Descrição de chapéu Coronavírus

Crise política sob Bolsonaro completa 4 meses na pandemia; confira a evolução dos embates

Tensão se dividiu entre atritos com outros Poderes, embates com governadores, conflitos com ministros e menosprezo ao coronavírus; presidente entrou em relativa fase 'paz e amor' nas últimas semanas

São Paulo

Iniciada há quatro meses, a crise política em meio à pandemia do novo coronavírus rapidamente se dividiu em diversas frentes.

Nesse período, o governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) enfrentou atritos com o Judiciário e com o Congresso, embates com governadores por causa de medidas de contenção da doença e crises com ministros. Além disso, gestos de menosprezo à pandemia por parte do chefe do Executivo foram praticamente diários. Na última semana, Bolsonaro anunciou ter contraído o vírus.

A relação com o STF (Supremo Tribunal Federal) tem sido uma das mais turbulentas. No tribunal, correm investigações que ameaçam aliados e a família do presidente, a exemplo dos inquéritos das fake news e dos atos antidemocráticos.

Na relação com os ministros, destacam-se duas demissões: Sergio Moro (Justiça) e Luiz Henrique Mandetta (Saúde). O ex-juiz deixou o cargo acusando Bolsonaro de tentar interferir na Polícia Federal, o que gerou uma investigação própria. Já a pasta responsável por coordenador o combate à Covid-19 segue com um chefe interino, o general Eduardo Pazuello, que assumiu em maio após a breve passagem de Nelson Teich.

Nas últimas duas semanas de junho, após a prisão de seu amigo Fabricio Queiroz, suspeito de coordenar um esquema de "rachadinha" no gabinete de Flávio Bolsonaro na Assembleia do Rio, Bolsonaro entrou numa fase "paz e amor", com gestos de pacificação dirigidos ao STF e ao Congresso.

Relembre, a seguir, a cronologia dos episódios decisivos da crise política em meio à pandemia.

Manifestação em Brasília (15.mar)
Jair Bolsonaro ignora instrução da equipe médica da Presidência de evitar aglomerações e participa de protesto em Brasília a favor do governo e contra o Congresso e o Supremo Tribunal Federal.

Três dias antes, o próprio presidente havia desestimulado a realização dos atos. "Uma das ideias é adiar, suspender, adiar. Daqui a um mês, dois meses, se faz", disse o presidente, diante do avanço do coronavírus. Além disso, ele havia realizado teste para coronavírus após a revelação de que o secretário Fabio Wajngarten (Comunicação) tinha contraído a doença durante viagem oficial aos EUA.

Mesmo com a orientação da equipe médica, o presidente toca e tira fotos com os apoiadores, muitos deles idosos, considerados grupo de risco para o vírus. O gesto é classificado como “irresponsável” por congressistas e adversários políticos, incluindo o governador João Doria (PSDB-SP).

Histeria e protesto antecipado (17.mar)
Pela manhã, Bolsonaro minimiza a doença, dizendo que “esse vírus trouxe uma certa histeria”. À noite, é alvo de um panelaço antecipado (manifestação havia sido convocada para o dia seguinte). Foram registrados atos em São Paulo, Belo Horizonte, Porto Alegre e Brasília.

No mesmo dia, sob o desgaste de ter participado das manifestações, posta em rede social: “Informo que meu 2° teste para COVID-19 deu NEGATIVO. Boa noite a todos”.

Panelaços pelo país (18.mar)
Em entrevista no começo da noite, o presidente muda o tom de seu discurso e afirma que a pandemia “é grave e é preocupante”. Também faz aceno aos presidentes da Câmara e do Senado.

No mesmo momento, as panelas soam novamente pelo país, o que viraria rotina nos dias seguintes. Na Vila Buarque, no centro de São Paulo, uma projeção ironiza Bolsonaro: “É só uma gripe kkkk”.

Embate com governadores (20.mar)
O presidente volta a minimizar a gravidade da doença. Vestindo máscara cirúrgica, diz que “depois da facada, não vai ser uma gripezinha que vai me derrubar, não”. À época, mais de 20 integrantes da comitiva presidencial que viajaram aos EUA no começo do mês tinham contraído a doença.

Bolsonaro também critica governadores que tomaram medidas para isolar seus estados em meio ao avanço da pandemia, como Wilson Wiltzel (PSC), que havia mandado fechar as divisas do Rio. “Tem certos governadores que estão tomando medidas extremas que não competem a eles, como fechar aeroportos, rodovias, shoppings e feiras”, disse o presidente.

Doria reage a Bolsonaro: “Nós estamos fazendo aquilo que ele não faz”.

Novas críticas a Doria e Witzel (21.mar)
Bolsonaro retoma ataque contra Witzel e Doria, dois de seus maiores críticos durante a crise de saúde e potenciais candidatos à Presidência em 2022. “As eleições de 2022 ainda estão longe”, disse à rede CNN.

Em São Paulo, Doria havia acabado de anunciar quarentena por 15 dias no estado, com fechamento obrigatório de lojas, bares e restaurantes. Indagado sobre a medida, o presidente afirma: “[Doria] é um lunático. Está fazendo política em cima deste caso”.

Ataques à imprensa (22.mar)
A imprensa, segundo o presidente, passa a fazer parte da lista de adversários durante a administração da pandemia. Em entrevista, ele coloca mídia e governadores de um lado, e a população, do outro.

“Brevemente o povo saberá que foi enganado por esses governadores e por grande parte da mídia nessa questão do coronavírus”, afirma à TV Record.

Pronunciamento e isolamento (24.mar)
A crise cresce com pronunciamento em rede nacional em que o presidente afirma que o país deveria voltar à “normalidade”, em referência às quarentenas impostas em diversos estados.

Bolsonaro questiona ainda o fechamento das escolas pelo Brasil, diz que governadores precisam “abandonar o conceito de terra arrasada” e volta a menosprezar a Covid-19, chamando-a de “gripezinha” e “resfriadinho”. O discurso é alvo de críticas por todos os lados, e o presidente fica cada vez mais isolado.

Discussão com Doria (25.mar)
Bolsonaro e Doria têm o primeiro embate direto desde o início da crise. Durante reunião por videoconferência entre o presidente e os governadores do Sudeste, o tucano, sem alterar a voz, pede “serenidade, calma e equilíbrio” ao chefe do Executivo, que responde aos berros.

