Descrição de chapéu Legislativo Paulista

Grupo mais alinhado a Bolsonaro perde liderança do PSL na Assembleia de SP

Novo líder será Rodrigo Gambale, que venceu por 1 voto de diferença e é considerado mais próximo de Doria e de Bozzella

São Paulo

Por um voto de diferença, a ala dos deputados estaduais do PSL considerada mais ligada ao presidente Jair Bolsonaro perdeu a liderança da bancada na Assembleia Legislativa de São Paulo.

Nesta terça (11), por 8 votos a 7, incluindo o voto de Janaina Paschoal, Rodrigo Gambale foi eleito novo líder. Castello Branco, visto como mais bolsonarista entre os dois, até por ter carreira militar, foi o derrotado.

Gambale vai substituir Gil Diniz, que é o atual líder e é ligado à família Bolsonaro. Ele costuma defender o presidente na tribuna e fazer oposição ao governador João Doria (PSDB), postura que deve mudar com Gambale.

Reunião da bancada do PSL na Assembleia Legislativa de São Paulo
Reunião da bancada do PSL na Assembleia Legislativa de São Paulo - Reprodução/Facebook Rodrigo Gambale

O novo líder diz que não fará "oposição por oposição" ao tucano. Enquanto Gil tem perfil ideológico, Gambale tem fama de ponderado.

Em menor grau, a disputa na bancada sintetizou a divisão vista hoje no PSL, com parte dos parlamentares prontos para migrar para a Aliança pelo Brasil, novo partido de Bolsonaro

A diferença entre o racha visto em nível federal e a bancada da Assembleia paulista é que não há brigas e inimizades escancaradas. Pelo contrário, os deputados consultados pela reportagem dizem que a bancada terminou a votação unida.

Gil e a parte considerada mais ideológica e ligada ao bolsonarismo, que irá migrar para a Aliança, votou em Castello Branco. Deputados que ainda avaliam se permanecem no PSL apoiaram Gambale —mas não necessariamente são oposição a Bolsonaro.

O novo líder diz que apoia o governo federal. "Ninguém critica o Bolsonaro na nossa bancada. Eu concordo com a maneira como o Brasil está avançando. Não vejo essa divisão de alas na bancada", disse Gambale à Folha.

Questionado, porém, sobre preferência em relação ao PSL ou à Aliança, Gambale afirmou que "a política é dinâmica". "Eu fui eleito pelo PSL, estou no PSL e trabalho pelo PSL", disse.

Ao contrário de Gil, que tinha rusgas com a atual presidência do PSL em São Paulo, Gambale deve ter diálogo com o deputado federal Júnior Bozzella, aliado de Luciano Bivar. "Sou de conversa, de conciliação", diz Gambale.

A candidata de Bozzella, no entanto, era Janaina Paschoal. Até o último momento, o deputado esperava que ela fosse aclamada pela bancada mesmo sem ter se colocado na disputa.

Como mostrou a Folha, embora a deputada esteja em uma fase de articulação política e de aproximação com Bozzella, ela não se dispôs a assumir essa função de liderança partidária.

Para o governo Doria, também será um ganho, uma vez que Gambale é, entre os deputados do PSL, dos que mais votam a favor do tucano, enquanto Gil é dos que mais o criticam. 

"Eu quero que o estado e o Brasil deem certo. Não vou ser cego e alienado, mas também não vou fazer oposição por oposição", afirmou o novo líder.

Gil e outros deputados, como Major Mecca e Douglas Garcia, no entanto, devem manter a postura crítica ao governador. 

Douglas, que votou em Castello Branco e é dos mais alinhados a Bolsonaro, concorda que a bancada estadual não está rachada e faz elogios a Gambale.

Segundo Douglas, quem votou em Gambale também apoia Bolsonaro. O deputado diz que, quando a Aliança sair do papel, metade da bancada deve abandonar o PSL, mas que os deputados não querem adiantar essa divisão. 

"A Aliança nem está pronta então não faz sentido a gente se dividir entre Aliança e PSL. A gente é única e exclusivamente, hoje aqui, PSL", afirma. 

Douglas é militante e faz parte do grupo Movimento Conservador, que recolhe assinaturas para a criação da Aliança.

O deputado também relativiza o alinhamento de Gambale a Doria, lembrando que boa parte da bancada, mesmo os bolsonaristas, vota a favor do tucano em pautas de economia, como privatizações.

Janaina Paschoal também exaltou a união da bancada pelo Twitter e afirmou que "o resto é intriga". 

A Folha apurou, porém, que a ala ligada a Gil esperava vencer e ficou frustrada com a derrota, embora não tenha externado o descontentamento.

Assim como Gil, Gambale deve manter a prática de liberar a bancada para cada um votar como bem entender, sem indicar voto sim ou não em cada tema. Isso faz com que a votação seja, em geral, bastante diversa entre os deputados.

O processo de escolha do novo líder do PSL começou na semana passada e quatro deputados chegaram a se apresentar para a disputa. O clima na bancada, porém, era de tentar manter a paz entre os adeptos do PSL e os simpáticos à Aliança.

Os nomes que disputaram, incluindo os deputados Coronel Nishikawa e Adalberto Freitas, são considerados conciliadores, que conseguiriam transitar entre os dois grupos.

Investigado após um ex-assessor denunciar a prática de "rachadinha" em seu gabinete, Gil já deixaria a liderança em 2020, após um ano no cargo, conforme acordo da bancada.

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