Presidente da República, Alcolumbre faz tour por praias atingidas por óleo

Presidente do Senado tenta capitalizar politicamente como presidente interino na ausência de Bolsonaro

Angela Boldrini
Brasília

Presidente interino, o senador Davi Alcolumbre (DEM-AP) visitará nesta quinta-feira (24) praias atingidas pelas manchas de óleo no Nordeste. Alcolumbre irá a Alagoas e Sergipe com o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, e senadores das bancadas dos dois estados. 

Foram avistados vestígios de óleo em ao menos 13 municípios alagoanos e 9 sergipanos, de acordo com levantamento da Folha com dados do Ibama e do ministério.

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), tenta capitalizar politicamente durante ausência de Bolsonaro, que não visitou região afetada por óleo no Nordeste
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), tenta capitalizar politicamente durante ausência de Bolsonaro, que não visitou região afetada por óleo no Nordeste - Adriano Machado - 2.out.2019/Reuters

O presidente interino visitará pela manhã o município de Barra de São Miguel (AL) e, à tarde, a praia de Aruana, em Aracaju. 

Nesta quarta à noite, Alcolumbre anunciou a viagem em suas redes sociais, enfatizando sua posição. 

"Como presidente da República em exercício, embarcarei, na quinta-feira (24), à região Nordeste, para acompanhar a situação das praias atingidas pelo vazamento de petróleo, que já atingiu mais 200 localidades. É considerado um dos maiores desastres ambientais da história do país", afirmou. 

Em breve período à frente da Presidência da República, durante quinta e sexta (25), Alcolumbre tenta capitalizar politicamente com a ausência do resto da linha sucessória presidencial: até o momento, nem o presidente Jair Bolsonaro nem seu vice, Hamilton Mourão, foram às praias atingidas pelo óleo. 

O senador será, portanto, o primeiro ocupante do posto de presidente, ainda que transitoriamente, a visitar a região afetada.

Além disso, o primeiro escalão do governo tem se envolvido em polêmicas com a oposição e ONGs sobre o combate às manchas. Salles, por exemplo, usou um vídeo editado para atacar o Greenpeace sobre suposta ausência de voluntários da ONG no Nordeste.

Bolsonaro também usou as redes sociais, no dia 12 de outubro, para questionar o suposto silêncio de ONGs sobre o assunto. "Estranhamos o silêncio da ONU e ONGs, sempre tão vigilantes com o meio ambiente", escreveu. 

Na mesma rede social, porém, diversas entidades, como a WWF-Brasil e o próprio Greenpeace vinham cobrando atuação do governo federal.

Também irá na comitiva o presidente da Comissão de Meio Ambiente do Senado, Fabiano Contarato (Rede-ES). Ele criticou a ausência de Bolsonaro no local das manchas. "Está ocorrendo um desmonte da área ambiental neste governo, e a ausência do chefe do Executivo é simbólica do que está acontecendo. É lamentável", disse. 

Pode haver saia-justa na comitiva: Contarato foi um dos que assinou o pedido de impeachment do ministro Ricardo Salles feito ao STF (Supremo Tribunal Federal) em agosto.

Apesar de avaliar que a visita de Alcolumbre é um gesto positivo, até mesmo politicamente para o presidente do Senado, o presidente da comissão de Meio Ambiente também criticou a Mesa Diretora da Casa. Segundo ele, há requerimento de informação para Salles parado para avaliação da cúpula do Senado, e a pauta ambiental segue travada na Casa. 

O senador é um dos que levou ao Planalto lista com oito recomendações que para o Executivo sobre como atuar no caso do óleo, sugerindo a decretação de estado de emergência ambiental na região. 

Então à frente do Executivo, Mourão afirmou nesta terça-feira (22) que o governo analisaria a proposta. Caso seja decretada emergência, os senadores ambientalistas defendem que isso agilizaria o combate às manchas por possibilitar medidas como a dispensa de licitação.

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