“Não aceito em hipótese nenhuma essas palavras levianas, como se Vossa Excelência fosse o responsável por tudo o que acontece de bom no Brasil”, afirma o presidente.

Isolamento vertical (25.mar)
Bolsonaro defende o que chama de "isolamento vertical", que consistiria em isolar apenas aqueles que estiverem em grupos de risco: idosos e portadores de doenças como hipertensão e diabetes sem controle. O tópico vira uma das obsessões do chefe do Executivo.

Esgoto (26.mar)
O presidente volta a menosprezar a pandemia ao dizer que o país não “vai chegar” ao número de infectados dos EUA (no mesmo dia, as autoridades já contabilizavam mais de 83 mil americanos com a doença).

Para Bolsonaro, o brasileiro “não pega nada”. “Você vê o cara pulando em esgoto ali. Ele sai, mergulha e não acontece nada com ele.”

À noite, passa a incentivar manifestações contra decisões de estados e municípios que determinaram o fechamento do comércio. Bolsonaro posta vídeo que mostra a frase “o povo quer trabalhar”, junto com imagens de carros em carreata na cidade de Balneário Camboriú (SC)​.

Atividades religiosas (26.mar)
Bolsonaro atualiza decreto que lista atividades essenciais que não podem ser interrompidos durante a crise de saúde. Ele acrescenta atividades religiosas e casas lotéricas.

Um dia depois, a Justiça Federal suspende a validade do decreto e proíbe o governo federal de adotar medidas contrárias ao isolamento social.

Carreatas de apoio (27.mar)
Protestos organizados por bolsonaristas pedem o fim do isolamento no país. Os atos se repetem no domingo (29) em algumas cidades. Em todas elas os manifestantes que pedem a reabertura do comércio permacem isolados dentro de seus respectivos carros.

Campanha anticonfinamento (28.mar)
Em decisão liminar, a Justiça Federal no Rio de Janeiro impede o governo de veicular campanha anticonfinamento "O Brasil não pode parar", defendida por Bolsonaro. Na decisão, a juíza Laura Bastos Carvalho também determina que o governo não deve publicar qualquer outro material que sugira à população comportamentos que não estejam embasados em diretrizes técnicas.

Passeio por Brasília e post apagado (29.mar)
Ignorando orientações do próprio ministro da Saúde, o presidente sai de carro para visitar pontos do comércio local, provocando aglomeração. O comboio passa por estabelecimentos na Asa Norte e Sudoeste, além de Ceilândia e Taguatinga (cidades-satélite de Brasília).

Bolsonaro fala com funcionários de supermercados e padarias e com vendedores e diz ter "vontade" de editar um decreto para liberar a população para voltar ao trabalho em todo o país.

À noite, o Twitter apaga, pela primeira vez, postagens do presidente na rede —vídeos do tour que ele havia feito mais cedo. A empresa considerou que o conteúdo violava as regras de uso ao potencialmente colocar as pessoas em maior risco de transmitir o vírus.

Facebook deleta publicação (30.mar)
Após o Twitter, o Facebook também decide apagar publicação do presidente de suas plataformas, por entender que ela cria "desinformação" que pode "causar danos reais às pessoas". A postagem é de um dos vídeos do passeio que o presidente fez no dia anterior.

O governo também coloca em prática um plano para reduzir a visibilidade de Luiz Henrique Mandetta, então à frente da Saúde, na divulgação de dados da pandemia no país, em meio às divergências do ministro com a posição do presidente.

A apresentação diária da Saúde, que costumava ser técnica e apenas com a cúpula da pasta, passou a contar com outros ministros, incluindo Walter Braga Netto (Casa Civil), próximo de Bolsonaro.

Braga Netto nega que as mudanças no formato da apresentação dos dados tenham como pano de fundo problemas políticos e diz que Mandetta não será demitido do cargo.

Novo pronunciamento (31.mar)
Em seu quarto pronunciamento sobre a crise do novo coronavírus, Bolsonaro deixa as ironias de lado e pede um pacto nacional para o enfrentamento à pandemia.

O presidente volta a usar declarações do diretor-geral da OMS (Organização Mundial da Saúde), Tedros Adhanom Ghebreyesus, para sustentar tese que equipara o salvamento de vidas ao de empregos.

Crítica a medidas de isolamento (1º.abr)
Menos de 12 horas após ter ido à televisão propor um pacto a governadores e prefeitos, Bolsonaro volta a criticá-los pelas redes sociais, mais uma vez colocando em xeque as medidas de isolamento social.

Pela manhã, compartilha vídeo em que um homem aparece na Ceasa (Central de Abastecimento) de Belo Horizonte e relata situação de desabastecimento. Acompanhando a filmagem, o presidente posta três frases: "Não é um desentendimento entre o Presidente e ALGUNS governadores e ALGUNS prefeitos..", diz. "São fatos e realidades que devem ser mostradas", prossegue. "Depois da destruição não interessa mostrar culpados."

No final da manhã, a assessoria da Ceasa informa que não havia desabastecimento e que o movimento estava normal. O presidente apaga publicação e pede desculpas por ter compartilhado o vídeo sem checar.

Embate com Mandetta (2.abr)
Bolsonaro afirma estar "faltando humildade" ao então ministro da Saúde e diz que gostaria de determinar a reabertura da atividade comercial no país, mas admite não ter apoio popular suficiente para dar uma "canetada".

"O Mandetta quer fazer muito a vontade dele. Pode ser que ele esteja certo. Pode ser. Mas está faltando um pouco mais de humildade para ele, para conduzir o Brasil neste momento difícil que encontramos e que precisamos dele para vencer essa batalha”​, afirma em entrevista à Jovem Pan.

Mais tarde, o ministro diz à Folha que não comenta as ações do presidente. "Não comento o que o presidente da República fala. Ele tem mandato popular, e quem tem mandato popular fala, e quem não tem, como eu, trabalha."

Pesquisa Datafolha (3.abr)
Levantamento do Datafolha mostra que a aprovação da condução da crise pelo Ministério da Saúde é mais que o dobro da registrada por Bolsonaro. A pesquisa foi realizada de quarta (1º) a sexta (3).

