respectivamente. Outra aliada de Bolsonaro, a deputada Bia Kicis (PSL-DF) também foi removida da presidência do PSL do Distrito Federal.

Em meio a isso tudo, foram divulgados dois áudios que acirraram os ânimos nas duas alas. O presidente foi gravado falando com um interlocutor sobre a lista para retirar Waldir da liderança do PSL. Em outro, o próprio Waldir chamou Bolsonaro de vagabundo e disse que ia implodir o presidente.

O áudio, de duração de nove minutos, traz uma série de reclamações dos deputados sobre a interferência do presidente na liderança do partido.

Houve ainda denúncias de compra de apoio de parlamentares por Bolsonaro. Segundo Waldir, o presidente teria oferecido cargos e controle partidário a quem votasse em Eduardo para líder do PSL na Câmara.

A atual crise no partido tem como origem o esquema de candidaturas laranjas do PSL, caso revelado pela Folha em uma série de publicações desde o início do ano. O episódio é um dos elementos de desgaste entre o grupo de Bivar e o de Bolsonaro, que ameaça deixar o partido.

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