Em meio a polêmica de vídeo anti-Congresso, Bolsonaro publica apoio de ex-palhaço Bozo

Escola de samba do Rio trouxe escultura de Bozo vestido de presidente

Brasília

Em um dia marcado por reações ao envio de mensagem com a convocação para atos contra o Congresso Nacional, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) divulgou nas redes sociais um vídeo de apoio feito pelo ex-comediante Wanderley Tribeck, que interpretou o palhaço Bozo na TV brasileira. 

Bolsonaro publicou um vídeo em que Tribeck —hoje um pastor evangélico e à época conhecido como Wandeko Pipoca— comenta o fato de alguns opositores do presidente se referirem a ele, de forma pejorativa, como Bozo. 

“As pessoas vêm chamando o presidente Bolsonaro de palhaço Bozo. Presta atenção, eu sou o primeiro Bozo do Brasil, eu fiz todo aquele sucesso nos anos 1980”, diz Tribeck no vídeo, para depois listar uma série de prêmios que recebeu por sua atuação de palhaço. 

“Portanto a esquerda está elogiando o nosso presidente quando chama ele de Bozo. Porque o Bozo conquistou uma legião de amigos. As crianças que hoje tem os seus 40, 45 anos amaram o Bozo e continuam amando”, acrescenta o ex-comediante. 

“O Bozo não fazia nada de maldade. Portanto, Bolsonaro, tenha orgulho quando te chamam de Bozo, porque estão te chamando de uma pessoa boa”, conclui. 

No sábado (22), a Acadêmicos Vigário Geral, escola do Grupo de Acesso do Rio de Janeiro, trouxe em seu desfile uma escultura do palhaço Bozo portando a faixa presidencial e fazendo arminha com a mão.

Bolsonaro enfrenta críticas nesta quarta-feira (26) por ter encaminhado a seus contatos no WhatsApp um vídeo que conclama a população a ir às ruas no dia 15 de março, quando está marcado um ato pró-governo e contra o Congresso.

A manifestação do dia 15 é uma reação à fala do ministro-chefe do GSI (Gabinete de Segurança Institucional), general Augusto Heleno, que chamou o Legislativo de "chantagista" na semana passada.

O ato estava previsto desde o final de janeiro, mas acabou mudando de pauta para apoio a Bolsonaro e encorpando insinuações autoritárias após Heleno atacar o Legislativo.

Foram diversas as reações nesta quarta ao conteúdo da convocação repassada por Bolsonaro a seus contatos. 

Pela manhã, o decano do STF (Supremo Tribunal Federal), ministro Celso de Mello, disse em nota à coluna Mônica Bergamo que, se confirmada a conclamação feita por Bolsonaro, ela revela “a face sombria de um presidente da República que desconhece o valor da ordem constitucional, que ignora o sentido fundamental da separação de Poderes, que demonstra uma visão indigna de quem não está à altura do altíssimo cargo que exerce e cujo ato de inequívoca hostilidade aos demais Poderes da República traduz gesto de ominoso desapreço e de inaceitável degradação do princípio democrático!!!”.

Sem citar Bolsonaro explicitamente, o ministro Gilmar Mendes divulgou no Twitter uma mensagem em defesa das instituições e da separação dos Poderes.

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), pediu por sua vez respeito às instituições democráticas
"Só a democracia é capaz de absorver sem violência as diferenças da sociedade e unir a nação pelo diálogo. Acima de tudo e de todos está o respeito às instituições democráticas", afirmou o parlamentar.

"Criar tensão institucional não ajuda o país a evoluir. Somos nós, autoridades, que temos de dar o exemplo de respeito às instituições e à ordem constitucional. O Brasil precisa de paz e responsabilidade para progredir", escreveu Maia em rede social.

Após a repercussão negativa do episódio, Bolsonaro escreveu no Twitter, também nesta quarta, que as interpretações sobre o compartilhamento do vídeo são “tentativas rasteiras de tumultuar a República”. Ele não negou que tenha encaminhado o vídeo a seus contatos.

“Tenho 35 milhões de seguidores em minhas mídias sociais (Facebook, Instagram, YouTube e Twitter) onde mantenho uma intensa agenda de notícias não divulgadas por parte da imprensa tradicional. Já no WhatsApp tenho algumas poucas dezenas de amigos onde, de forma reservada, trocamos mensagens de cunho pessoal”, escreveu o presidente.

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