Na rodada anterior, feita de 18 a 20 de março, a pasta conduzida na época por Mandetta tinha uma aprovação de 55%. No início de abril, o número salta para 76%, enquanto a reprovação cai de 12% para 5%. Vai de 31% para 18% o número daqueles que veem um trabalho regular da Saúde.

Já o presidente vê sua reprovação na emergência sanitária subir de 33% para 39%. A aprovação se mantém estável (33% ante 35%), assim como a avaliação regular (26% para 25%).

Mandetta evita polemizar o resultado. "Não, isso não tem nada a ver com a minha performance, nada a ver com o presidente. Nós estamos falando de instinto. Isso é o instinto de preservação da vida", disse, em entrevista a jornalistas.

Ameaça de demissão (5.abr)
Sem citar nomes, Bolsonaro diz que integrantes de seu governo "viraram estrelas" e que a hora deles vai chegar. Em uma ameaça velada de demiti-los, afirma não ter "medo de usar a caneta"

"Não tenho medo de usar a caneta, nem pavor. E ela vai ser usada para o bem do Brasil. Não é para o meu bem. Nada pessoal meu", diz.

Novo passeio por Brasília (10.abr)
Na Sexta-Feira Santa, Bolsonaro é cercado por moradores durante novo passeio por Brasília.

Antes de entrar no carro, ignora orientações sanitárias e, sem demonstrar nenhuma preocupação com a crise do coronavírus, primeiro coça o nariz com o dorso da mão direita e, segundos depois, passa a cumprimentar uma idosa e outros apoiadores.

Aglomeração em obra de hospital em Goiás (11.abr)
Ao visitar obra de um hospital de campanha em Águas Lindas de Goiás, Bolsonaro volta a provocar aglomeração. A instalação seria inaugurada em 5 de junho, após sofrer com a burocracia imposta pelo próprio governo federal.

Na ocasião, ao descer do helicóptero, o presidente sobe em um barranco e vai até um grupo próximo a um cordão de isolamento. Em seguida, aproxima-se do governador de Goiás, Ronaldo Caiado (DEM), e brinca com o político, que estende um frasco de álcool em gel ao presidente.

Depois da visita, à qual a imprensa não teve acesso, Bolsonaro vai até outros focos de aglomeração e retira a máscara enquanto cumprimenta os simpatizantes.

O ministro ou o presidente? (12.abr)
O então ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta diz que o brasileiro não sabe se escuta ele ou o presidente e alerta que os meses de maio e junho serão os mais duros da crise. Ao ser questionado sobre a divergência de opiniões entre ele e o presidente, Mandetta pede um alinhamento de discurso para evitar "dubiedade".

"Espero que essa validação dos diferentes modelos de enfrentamento dessa situação possa ser comum e que a gente possa ter uma fala única, uma fala unificada. Porque isso leva para o brasileiro uma dubiedade. Ele não sabe se escuta o ministro da saúde, se escuta o presidente, quem é que ele escuta", diz, em entrevista ao Fantástico, da Rede Globo.

Autonomia de estados e municípios (15.abr)
O STF (Supremo Tribunal Federal) decide por unanimidade que estados e municípios têm autonomia para determinar o isolamento social em meio à pandemia do coronavírus. Os nove ministros que votaram defendem que prefeitos e governadores têm competência concorrente em matéria de saúde pública e, portanto, podem regulamentar a quarentena. A maioria permite ainda que os entes da federação decidam quais são os serviços essenciais que podem funcionar durante a crise.

Demissão de Mandetta (16.abr)
O ministro Luiz Henrique Mandetta é demitido por Jair Bolsonaro, após um longo processo de embate entre eles diante das ações de combate ao coronavírus. O presidente anuncia o oncologista Nelson Teich no lugar de Mandetta, que confirmou sua demissão por meio de sua conta no Twitter.

Posse de Nelson Teich (16.abr)
Nelson Teich toma posse e afirma estar alinhado a Bolsonaro, mas poucas semanas depois de assumir o cargo, o então ministro é surpreendido por uma decisão do presidente. Sem aviso, Bolsonaro incluiu as academias esportivas, salões de beleza e barbearias entre os serviços considerados essenciais durante a pandemia.

Dois dias antes de completar um mês no cargo, o oncologista pede demissão, em maio, após ser pressionado para ampliar o uso da cloroquina.

Saída de Moro (24.abr)
O então ministro Sergio Moro (Justiça) entrega o cargo após a exoneração do diretor-geral da Polícia Federal, Maurício Valeixo, ter sido publicada durante a madrugada no Diário Oficial da União.

No anúncio de sua saída, o ex-juiz acusa Bolsonaro de tentar interferir nos trabalhos da Polícia Federal, o que leva à abertura de uma investigação.

Carlos e as fake news (25.abri)
Em inquérito sigiloso conduzido pelo STF, a Polícia Federal identifica o vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ), filho do presidente Jair Bolsonaro, como um dos articuladores de um esquema criminoso de fake news.

Dentro da PF, não há dúvidas de que Bolsonaro quis exonerar o ex-diretor da PF Maurício Valeixo, homem de confiança de Moro, porque tinha ciência de que a corporação havia chegado ao seu filho.

Datafolha mede apoio ao impeachment (27.abr)
Logo após a saída de Moro, uma pesquisa do Datafolha aponta que o brasileiro está dividido sobre a conveniência de um processo de impeachment contra Bolsonaro.

Também cresce o apoio à possibilidade de o presidente renunciar devido à crise política em meio à pandemia do novo coronavírus —os que querem a renúncia empatam com aqueles que a rejeitam.

Moro contra Bolsonaro (27.abr)
O ministro Celso de Mello, do STF, determina a abertura de inquérito para investigar as acusações que Sergio Moro fez contra o presidente Bolsonaro ao pedir demissão do Ministério da Justiça.

Moro acusou o chefe do Executivo de querer interferir na autonomia da Polícia Federal com a intenção de aumentar a sua influência na corporação para ter acesso a informações sobre investigações em curso.​

Novo ministro da Justiça (28.abr)
Bolsonaro nomeia o André de Almeida Mendonça, que estava à frente da AGU (Advocacia-Geral da União, para o comando da Justiça.

