PMs despontam como núcleo de oposição a PT e a Cid e Ciro Gomes no Ceará

Senador licenciado do PDT foi baleado em ato de policiais no interior do estado nesta quarta

Salvador e São Paulo

O principal núcleo de oposição aos irmãos Gomes e ao governo petista no Ceará é formado por policiais e seus apoiadores.

O senador licenciado Cid Gomes (PDT), ex-governador e uma das principais lideranças políticas do estado, foi baleado nesta quarta-feira (19), em Sobral (a 270 km de Fortaleza), ao avançar com uma retroescavadeira contra o portão de um quartel tomado por policiais militares que fazem motim por reajuste salarial. Ele não corre risco de morte.

No estado, a estrela em ascensão na oposição aos Gomes e ao governador Camilo Santana (PT) é o deputado federal Capitão Wagner (Pros), que entre 2011 e 2012 liderou um motim de seis dias da Polícia Militar.

Ele foi o mais votado no estado na eleição de 2018, com mais de 303 mil votos.

O deputado federal Capitão Wagner durante a campanha eleitoral de 2016
O deputado federal Capitão Wagner durante a campanha eleitoral de 2016 - Divulgação

Iniciada em 29 de dezembro de 2011, a mobilização foi marcada por episódios de arrastões, assaltos e depredação do patrimônio público. Motociclistas armados foram às ruas para assaltar supermercados. A Força Nacional de Segurança foi enviada ao estado.

Desde então, Wagner, 41, teve ascensão meteórica na política local: elegeu-se vereador em 2012, deputado estadual em 2014 e federal em 2018. Em 2016, foi ao segundo turno na eleição à Prefeitura de Fortaleza, pelo Partido da República, e neste ano desponta como favorito para o cargo. 

Hoje, a prefeitura da capital é comandada pelo PDT de Ciro e Cid Gomes, com Roberto Cláudio, mas ele está em segundo mandato. Ainda não há um nome de consenso entre governistas para a disputa.

No início do mês, o deputado federal se pronunciou na Câmara sobre a reivindicação dos PMs: "O governador anuncia um reajuste de 2,5%. Depois de cinco anos sem dar qualquer reajuste, 2,5%, cerca de R$ 100. É o reajuste que ele vai dar aos policias como prêmio por toda a dedicação. Lamento".

Em 2014, Wagner foi acusado pelo então governador Cid de "controlar uma milícia" na Polícia Militar e de prender rivais para influenciar resultados nas urnas. Na época, ele negou as acusações e disse que o governador usava a máquina pública para eleger seus aliados. 

Embora tenha declarado apoio a Jair Bolsonaro, hoje ele é crítico a medidas do governo federal, como a reforma da Previdência.

Outro opositor local é o ex-deputado federal Cabo Sabino (Avante), eleito em 2014 também na esteira da greve dos policiais de 2012. Ele foi um dos principais incentivadores da nova paralisação dos policiais neste ano, gravando vídeos conclamando que os policias abandonassem viaturas e quartéis.

O deputado estadual André Fernandes (PSL) é outro nome em ascensão com forte base eleitoral entre policiais. Youtuber, o deputado de 22 anos ganhou notoriedade com seus vídeos em defesa de Jair Bolsonaro e foi o mais votado em 2018.

Fernandes, que havia publicado nesta quarta foto de encontro com Bolsonaro em Brasília, comentou o episódio envolvendo o senador licenciado: "Cid Gomes tentando atropelar dezenas de policiais e mulheres com um trator, só comprova o quão é destemperado e sem postura. Policiais que atiraram agiram em legítima defesa. Cid precisa saber que não é o homem de ferro. No mais, espero que o senador fique bem."

O grupo político dos irmãos Gomes está no poder no Ceará desde 2007. Cid foi governador até 2014 e transmitiu o cargo a Camilo Santana, seu aliado nas últimas eleições.

Ivo Gomes, irmão mais novo da dupla, é prefeito de Sobral, berço dos Gomes, desde 2017.

Em 2018, Santana foi reeleito em primeiro turno com quase 80% dos votos válidos ao formar uma coligação com o apoio de 16 partidos —em que pese não ter apoiado Ciro Gomes no plano nacional.

Adversários tradicionais deles, como o senador Tasso Jereissati (PSDB) e o ex-senador Eunício Oliveira (MDB), perderam espaço na política local. O primeiro vem se reaproximando dos irmãos Ferreira Gomes e desde o ano passado vem fazendo elogios públicos ao governador Camilo Santana. Já o segundo perdeu força ao não conseguir se reeleger senador.

Cid, o mais votado ao Senado, bateu boca com simpatizantes petistas em evento no segundo turno da campanha de 2018, ao defender que o PT pedisse desculpas por erros quando esteve no poder. "O Lula tá preso, babaca", disse, em discurso.

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