Insultos a repórter da Folha são condenados por líderes do Congresso e entidades; veja

Patrícia Campos Mello foi alvo de ofensas repercutidas nas redes sociais pelo deputado Eduardo Bolsonaro

São Paulo

As manifestações contra os ataques à repórter da Folha Patrícia Campos Mello incluem desde líderes do Congresso a entidades da sociedade civil, de imprensa e defesa dos direitos humanos.

Em depoimento prestado na terça-feira (11) à CPMI das Fake News no Congresso, Hans River do Rio Nascimento, um ex-funcionário de uma agência de disparos de mensagens em massa por WhatsApp, mentiu e insultou a jornalista.

Sem apresentar provas, ele afirmou que Campos Mello queria “um determinado tipo de matéria a troco de sexo”, declaração repercutida pelo deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) durante o depoimento e nas redes sociais.

Ex-funcionário de empresa de disparos em massa, Hans Nascimento (à dir.) presta depoimento nesta terça (11) na CPMI das Fake News - Jane de Araújo/Agência Senado

Hans, que foi consultado pela jornalista na época da reportagem, disse ainda que não havia encaminhado documentos para a repórter e afirmou não saber como o jornal acessou um processo que é público. A Folha desmentiu as acusações.

Veja abaixo algumas das manifestações contra os ataques à jornalista.

Instituto Brasil Mais Plural
"Indignados com a mentirosa e covarde agressão de que foi vítima a jornalista Patrícia Campos Mello, os cidadãos brasileiros que esta assinam vem prestar-lhe irrestrita solidariedade. Independente do fato de ser uma das mais brilhantes e respeitadas em sua área de trabalho, é intolerável que a mentira, a discriminação e a misoginia sejam usadas como armas para atacar a liberdade de consciência, a liberdade de informação, a igualdade e o direito à honra, atributos garantidos a todos e a todas na Constituição de 1988. Ao mesmo tempo, apelamos ao presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia, para que tome providências exemplares para conter episódios como esse, em que ódio e falsidade tentam turvar o sadio combate democrático de ideias."

Roberto Livianu, procurador de Justiça do MP-SP e presidente do Instituto Não Aceito Corrupção
"O ataque repulsivo e inaceitável à jornalista Patrícia Campos Mello é verdadeira agressão ao gênero feminino, ao direito à informação e ao próprio Estado democrático de Direito, que merece rigorosa punição. Externo meu repúdio além da total e irrestrita solidariedade."

ABI (Associação Brasileira de Imprensa)
"A grosseria de que foi alvo a jornalista Patrícia Campos Mello está relacionada com dois fenômenos: os contínuos ataques à imprensa e aos jornalistas em geral e a multiplicação de comportamentos cafajestes. Esses dois fenômenos têm sido estimulados por algumas das mais altas autoridades da República."

Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo)
"É assustador que um agente público use seu canal de comunicação para atacar jornalistas cujas reportagens trazem informações que o desagradam, sobretudo apelando ao machismo e à misoginia. É mais uma ocasião em que integrantes da família Bolsonaro, em lugar de oferecer explicações à sociedade, tentam desacreditar o trabalho da imprensa."

Fenaj (Federação Nacional dos Jornalistas) e Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de SP
"A Federação e o Sindicato repudiam, ainda, o caráter misógino, violento e sexista do ataque à profissional jornalista, utilizado para colocar em dúvida a credibilidade das informações apuradas por Patrícia, uma das profissionais mais respeitadas e premiadas do país. O ataque atinge não só a repórter da Folha, mas também os princípios democráticos, constitucionais e a liberdade de imprensa."

ANJ (Associação Nacional de Jornais)
"A tentativa de intimidar e deslegitimar o jornalismo profissional é uma das práticas típicas de autocracias. É lamentável que um depoimento em CPI repleto de inverdades seja usado para atacar a honra de uma repórter que fez o seu trabalho de trazer à luz práticas eleitorais questionáveis."

OAB (Ordem dos Advogados do Brasil)
"O Observatório da Liberdade de Imprensa da OAB – Ordem dos Advogados do Brasil vem prestar irrestrito apoio a Patrícia Campos Mello, objeto de ataques e insinuações agressivas em comissão parlamentar de inquérito. O uso de difamação para afetar a imagem de uma profissional de comunicação que incomoda justamente por sua competência merece repúdio das instituições que prezam a liberdade de expressão e de informação."

ACE (Associação dos Correspondentes Estrangeiros)
"A ACE considera um ato de extrema covardia e violência contra o trabalho da repórter Campos Mello, não só a ratificação das ofensas, mas o estímulo à perseguição e o linchamento da jornalista na internet."

Natalie Southwick, do CPJ (Comitê para a Proteção dos Jornalistas)
"É profundamente irônico que uma audiência no Congresso para investigar as chamadas notícias falsas no Brasil tenha sido usada para iniciar uma campanha online que divulga falsas acusações e difamações contra uma jornalista (...) Esse assédio direcionado mostra até que ponto alguns brasileiros estão dispostos a desacreditar repórteres investigativos como Patrícia Campos Mello, e como as repórteres enfrentam barreiras e ameaças adicionais ao seu trabalho".