O novo ministro afirma que seu compromisso “é continuar desenvolvendo o trabalho técnico que tem pautado minha vida”.

STF suspende troca na PF (29.abr)
O ministro Alexandre de Moraes, do STF, suspende a nomeação de Alexandre Ramagem, amigo da família Bolsonaro, para a diretoria-geral da Polícia Federal, em mais um ato da corte contrário a medidas adotadas pelo chefe do Executivo.

A decisão de Moraes se baseia, principalmente, nas afirmações de Bolsonaro de que pretendia usar a PF, um órgão de investigação, como produtor de informações para suas tomadas de decisão. O ministro destaca que sua decisão era cabível pois a PF não é um "órgão de inteligência da Presidência da República", mas sim "polícia judiciária da União, inclusive em diversas investigações sigilosas".

Bolsonaro contra-ataca (30.abr)
Bolsonaro chama de "política" e de "canetada" a decisão de Alexandre de Moraes que, um dia antes, anulou a nomeação de Alexandre Ramagem para o comando da Polícia Federal. "Eu respeito a Constituição e tudo tem um limite", afirma o chefe do Executivo.

Bolsonaro diz que "não engoliu" a decisão e que o ministro do STF quase gerou uma crise institucional.

Acesso à informação (30.abr)
O STF derruba a validade da medida provisória editada pelo governo Bolsonaro que restringia a Lei de Acesso à Informação (LAI) durante a pandemia do novo coronavírus.

A MP suspendia prazos de pedidos de informações a órgãos públicos com base na LAI nos casos em que o setor demandado estivesse “prioritariamente envolvido com as medidas de enfrentamento” à Covid-19.

O relator do caso, Alexandre de Moraes, afirma que a medida violava o princípio da publicidade exigido pela administração pública e ressalta que o ato teria efeito para todos entes da federação.

Longe de Dilma e Collor no quesito impeachment (1°.mai)
Dados do Datafolha do fim de abril apontam que 45% da população é a favor da abertura de um processo de impeachment contra Bolsonaro. Outros 48%, um empate na margem de erro de três pontos, são contra a abertura do processo.

Essa base de apoio deixa Bolsonaro longe da situação de Fernando Collor, em 1992, e de Dilma Rousseff, em 2015. Pouco antes do afastamento de Collor sob acusação de corrupção, 75% dos brasileiros desejavam a medida, ante 18% que a rejeitavam.

Já Dilma Rousseff, que iniciou o segundo mandato sob grave crise econômica, tinha 63% dos brasileiros desejando o seu impeachment, enquanto 33% eram contra.

Moro vira 'Judas' (2.mai)
Em conversa com seus apoiadores, na porta do Palácio do Alvorada, Bolsonaro chama o ex-ministro Sergio Moro de "Judas" e afirma que ninguém dará um golpe em seu governo. "Ninguém vai fazer nada ao arrepio da Constituição, fiquem tranquilos. Ninguém vai querer dar um golpe em cima de mim, não, podem ficar tranquilos."

Aglomeração em Goiás (2.mai)
Bolsonaro viaja com sua comitiva para a região de Cristalina (GO). O comboio presidencial para em um posto de gasolina, onde o chefe do Executivo come pastel e bebe café.

No local, o presidente provoca aglomeração para fazer fotos, abraça pessoas, inclusive um idoso, coloca a mão no ombro delas, entre outras gestos que contrariam as regras de distanciamento social.

Depoimento de Moro (2.mai)
O ex-ministro Sergio Moro conclui seu depoimento na Polícia Federal em Curitiba, após ficar mais de oito horas no local. Ele foi ouvido no inquérito que apura as acusações que fez ao sair do governo Bolsonaro.

Além de reiterar, Moro diz na ocasião que apresentaria novas provas do que havia afirmado sobre a tentativa de ingerência de Bolsonaro na Polícia Federal. O presidente, disse o ex-juiz ao pedir demissão, queria a troca de comando para ter acesso a investigações em andamento.

Governo x STF (3.mai)
Presidente prestigia pessoalmente uma manifestação em Brasília de apoiadores a ele e com críticas ao STF e ao Congresso. O ex-ministro Sergio Moro também é alvo do protesto.

Em declaração transmitida em live, Bolsonaro afirma: "Tenho certeza de uma coisa, nós temos o povo ao nosso lado, nós temos as Forças Armadas ao lado do povo, pela lei, pela ordem, pela democracia, e pela liberdade. E o mais importante, temos Deus conosco".

Ao final, afirma: "Peço a Deus que não tenhamos problemas essa semana. Chegamos no limite, não tem mais conversa, daqui pra frente, não só exigiremos, faremos cumprir a Constituição, ela será cumprida a qualquer preço, e ela tem dupla mão".

Jornalistas agredidos (4.mai)
Após jornalistas sofrerem agressões durante a cobertura da manifestação do dia anterior, o procurador-geral da República, Augusto Aras, pede ao Ministério Público do Distrito Federal uma apuração.

Forças Armadas se posicionam (4.mai)
Em nota assinada pelo ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, as Forças Armadas se manifestam sobre a relação entre os Poderes.

No documento, Azevedo e Silva afirma que "Marinha, Exército e Força Aérea são organismos de Estado, que consideram a independência e a harmonia entre os Poderes imprescindíveis para a governabilidade do País."

'Cala a boca' (5.mai)
Bolsonaro manda repórteres calarem a boca ao ser questionado sobre as recentes mudanças na Polícia Federal. Bolsonaro ainda ataca a Folha, chamando o jornal de "canalha", "patife" e "mentiroso".

Bolsonaro mostra reprodução da edição impressa do jornal e, referindo-se à manchete "Novo diretor da PF assume e acata pedido de Bolsonaro", diz que não interferiu na corporação.

Vídeo de reunião ministerial (6.mai)
Governo recorre da decisão do STF que exigia a entrega do vídeo da reunião ministerial ocorrida no fim de abril em que Bolsonaro teria ameaçado demitir o então ministro da Justiça, Sergio Moro.

Moro citou a reunião no depoimento à Polícia Federal como prova de que o chefe do Executivo queria interferir no trabalho da corporação.

A AGU, que faz a defesa judicial do Executivo, alega que o encontro pode ter tratado de “assuntos potencialmente sensíveis e reservados de Estado, inclusive de Relações Exteriores, entre outros”.

