Descrição de chapéu Governo Bolsonaro

Bolsonaro removeu lesões da face e da orelha para análise em laboratório, diz Planalto

Nota da Secom não faz menção direta a câncer de pele, possibilidade citada pelo presidente após consulta um dia antes

Brasília

Um dia após Jair Bosonaro dizer que tem a possibilidade de ter câncer de pele, o Palácio do Planalto informou que o presidente teve lesões removidas e submetidas a exames. 

"Foram realizados alguns procedimentos como retirada de lesão verrucosa na face e na orelha, além de crioterapia em lesões no tórax e no antebraço, provocadas pelo excesso de exposição solar. O material segue para análise laboratorial, como é de rotina", diz a nota divulgada pela Secom (Secretaria de Comunicação Especial) no início da tarde desta quinta-feira (12). 

De acordo com o Planalto, a consulta dermatológica, realizada na tarde de quarta-feira (11), estava agendada previamente "com o objetivo de reavaliação de atendimento feito seis meses atrás".

Presidente Bolsonaro no Palácio da Alvorada, em Brasília - Adriano Machado/Reuters

O médico especialista, de acordo com a Secom, recomendou avaliação semestral do presidente "em face do excesso de exposição solar prévia, o que já está sendo seguido". Em nenhum momento a nota faz qualquer menção direta sobre a possibilidade de o presidente ter um câncer de pele. 

Bolsonaro passou a manhã desta quinta no Palácio da Alvorada, sem agenda oficial. No início da tarde embarcou para Palmas, no Tocatins, para um evento da Caixa Econômica Federal.

Ao deixar o Alvorada, não quis dar declarações e ironizou declaração feita por ele mesmo na véspera sobre um possível câncer. "Pessoal, como estou com câncer eu não vou poder atender vocês, tá ok?"

Bolsonaro realizou consulta médica e exames na tarde de quarta no Hospital da Força Aérea Brasileira, em Brasília. A visita médica não foi informada inicialmente pela assessoria de imprensa do Planalto e não constava o compromisso na agenda oficial do presidente. 

Ao chegar ao Alvorada, poucos minutos depois de deixar o hospital, Bolsonaro falou em suspeita de câncer. "Eu tenho pele clara, pesquei muito na minha vida, gosto de muito de atividade, então a possibilidade de câncer de pele existe", disse Bolsonaro ao entrar no Palácio da Alvorada.

O presidente Jair Bolsonaro removeu lesões da orelha para exame nesta quarta-feira (12) - Pedro Ladeira/Folhapress - 12.dez.2019

Bolsonaro chegou ao Alvorada com um curativo na orelha esquerda. Questionado sobre o tema, disse que havia a possibilidade de um câncer e de que estão fazendo uma checagem. Ele também informou que cancelou uma viagem a Salvador (BA) na quarta por estafa.

"Não sei se vão fazer biópsia, me cutucaram, furaram, deram anestesia. Eu dormi. Eu tava tão cansado que eu deitei na maca e dormi", disse na noite de quarta.

"Tem possível câncer de pele. Fizeram uma checagem em mim. Inclusive não é eu que peço, muitas vezes eles que me convocam e eu vou pra lá. Eu não sou dono mais de mim em muitas questões. Uma coisa que to abusando é as saídas por aí. Outro dia comi pastel na feira do Paraguai e tava gostoso", disse, em referência a saídas fora da agenda.

 

O presidente deixou o Hospital da Força Aérea Brasileira, a 20 km do Palácio do Planalto, às 17h25 após a realização de um exame. Às 17h35, a Secom divulgou uma nota afirmando que Bolsonaro foi para uma consulta programada e confirmou que ele havia sido submetido a procedimentos, mas sem dar detalhes.

"O presidente Jair Bolsonaro foi ao Hospital da Força Aérea Brasileira (HFAB), nesta tarde, para consulta de rotina já programada, com a realização de exames também de rotina. O presidente apresenta boas condições de saúde, sem ressalvas. Agora, o presidente segue para o Alvorada", dizia o texto.

Às 17h47 ele chegou ao Palácio da Alvorada e deu outra versão: disse que foi submetido a um exame para averiguar a possibilidade de um câncer de pele. 

Após as declarações do presidente, a reportagem questionou a assessoria de imprensa sobre o estado de saúde de Bolsonaro e a previsão de divulgação dos resultados dos exames.

"O presidente apresenta boas condições de saúde. Demais informações sobre o estado de saúde do presidente serão transmitidas no momento oportuno", informou a Secom na noite de quarta. Questionado, o Planalto não respondeu sobre a previsão de que os exames tenham o resultado divulgado.

 

ENTENDA O CÂNCER DE PELE

Doença é o tumor mais frequente no Brasil

O câncer de pele é provocado pelo crescimento anormal das células que compõem a pele e é mais frequente em adultos brancos

Pode aparecer em qualquer parte do corpo (tanto na pele como nas mucosas), na forma de manchas ou pintas. Em pessoas negras, o câncer é mais comum na palma da mão e na planta do pé

Fatores de risco

  • Ter pele e olhos claros, cabelos ruivos ou loiros
  • Ter história familiar de câncer de pele
  • Exposição prolongada e repetida ao sol sem proteção, especialmente na infância e na adolescência
  • Uso de câmeras de bronzeamento artificial

Detecção
É preciso ficar atento a feridas que não cicatrizam e sangram ocasionalmente e a mudanças em pintas e manchas da pele

Uma regra adotada internacionalmente aponta sinais de perigo para o câncer:

A: assimetria em pintas ou manchas (uma metade é diferente da outra)
B: bordas irregulares, com contorno mal definido
C: cor variável, com presença de várias cores em uma mesma mancha ou pinta (preta, castanha, branca, avermelhada, azul)
D: diâmetro maior que 6 milímetros
E: evolução nas características (aumento de tamanho, mudança de formato ou de cor, por exemplo)

Em casos positivos, é necessário procurar um médico para avaliação. Pessoas com muitos fatores de risco podem ser submetidas a exames periódicos para análise dos sinais

Há dois tipos de câncer de pele:

1. O câncer de pele não melanoma (o mais comum e menos agressivo)

Tem baixa letalidade e se encontra nas camadas superiores da pele. Pode ser curado mais facilmente em caso de detecção precoce. Normalmente surge em área mais expostas ao sol, como rosto, orelhas, pescoço, couro cabeludo, ombros e costas

2. O câncer de pele melanoma (mais raro e mais grave)

Tipo menos frequente —corresponde a apenas 3% dos tumores malignos de pele--, tem pior prognóstico e mais alto índice de mortalidade. As chances de cura, porém, são altas em caso de detecção precoce, quando o câncer está na camada mais superficial da pele. Em geral tem aparência de pinta ou sinal em tons escuros que se modificam e podem sangrar

Tratamento

O tratamento vai depender do tipo do câncer. Pode incluir cirurgia, quimioterapia e radioterapia. No caso do melanoma, novos medicamentos chamados imunoterápicos apresentam altas taxas de sucesso terapêutico mesmo em caso de metástase (espalhamento para outros órgãos)

Fontes: Sociedade Brasileira de Dermatologia e Inca (Instituto Nacional de Câncer)

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