Acompanhe a Proclamação da República, hora a hora, em 15 de novembro de 1889

Militares iniciaram movimentação ainda na madrugada, e golpe que derrubou a Monarquia foi concluído antes do meio-dia

São Paulo

Insatisfeitos com o Império, os militares planejavam para o dia 20 de novembro o golpe que proclamaria a República no Brasil.

Mas, no dia 14, começou a correr pelo Rio de Janeiro o boato de que o marechal Deodoro da Fonseca, um dos líderes do movimento, havia sido preso. Diante disso, os republicanos resolveram agir.

Veja a sucessão de acontecimentos, hora a hora, do dia 15 de novembro de 1889.

6h
Informados sobre a intensa movimentação que ocorria em todos os batalhões militares do Rio de Janeiro, os ministros do gabinete de governo, liderados pelo primeiro-ministro, o visconde de Ouro Preto, se reúnem para discutir formas de enfrentar os militares.

Enquanto isso, as tropas republicanas começam a mobilizar-se pela cidade. Uma grande parte do efetivo policial, vindo de Niterói, desembarca no Rio para se unir ao marechal Deodoro.

Outra parte da força fica na ponte da Armação, a espera de embarcações. O 7º e o 10º Batalhões, além do Corpo de Bombeiros, amanhecem vazios. Os soldados começam a dirigir-se ao campo de Santana, no centro da então capital federal.

7h
Uma força de fuzileiros navais sobe a rua do Ouvidor e começam a ser ouvidos pela cidade as primeiras palavras de ordem em defesa da República gritadas abertamente. Os soldados estão prontos para o confronto armado. Todos os oficiais que acompanham o grupo levam revólveres nas cinturas.

8h
É quase impossível chegar ao campo de Santana devido ao grande número de soldados que se dirige para o local com o objetivo de unir-se aos líderes republicanos.

Uma força do 10º Batalhão, fiel à Monarquia, ocupa todo o largo da Lapa para impedir a passagem de estudantes da Escola Militar, que apoiaram maciçamente a Proclamação.

8h30
O marechal Deodoro da Fonseca encontra-se com o barão de Ladário, que ocupava o cargo de ministro da Marinha, na entrada do ministério.

O barão, afirmando que tinha a obrigação de defender a Monarquia, saca duas armas com o objetivo de atacar Deodoro. Um praça do Exército que presencia a cena entra em ação e atira contra o nobre, que cai ferido.

 

9h
Todas as estações de polícia são fechadas na cidade. A movimentação de militares nas ruas é cada vez maior. À porta de uma taverna em uma esquina da rua são Lourenço pode ser visto o barão de Ladário, ferido, à espera de cuidados médicos.

9h30
Militares republicanos tomam a Secretaria do Império e cercam a sala onde ocorre a reunião do gabinete ministerial.

Os revolucionários dão voz de prisão aos ministros e afirmam que todos seriam liberados assim que renunciassem a seus cargos.

A situação torna-se tensa, até que Deodoro declara que nenhum dos monarquistas sofreria qualquer agressão ou retaliação, desde que concordassem em reconhecer o novo governo.

10h
Os integrantes do ministério monarquista, sem enxergar outra saída, rendem-se e concordam em anunciar a renúncia coletiva.

Deodoro encaminha-se para o campo de Santana, onde representantes das Forças Armadas o aguardavam, já festejando o sucesso do golpe e o início da República.

10h30
Deodoro entra no quartel de Santana em triunfo, abraçado, entre aclamações. O Exército dá vivas à República. Alunos da Escola Militar conseguem passar pelo largo da Lapa, pois os soldados monarquistas já não ofereciam resistência.

10h45
O marechal Deodoro é carregado em triunfo. O 2º Batalhão de Artilharia dá uma salva de 21 tiros. Está instalada a República.

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