Aliança com o centrão (6.mai)
Pressionado, Bolsonaro começa a distribuir cargos ao bloco conhecido como centrão em troca de apoio no Congresso.

​O Diário Oficial da União traz a nomeação de Fernando Marcondes de Araújo Leão como diretor-geral do Dnocs (Departamento Nacional de Obras Contra as Secas), com salário de R$ 16.944,90.

Segundo parlamentares e um técnico do governo, a indicação de Leão para o cargo foi levada ao governo pelo líder do PP na Câmara, Arthur Lira (AL), um dos interessados em disputar a sucessão de Rodrigo Maia (DEM-RJ) na presidência da Câmara em fevereiro de 2021.

Nos dias e semanas seguintes, o presidente entregaria cargos a outros indicados pelo centrão, incluindo o ex-ministro Carlos Marun, um dos mais fiéis aliados do ex-presidente Michel Temer, para o posto de conselheiro da Itaipu Binacional.

Vídeo chega ao Supremo (8.mai)
A AGU entrega ao STF vídeo da reunião em que o presidente teria ameaçado Moro de demissão caso ele não trocasse o diretor-geral da Polícia Federal.

Moto aquática (9.mai)
Horas após afirmar em redes sociais que era falso o convite para um churrasco no Palácio da Alvorada que ele mesmo havia anunciado, Bolsonaro gasta parte da tarde em um passeio de moto aquática no Lago Paranoá, em Brasília.

O passeio ocorre no dia em que o Brasil ultrapassa a marca de 10 mil mortos pela Covid-19, o que motivou decretação de luto pelas cúpulas do Legislativo e do Judiciário.

Depoimento de Valeixo (11.mai)
O ex-diretor-geral da Polícia Federal Maurício Valeixo diz, em depoimento, que o presidente Bolsonaro decidiu exonerá-lo porque queria no cargo alguém de sua confiança. A oitiva faz parte do inquérito que apura se o presidente da República tentou interferir indevidamente na corporação.

Segundo Valeixo, Bolsonaro lhe disse não ter nada contra a sua pessoa, mas que buscava um diretor com quem tivesse mais "afinidade".

Valeixo foi demitido em abril, estopim para a crise que culminou com a saída de Moro do governo.

Filhos de Bolsonaro (12.mai)
Bolsonaro afirma que, no vídeo da reunião ministerial do fim de abril, não aparecem as palavras "Polícia Federal" ou "superintendência". Questionado por jornalistas se havia falado sobre apurações envolvendo seus parentes, não negou preocupação com a segurança dos filhos.

Depoimento de generais (13.mai)
Bolsonaro afirma que seu ministro da Secretaria de Governo, general Luiz Eduardo Ramos, "se equivocou" ao dizer que houve menção à Polícia Federal na reunião ministerial de 22 de abril.

A Folha mostrou que os depoimentos prestados por Ramos e o general Augusto Heleno, ministro do GSI (Gabinete de Segurança Institucional), conflitam com a versão de Bolsonaro sobre a citação à PF no encontro de ministros. Segundo eles, Bolsonaro mencionou o nome da PF ao cobrar relatórios de inteligência.

MP da proteção de agentes públicos (14.mai)
O presidente Jair Bolsonaro edita uma medida provisória que protege agentes públicos de responsabilização por atos tomados durante a crise do novo coronavírus. A MP 966 estabelece que somente poderão ser responsabilizados, nas esferas civil e administrativas, os agentes públicos que "agirem ou se omitirem com dolo ou erro grosseiro".

A proteção vale para responsabilizações referentes a medidas adotadas, direta ou indiretamente, no âmbito do enfrentamento da emergência sanitária e no combate aos efeitos econômicos decorrentes da Covid-19.

A medida gera questionamentos em setores do Judiciário e do Congresso. Partidos de oposição e entidades decidem contestá-la no Supremo —e parlamentares acusam Bolsonaro de querer se eximir de responsabilidades na crise.

O presidente do TCU (Tribunal de Contas da União), José Mucio Monteiro, afirma que a MP estimula mal-intencionados e que não pode haver salvo-conduto quando os gastos com a pandemia já consumiram mais de R$ 600 bilhões. ​

Tensão com governadores (14.mai)
Presidente convoca um grupo de empresários de peso a pressionar governadores pela reabertura do comércio. Contrário ao isolamento, Bolsonaro critica, principamente, o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), e o governador do Rio, Wilson Witzel (PSC).

O presidente se queixa, em diversas ocasiões, de que os governadores ignoravam um decreto presidencial que ampliou o número de atividades consideradas essenciais. Para Bolsonaro, trata-se de um ato de "desobediência civil".

Entrevista de Paulo Marinho (16.mai)
Em entrevista à colunista da Folha Mônica Bergamo, o empresário Paulo Marinho, ex-aliado de Bolsonaro, afirma que Flávio Bolsonaro, filho do presidente, soube com antecedência que a Operação Furna da Onça, que atingiu o policial militar aposentado Fabrício Queiroz, seria deflagrada.

Nova manifestação (17.mai)
Presidente participa de ato com aglomeração em Brasília e diz que o governo federal “tem dado todo o apoio” para atender doentes da Covid-19 e que o país sairá mais forte após essa pandemia.​

Antes da chegada de Bolsonaro ao protesto, seguranças da Presidência pediram aos manifestantes a retirada de faixas contra o Congresso e o STF. Uma delas chamava os dois órgãos de “sabotadores” e pedia uma nova Constituição.

Investição de suposto vazamento (17.mai)
A Polícia Federal inicia investigação de relato do empresário Paulo Marinho à Folha sobre suposto vazamento de uma investigação da corporação ao senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), filho do presidente.

Além de apurar o vazamento, a pedido da PGR (Procuradoria-Geral da República) a PF ouviria o depoimento de Marinho no inquérito já aberto para investigar, com base em acusações do ex-ministro Moro, se o presidente Bolsonaro tentou interferir indevidamente na corporação.

Reação de Bolsonaro à entrevista de Marinho (19.mai)
Presidente diz que o empresário Paulo Marinho, seu ex-aliado, terá que provar a acusação que fez à Folha de suposto vazamento de uma investigação da Polícia Federal ao senador Flávio Bolsonaro.