Rodrigo Maia (DEM-RJ), presidente da Câmara dos Deputados
"Dar falso testemunho numa comissão do Congresso é crime. Atacar a imprensa com acusações falsas de caráter sexual é baixaria com características de difamação. Falso testemunho, difamação e sexismo têm de ser punidos no rigor da lei."

Major Olímpio (PSL-SP), líder do partido no Senado
"Em uma comissão parlamentar de inquérito, e estando sob juramento, qualquer cidadão tem que dizer a verdade, sob pena de cometer crime. Acusações sobre a honra, a conduta profissional e moral da jornalista, ao meu ver, caracterizam crime. Independentemente do resultado da CPI, foram praticados crimes contra a honra e, eventualmente, com participação e/ou couautoria de parlamentares."

Simone Tebet (MDB-MS), presidente da Comissão de Constituição e Justiça do Senado
"A impunidade é a mãe dos ataques à reputação das mulheres. Se não combatermos os ataques verbais com rigor, a misoginia sai do discurso e empunha a arma da violência física e do feminicídio."

Kátia Abreu (PDT-TO), senadora
"A jornalista Patrícia Campos Mello tem minha total solidariedade diante da cena vulgar e criminosa assistida por todo Brasil ontem na CPI da Fake News. A competência da mulher combatida com crueldade. Salve Patrícia!"

Romero Jucá, ex-senador (MDB-RR)
"A minha irrestrita solidariedade a jornalista Patrícia Campos Mello, vítima de agressão torpe durante depoimento de um cretino em CPI da Câmara. A luta das mulheres jornalistas deve ser apoiada por mulheres e homens que amam a liberdade e a verdade."

José Carlos Dias, ex-ministro da Justiça e presidente da Comissão Arns de Direitos Humanos
“Num único gesto houve agressão covarde ao direito à informação e à dignidade das mulheres."

Jandira Feghali (PC do B-RJ), líder da minoria na Câmara dos Deputados
"@folha e @camposmello, não permitam que fiquem impunes. Atacam a imprensa para atacar a democracia."

Beth Sahão (PT-SP), deputada estadual
"Em nome da Frente Parlamentar em Defesa da Mulher da Assembleia Legislativa de São Paulo, repudiamos com veemência estes ataques que não atingem só a Patrícia Campos Mello, mas a todas as mulheres e ao nosso direito de trabalhar. Não vamos admitir que se tente calar vozes femininas disseminando mentiras e propagando antigos e odiosos estigmas de cunho machista." 

José Luiz Datena, apresentador da Band
"Durante o depoimento o ex-funcionário mentiu e insultou uma jornalista premiada para caramba, a Patrícia Campos Mello, da Folha de S.Paulo. Isso é de uma calhordice que não tem tamanho."

TV Cultura
"Os ataques à jornalista, proferidos em pleno Congresso Nacional, evidenciam uma tentativa de intimidação dirigida não somente a ela, mas a todos os profissionais compromissados com a prática democrática do jornalismo independente —agravada por acintoso e repugnante machismo, que ofende todas as mulheres que, a exemplo da Patrícia Campos Mello, exercem suas atividades profissionais com dignidade."

Movimento Livres
"O movimento Livres manifesta-se em solidariedade à jornalista Patrícia Campos Mello, da Folha de S.Paulo e repudia os ataques e insultos proferidos por Hans River do Rio Nascimento, ex-funcionário da Yacows, durante a CPMI das Fake News. Patrícia Campos Mello foi a responsável por revelar que empresas estariam enviando mensagens em massa pelo WhatsApp durante as eleições de 2018. Entre as empresas envolvidas na prática, que é ilegal, está justamente a Yacows. O direito da jornalista de trabalhar e informar não pode sofrer tentativas de silêncio por ofensas e tentativas de censura. Não é um caso isolado."

Pacto pela Democracia
"Sem nenhuma evidência ou compromisso com a verdade, o depoente fez sérias acusações contra a jornalista, gerando uma onda de ofensas em seus perfis nas redes sociais que tentaram ferir suas imagens pessoal e profissional. O ataque soma-se aos recorrentes casos de intimidação e agressão a veículos de imprensa e jornalistas, ferindo o princípio constitucional de liberdade de imprensa e expressão. Trata-se ainda de uma tentativa de desmoralização à instituição da CPMI, instância relevante para a investigação de crimes e escândalos no Brasil."

Instituto Patrícia Galvão
"Organizações de mulheres e de defesa da liberdade de expressão e imprensa e dos direitos humanos reforçam apoio à jornalista Patrícia Campos Mello e exigem resposta do Congresso Federal perante o ataque discriminatório realizado em um espaço institucional da Casa —exatamente em uma CPMI instaurada para apurar notícias falsas usadas com fins eleitorais."

Jornalistas Livres
"Ontem [terça-feira, 11], o Brasil viu estarrecido a escalada de um novo patamar nas mentiras, baixarias, calúnias e difamações, apoiadas e divulgadas pelo governo, contra uma jornalista e, portanto, contra toda a imprensa séria nacional. Patrícia Campos Mello foi alvo, em pleno Senado da República, não somente de mentiras sobre sua atuação profissional impecável no caso, mas também de calúnias de conteúdo sexual, o que demonstra, mais uma vez com fatos, que esse governo não apenas é fascista e mentiroso, como também machista e misógino. A Patrícia, toda a nossa solidariedade e apoio, tanto pessoal como profissional."

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