Generalizar policiais é tão preconceituoso quanto racismo, diz líder do governo na Câmara

Major Vitor Hugo justifica atitude de deputado do PSL que quebrou placa sobre Consciência Negra

Brasília

O líder do governo na Câmara, Major Vitor Hugo (PSL-GO), afirmou nesta quarta-feira (20) que a atitude do deputado Coronel Tadeu (PSL-SP), de quebrar uma placa que fazia parte de exposição em homenagem ao Dia da Consciência Negra, foi uma defesa dos policiais militares. 

"Fazer uma generalização de que todos os policias contribuem para a morte de negros no Brasil é uma visão parcial do problema e certamente tão preconceituosa quanto o racismo", afirmou Vitor Hugo. 

Placa quebrada com charge que fazia parte de exposição sobre Dia da Consciência Negra na Câmara
Placa quebrada com charge que fazia parte de exposição sobre Dia da Consciência Negra na Câmara - Pedro Ladeira - 19.nov.19/Folhapress

Nesta terça-feira (19), véspera do feriado da Consciência Negra, o deputado do PSL de São Paulo arrancou uma charge do cartunista Latuff que fazia parte de exposição no corredor da Câmara. 

O desenho mostrava um homem negro caído no chão algemado, e um policial com uma arma fumegante se afastando dele. O cartaz trazia os dizeres "o genocídio da população negra" e trazia dados sobre a morte de jovens negros. 

Charge do cartunista Carlos Latuff
Charge do cartunista Carlos Latuff - Divulgação/Carlos Latuff

Em São Paulo, segundo pesquisa da socióloga Samira Bueno, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, 67% dos mortos em ações policiais entre 2014 a 2016 eram pretos ou pardos.

Dados do fórum também apontam que, em 2017 e 2018, 75,4% dos mortos em intervenções policiais no Brasil eram negros. 

Partidos de oposição a Bolsonaro, como PT e PSOL entraram com representação no Conselho de Ética na Câmara contra o parlamentar. 

Deputados da bancada negra também ingressaram com representação por racismo na PGR (Procuradoria-Geral da República), na noite de terça. 

Parlamentares da oposição e membros do movimento negro fizeram um ato no corredor da exposição e recolocaram cartazes contendo a imagem da charge retirada. 

Aos gritos de "racistas, fascistas, não passarão", "vidas negras importam" e "Marielle, presente", eles colaram os cartazes no local onde antes estava a placa. 

O clima esquentou brevemente quando um visitante que passava pelo local reclamou da manifestação e foi respondido com vaias. Alterado, ele xingou manifestantes e foi retirado pelos que o acompanhavam. 

Manifestantes também gritaram "Tadeu canalha" e "chora, Tadeu", em referência ao deputado do PSL. 

Participaram do ato deputados da bancada negra, como Aurea Carolina (PSOL-MG), Talíria Petrone (PSOL-RJ), Benedita da Silva (PT-RJ), David Miranda (PSOL-RJ) e deputados brancos da oposição, como Maria do Rosário (PT-RS), Alessandro Molon (PSB-RJ) e Erika Kokay (PT-DF). 

Tópicos relacionados

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.