"Ele [Marinho] vai ter que provar, não vou entrar em detalhe, quem foi o delegado que teria dito para um assessor do meu filho... É sempre assim, né? 'Ouvi dizer não sei o que lá...'. Não é ouvi dizer ", afirma em uma entrevista ao jornalista Magno Martins, responsável pelo Blog do Magno.

Depoimento de Marinho (20.mai)
Marinho presta depoimento de mais de cinco horas sobre as acusações de vazamento de investigação à família do atual presidente da República no período eleitoral de 2018.

Ele deixa a Polícia Federal do Rio de Janeiro no começo da noite, sem falar do teor do relato, sob a justificativa de que esse inquérito corre sob sigilo. “Qualquer declaração pode prejudicar as investigações”, afirma.

Bolsonaro evita jornalistas (21.mai)
Desde a acusação de Marinho, Bolsonaro passa a evitar contato com os jornalistas e, dessa forma, se preservar de perguntas sobre as declarações de seu ex-aliado.

Nova derrota no Supremo (21.mai)
O STF decide que a medida provisória do presidente para proteger agentes públicos de responsabilização durante a pandemia do coronavírus não pode servir para blindar atos administrativos contrários a recomendações médicas e científicas.

Os ministros mantêm a previsão de que gestores públicos só devem responder nas esferas civil e administrativa da Justiça quando "agirem ou se omitirem com dolo ou erro grosseiro", como previa a MP editada pelo presidente.

No entanto, a corte define que, na aplicação dessa norma, devem ser incluídos no conceito de erro grosseiro medidas que não observem normas e critérios técnicos estabelecidos por autoridades sanitárias e organização de saúde do Brasil e do mundo.

'Consequência imprevisíveis' (22.mai)
O ministro-chefe do GSI (Gabinete de Segurança Institucional), general Augusto Heleno, diz que uma eventual apreensão do celular do presidente Bolsonaro poderá ter "consequências imprevisíveis".

Em nota, Heleno critica o ato do ministro Celso de Mello, do STF, que encaminhou à PGR pedidos de partidos e parlamentares de oposição para que o celular do presidente fosse apreendido e periciado.​

Celso de Mello libera vídeo de reunião (22.mai)
O ministro Celso de Mello, do STF, decide tornar público o vídeo da reunião ministerial citada pelo ex-ministro da Justiça Sergio Moro em depoimento à Polícia Federal como um indício de que o presidente Jair Bolsonaro desejava interferir na autonomia da PF.

O ministro não divulgou apenas “poucas passagens do vídeo e da respectiva degravação nas quais há referência a determinados Estados estrangeiros”.

Em reação, o presidente afirma que a revelação da gravação é "mais um tiro n'água" e que não há nela qualquer menção a interferência na Polícia Federal.

"Cadê a parte do vídeo onde eu falo em [mudar] superintendência da Polícia Federal ou diretoria-geral que deve ser substituído? Não existe, eu falo da minha segurança pessoal", declara , em entrevista à rádio Jovem Pan no final da tarde.

Panelaço e aglomeração (23.mai)
Presidente provoca aglomeração em mais de uma situação em Brasília. Em uma das paradas, come um cachorro-quente na rua e logo é cercado por um grupo de curiosos e apoiadores. Nos prédios ao redor, gritos contra Bolsonaro e um início de panelaço é ouvido.

O número de mortos pelo novo coronavírus no Brasil alcança 22.013 no mesmo dia, segundo o Ministério da Saúde. Em 24 horas, foram 965 novos óbitos.

Ataques ao STF (24.mai)
Bolsonaro publica pela manhã um trecho da lei de abuso de autoridade, no que foi entendido como um ataque direto ao STF.

A postagem em rede social traz uma foto de um artigo da lei 13.869, de 2019. "Art. 28 Divulgar gravação ou trecho de gravação sem relação com a prova que se pretenda produzir, expondo a intimidade ou a vida privada ou ferindo a honra ou a imagem do investiga ou acusado: pena – detenção de 1 (um) a 4 (quatro) anos."

Logo após a publicação, o presidente deixa o Palácio da Alvorada de helicóptero, desembarca no anexo da Vice-Presidência e segue para a praça dos Três Poderes, em Brasília, onde havia uma manifestação em defesa do governo.

Suspensão de cobertura (25.mai)
A Folha decide suspender a cobertura jornalística na porta do Palácio da Alvorada temporariamente até que o Palácio do Planalto garanta a segurança dos profissionais de imprensa.

No mesmo dia, apoiadores de Jair Bolsonaro hostilizam jornalistas, numa prática recorrente na porta da residência oficial. Pouco antes dessas agressões verbais, o presidente, ao passar perto dos repórteres, critica a imprensa. "No dia que vocês tiverem compromisso com a verdade, eu falo com vocês de novo."

Depoimento de Weintraub (26.mai)
O ministro Alexandre de Moraes, do STF, manda o então ministro da Educação, Abraham Weintraub, prestar depoimento em cinco dias à Polícia Federal por ter afirmado na reunião ministerial de 22 de abril que, por ele, botaria todos na prisão, “começando pelo STF”.

Moraes afirma que há “indícios de prática” de seis delitos. Segundo o Código Penal, Weintraub poderia ser enquadrado por difamação e injúria. Os outros estão tipificados em quatro artigos da lei que define os crimes contra a segurança nacional e a ordem política e social.

Operação contra fake news (27.mai)
A PF cumpre 29 mandados de busca e apreensão no chamado inquérito das fake news, que apura ofensas, ataques e ameaças contra ministros do STF. Políticos, empresários e ativistas bolsonaristas estão entre os alvos da investigação.

Policiais buscam provas nos endereços do ex-deputado Roberto Jefferson, presidente nacional do PTB, do dono da Havan, Luciano Hang, e de assessores do deputado estadual paulista Douglas Garcia (PSL).

O principal foco da operação é um grupo suspeito de operar uma rede de divulgação de notícias falsas contra autoridades, além de quatro possíveis financiadores dessa equipe. As ordens foram expedidas pelo ministro Alexandre de Moraes, relator do caso, no Supremo.

Reação de Bolsonaro (28.mai)
Em reação à operação do dia anterior, o presidente Jair Bolsonaro critica a investigação e disparou queixas contra o STF.

