PF faz operação contra candidaturas de laranjas em Roraima e investiga Jucá

Suspeita se refere à campanha de 2018; ex-senador do MDB e filho dele repudiam vínculo e dizem não terem sofrido buscas

João Paulo Pires
Boa Vista

A Polícia Federal deflagrou na manhã desta quarta-feira (11) a Operação Títeres, que investiga um suposto esquema de candidaturas de laranjas em Roraima envolvendo o MDB e o PSD para fraudar e desviar recursos do fundo eleitoral na campanha de 2018.

A PF não divulgou os nomes dos envolvidos. A reportagem apurou que o ex-senador do MDB Romero Jucá e o filho dele, o ex-deputado estadual pelo PSD Rodrigo Jucá, estão entre os investigados. Eles dizem, porém, que não foram objeto de decisão judicial, “seja de busca e apreensão ou entrega de documentos”.

Dos seis mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça Eleitoral de Roraima para a ação da PF, não houve diligência nas sedes locais dos partidos, mas nas residências dos supostos laranjas e de políticos que teriam sido beneficiados pelo esquema, além de uma empresa de consultoria e assessoria. Ninguém foi preso na operação.

As investigações tiveram início após constatação de que o PSD em Roraima —que recebeu recursos do próprio partido e do MDB, de quem era coligado— teve um índice de "custo de votos em reais” 20 vezes superior à média brasileira referente às candidatas a deputado federal ou estadual.

Apesar de não informar o número de investigados e os valores totais envolvidos, a PF afirma que identificou candidatas que, apesar dos recursos recebidos, obtiveram número insignificante de votos. Uma candidata laranja teria recebido, por exemplo quase R$ 105 mil e obtido apenas 9 votos.

A PF diz ainda que as candidatas seriam utilizadas para obter dinheiro do fundo eleitoral para o grupo criminoso, que destinava o mesmo recurso para os candidatos que de fato disputaram as eleições ou pagaram por serviços não executados e ainda para empresas de fachada.

As autorizações e execuções da transferência de recursos do fundo dependiam da presidência estadual dos partidos, assim como a escolha de candidatos e as prestações de contas dos mesmos.

O MDB de Roraima e Romero Jucá disseram repudiar com veemência as “alegações absurdas vazadas da Operação Títeres de que estariam agindo no intuito de desviar recursos do fundo eleitoral na campanha de 2018”. Eles dizem que o partido, o ex-senador e o filho dele não foram alvo de nenhuma medida na referida operação.

De acordo com a assessoria do partido, o MDB procedeu doação oficial a dezenas de candidatas e candidatos, cumprindo inclusive a destinação de 30% para a candidatura de mulheres, tendo sua prestação de contas aprovada pelo tribunal eleitoral.

O MDB diz ainda que doou a mais de 20 mulheres candidatas de diversos partidos na campanha eleitoral, e que “qualquer desvio ou irregularidade realizada por qualquer candidata deve ser apurada e punida com rigor”.

Frisou, no entanto, não ter ingerência sobre as escolhas de candidatos de outros partidos, que são responsáveis por escolher seus próprios candidatos, gastos e prestação de contas.

O PSD em Roraima afirma que as denúncias apresentadas se referem às eleições de 2018 e não existe nenhuma relação ou envolvimento com os atuais membros do diretório.

“É importante salientar que os integrantes da nova composição do PSD no estado tomaram posse na última convenção regional, realizada no mês de junho de 2019. Assim, assumiram em consonância com os princípios que fundamentam o partido”, diz em nota.

Neste ano, a Folha revelou em uma série de reportagens a existência de candidaturas de laranjas do PSL em Minas Gerais e em Pernambuco. 

Além do indiciamento do presidente da legenda, deputado federal Luciano Bivar (PSL-PE), o ministro do Turismo do governo Jair Bolsonaro, Marcelo Álvaro Antônio, foi denunciado pelo esquema em Minas.

Rachado com a ala do partido ligada a Bivar, Bolsonaro saiu do PSL no mês passado para tentar criar uma nova sigla, a Aliança pelo Brasil. 

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