Bolsonaro ataca a Folha e diz que passeio por comércio de Brasília não foi um passeio

Passeio de Bolsonaro no domingo gerou aglomeração de pessoas no momento em que a OMS e o próprio ministério recomendam isolamento social

Brasília

O presidente Jair Bolsonaro disse nesta segunda-feira (30) que o tour feito por ele um dia antes por diferentes pontos do comércio de Brasília não foi um "passeio".

O presidente Jair Bolsonaro cumprimenta apoiadores e fala com a imprensa ao sair do Palácio da Alvorada
O presidente Jair Bolsonaro cumprimenta apoiadores e fala com a imprensa ao sair do Palácio da Alvorada - Pedro Ladeira/Folhapress

O passeio de Bolsonaro no domingo (29) gerou aglomeração de pessoas no momento em que a OMS (Organização Mundial da Saúde) e o próprio Ministério da Saúde recomendam isolamento social para evitar o contágio do novo coronavírus.

Bolsonaro falou com funcionários de supermercados e padarias e com vendedores autônomos. Ao retornar ao Palácio da Alvorada, ainda no domingo, disse estar com "vontade" de fazer um decreto para liberar todas as atividades.

Esse movimento do presidente frustrou uma ação coordenada entre líderes políticos, membros do Judiciário, ministros de Estado e alguns militares para cobrar de Bolsonaro uma defesa efetiva das ações do Ministério da Saúde diante do avanço da doença e uma espécie de voto de silêncio dele e da família.

Aliados do presidente afirmaram que Bolsonaro ficou irritado por ter saído da conversa como se tivesse sido "domado" pelos ministros.

Bolsonaro faz giro por comércio de Brasília no último domingo (29)
Bolsonaro faz giro por comércio de Brasília no último domingo (29) - Folhapress

Nesta segunda-feira, em entrevista em frente ao Palácio do Alvorada, ele mais uma vez atacou a Folha, por ter chamado de passeio o giro que ele fez por diferentes pontos de Brasília. "Folha de S. Paulo, não fui passear não. Uma imprensa que não tem caráter não podia agir de outra maneira", afirmou.

"Não fui passear, não. Fui ver o povo. Vocês também estão todos aqui amontoados também. Vocês estão aqui porque precisam trabalhar? Sim, levar informação, imprensa sadia. Mas também se vocês não vierem trabalhar, não vão ter salário. Aquele povo que está na informalidade, 38 milhões, grande parte já perdeu seus empregos, não tem o que levar mais para casa", disse.

"Quem me acompanhou e não traiu a sua responsabilidade jornalística de transmitir a verdade viu. Uma senhora com nove dependentes em casa não tem mais nada o que levar para seus filhos", disse.

O giro de Bolsonaro ocorreu um dia após o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, ter reforçado a importância do distanciamento social à população nesta etapa da pandemia do coronavírus.​

Em Ceilândia, por exemplo, Bolsonaro conversou com vendedores como um assador de churrasco em espetinhos e defendeu sua visão de o comércio ficar aberto.

Enquanto se movia de um ponto a outro, Bolsonaro ouviu manifestações como “mito” e “estamos juntos” e posou para fotos com pessoas. Após uma mulher pedir a reabertura de templos, falou que vai recorrer da decisão da Justiça que barrou na semana passada os efeitos de seu decreto que liberava igrejas e casas lotéricas de funcionar. ​

À noite, em entrevista ao apresentador Sikêra Júnior, da RedeTV!, Bolsonaro voltou a atacar a Folha.

Segundo ele, é "falta de caráter" chamar seu tour por diferentes localidades do Distrito Federal de passeio.
"Fui para ver o povo. Sentir e falar, eu fui lá", declarou o presidente.

Ele disse que conversou com pessoas na rua, que lhe relataram um cenário de dificuldades com a redução da atividade econômica.

"Conversei com o povo na rua. Alguns poucos estavam tentando sobreviver. Esse pessoal equivale a 38 milhões de pessoas no Brasil. E devemos nos preocupar com eles", disse.

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