“Não teremos outro dia como ontem, chega”, diz, na saída do Palácio da Alvorada, em declaração transmitida pela rede CNN Brasil. “Querem tirar a mídia que eu tenho a meu favor sob o argumento mentiroso de fake news.”

Recorde de rejeição (28.mai)
Segundo pesquisa do Datafolha feita na segunda (25) e na terça (26), já sob o impacto da divulgação do vídeo da reunião ministerial de 22 de abril, 43% dos brasileiros consideram o governo ruim ou péssimo. Recorde na gestão, esse número era de 38% no levantamento anterior, de 27 de abril.

Protesto de torcidas organizadas (31.mai)
Integrantes de diferentes torcidas organizadas dos quatro grandes clubes de São Paulo (Corinthians, Palmeiras, Santos e São Paulo) organizam ato pró-democracia na avenida Paulista, em São Paulo.

A manifestação, que começou pacífica, acaba em confronto com a Polícia Militar (PM) e apoiadores do presidente Bolsonaro.

A via vinha sendo ponto de encontro de bolsonaristas aos domingos. Eles pedem principalmente o fim das medidas de distanciamento social durante a pandemia e têm bandeiras antidemocráticas, contra o STF e o Congresso.

Manifestos pró-democracia (1°.jun)
Iniciativas suprapartidárias surgidas nos últimos dias para defender a democracia e reagir ao presidente veem o número de adesões disparar, em meio a um clima que tem sido comparado ao das Diretas Já.

A lembrança é evocada porque, assim como o movimento de 1984, a onda de manifestos de agora une adversários ideológicos e começa a abraçar cidadãos comuns, para além de líderes sociais e políticos, artistas e personalidades.

Os expoentes da nova leva são o Movimento Estamos Juntos —que foi lançado no sábado (30) e alcançou, então, a marca de 224 mil assinaturas—, a campanha Somos 70% —criada a partir da iniciativa anterior e viralizada nas redes soci

Bolsonaro ataca manifestantes (3.jun)
Presidente classifica como marginais e terroristas os integrantes dos chamados grupos antifascistas que promoviam protestos contra o seu governo. Em frente ao Palácio da Alvorada, ele também defende retaguarda jurídica para atuação policial nas manifestações.

"Começou aqui com os antifas em campo. O motivo, no meu entender, político, diferente [daquele dos protestos nos EUA]. São marginais, no meu entender, terroristas. Têm ameaçado, domingo, fazer movimentos pelo Brasil, em especial, aqui no DF", diz à noite, segundo gravação divulgada por seus apoiadores.

Mais de um brasileiro morto por minuto (4.jun)
Exatos cem dias apos ter sido diagnosticada pela primeira vez no Brasil, a doença primeiro chamada de "gripezinha" chega à marca de mais de um brasileiro morto a cada minuto no país.

Com um salto de 1.473 óbitos por Covid-19 registrados no país nas últimas 24 horas, o Brasil cruza a marca de 34 mil mortes em decorrência do novo coronavírus e supera a Itália, país que simbolizou primeiro a tragédia da pandemia, tornando-se o terceiro no ranking de óbitos resultantes da doença no mundo.

Maquiagem de dados (5.jun)
Sob a gestão do interino Pazuello, o governo restringe a divulgação de dados sobre o impacto do novo coronavírus no país. O portal do Ministério da Saúde deixa de informar o número acumulado de casos e mortes, mantendo as mortes e casos registrados nas últimas 24 horas e passa a mostrar somente os números registrados no último dia.

Em resposta à decisão do governo, os veículos O Estado de S. Paulo, Extra, Folha de S.Paulo, O Globo, G1 e UOL decidem formar uma parceria e trabalhar de forma colaborativa para buscar as informações necessárias sobre a Covid-19.

Na noite de 8 de junho, o STF determina que a pasta retome a divulgação dos dados acumulados do coronavírus em até 48 horas. A decisão é tomada após análise de ação apresentada pela Rede Sustentabilidade, PSOL e PCdoB. O governo recua e volta a divulgar os dados.

Toffoli cobra trégua (8.jun)
O presidente do STF, ministro Dias Toffoli, afirma que ações do presidente Jair Bolsonaro e de seu governo têm "trazido dubiedades que impressionam e assustam não só a sociedade brasileira, mas também a comunidade internacional”.

Toffoli ressalta que é necessário estabelecer uma “trégua entre os Poderes” para o devido enfrentamento à pandemia do novo coronavírus. E avisa, em afirmação direcionada "diretamente e em especial” ao chefe do Executivo, que “não é mais possível atitudes dúbias”.

Invasão a hospitais (11.jun)
Bolsonaro pede aos seus seguidores nas redes sociais que filmem o interior de hospitais públicos e de campanha para averiguar se os leitos de emergência estão livres ou ocupados. Estimula, ainda, que as pessoas enviem ao governo federal imagens que demonstrem alguma anormalidade.

Após a fala do presdiente, cinco deputados estaduais do Espírito Santo entram no Hospital Estadual Dório Silva, na região metropolitana de Vitória, e lá permanecem por duas horas fazendo uma vistoria por conta própria na unidade. O governo estadual, por meio da Procuradoria-Geral do Estado (PGE), entra com uma representação criminal contra os parlamentares.

Logo depois, o deputado estadual Capitão Alden (PSL) invade o hospital de campanha Riverside, localizado em Lauro de Freitas, na região metropolitana de Salvador, na Bahia.

Limite às Forças Armadas (12.jun)
O ministro Luiz Fux, do STF, delimita, em decisão judicial, a interpretação da Constituição e da lei que disciplina as Forças Armadas para esclarecer que elas não permitem a intervenção do Exército sobre o Legislativo, o Judiciário ou o Executivo nem dão aos militares a atribuição de poder moderador.

Em resposta a uma ação apresentada pelo PDT contra “eventual intervenção militar”, o magistrado dá uma decisão liminar (provisória) para estabelecer que a prerrogativa do presidente da República de autorizar emprego das Forças Armadas não pode ser exercida contra os outros dois Poderes.

Bolsonaro reage, em nota, afirmando que as Forças Armadas "não cumprem ordens absurdas" e não aceitam tentativas de tomada de poder decorrentes de "julgamentos políticos".

Manifestantes bolsonaristas voltam a atacar os ministros do STF ao lançar fogos de artifício contra o prédio do tribunal, simulando um bombardeio, na noite de sábado (13). Na segunda, a ativista do movimento 300 do Brasil Sara Giromini, conhecida como Sara Winter, é presa em Brasília pela Polícia Federal. Ela é solta em 24 de junho.

Participação de Weintraub em protesto (15.jun)

O presidente Jair Bolsonaro afirma que o então ministro da Educação, Abraham Weintraub, não foi "muito prudente" nem deu "um bom recado" ao ter participado no domingo (14) de uma manifestação em Brasília a favor do governo e contra o Supremo Tribunal Federal.

"Eu acho que ele não foi muito prudente em participar da manifestação, apesar de não ter falado nada demais ali. Mas não foi um bom recado. Por quê? Porque ele não estava representando o governo. Ele estava representando a si próprio. Como tudo o que acontece cai no meu colo, é um problema que estamos tentando solucionar com o senhor Abraham Weintraub", diz, em entrevista à Band News.

Na época, integrantes do governo disseram a ministros do STF que o então titular da Educação seria demitido em um gesto de paz à corte. Na reunião ministerial do dia 22 de abril, Weintraub afirmou que, se dependesse dele, colocaria "esses vagabundos todos na cadeia", começando no STF. Ele repeitu a ofensa no ato do domingo.

Ações no TSE (15.jun)
O presidente Jair Bolsonaro afirma que a análise pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral) de um processo que pode levar à cassação da chapa presidencial é "começar a esticar a corda".

Na mesma entrevista à BandNews, o presidente ressalta que o processo já deveria ter sido arquivado e que o julgamento é "inadmissível" e alimenta uma crise política "que não existe". A iniciativa trata de um ataque virtual contra um grupo de mulheres nas redes sociais em 2018.

No total, a chapa Bolsonaro-Mourão é alvo de oito ações no tribunal, sendo que outras duas já foram arquivadas. Elas pedem a cassação do presidente e de seu vice por abuso de poder econômico e uso indevido dos meios de comunicação durante a vitoriosa campanha eleitoral de 2018.

Inquérito sobre atos antidemocráticos (16.jun)
A Polícia Federal cumpre, na parte da manhã, mandados de busca e apreensão solicitados pela PGR (Procuradoria-Geral da República) e determinados pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF.

As medidas, que atingem aliados do presidente, têm o objetivo de instruir o inquérito que investiga a origem de recursos e a estrutura de financiamento de grupos suspeitos da prática de atos antidemocráticos.

Entre os alvos estão um advogado e um marqueteiro ligados à Aliança pelo Brasil, partido que Bolsonaro tenta criar desde sua saída do PSL, no final do ano passado.

Na parte da noite, Bolsonaro afirma em redes sociais que não pode "assistir calado enquanto direitos são violados e ideias são perseguidas". Ele afirma ter presenciado abusos nas últimas semanas.

Demissão de Weintraub (18.jun)
Presidente anuncia a demissão de Abraham Weintraub do Ministério da Educação, após 14 meses e 10 dias em que o então ministro acumulou polêmicas e pouco realizou à frente da pasta, e em decorrência de longo desgaste político com os ministros do STF.

A queda é confirmada em um vídeo publicado em rede social em que os dois comunicam a exoneração. Na gravação, Weintraub diz que "desta vez é verdade". "Não quero discutir os motivos de minha saída", afirma.

O presidente não queria demitir o ministro, que tem boa aceitação na militância mais alinhada ao governo exatamente pelo perfil combativo que mantém nas redes sociais. "Todos que estão me ouvindo agora são maiores de idade e sabem o que o Brasil está passando, e o momento é de confiança. Jamais deixaremos de lutar por liberdade, eu faço o que o povo quiser", diz Bolsonaro ao fim do vídeo.

Queiroz é preso (18.jun)
O policial militar aposentado Fabrício Queiroz, ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro e amigo do presidente Jair Bolsonaro, é preso em Atibaia, no interior de São Paulo. O mandado de prisão foi expedido pela Justiça do Rio de Janeiro —ele não era considerado foragido.

Queiroz estava em um imóvel do advogado Frederick Wassef, então responsável pelas defesas de Flávio e do presidente Bolsonaro. Wassef era figura constante no Palácio da Alvorada, residência oficial da Presidência, e em eventos no Palácio do Planalto.

O ex-assessor é suspeito de comandar um esquema de "rachadinha" no antigo gabinete de Flávio na Alerj (Assembleia Legislativo do Rio). O filho de Bolsonaro foi deputado estadual de fevereiro de 2003 a janeiro de 2019.

Nesse tipo de esquema, servidores públicos ou prestadores de serviços da administração são coagidos a devolver parte de seus salários a políticos ou assessores dos gabinetes.

Com a prisão de seu amigo Queiroz, Bolsonaro afirma a aliados que o Judiciário tem tentado construir um clima político com o objetivo de tirá-lo do cargo.

Segundo relatos de interlocutores palacianos, o presidente considerou que não foi uma coincidência o fato de, na mesma semana, terem sido feitas buscas e apreensões contra aliados, no âmbito do inquérito que corre no STF sobre atos antidemocráticos, e prendido, via decisão judicial do Rio, seu amigo e ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro.

Manutenção do inquérito das fake news (18.jun)
Por 10 votos a 1, o STF decide nesta quinta-feira (18) pela legalidade do inquérito das fake news que apura a disseminação de notícias falsas e ameaças a integrantes da corte.

São alvos da investigação deputados, empresários e blogueiros ligados ao presidente Bolsonaro, que sofreram medidas de busca e apreensão e quebras de sigilo nas últimas semanas.

Ao encerrar a sessão, o presidente da corte, ministro Dias Toffoli, afirmou que agressores querem tornar as instituições "desnecessárias". O único voto contrário foi o de Marco Aurélio Mello, que chamou o inquérito de "natimorto".

50 mil morto pelo coronavírus no país (20.jun)
O Brasil atinge a marca de 50 mil mortes em decorrência da Covid-19, inédita entre todos os países do mundo exceto os Estados Unidos.

Da morte do porteiro Manoel Messias Freitas Filho em São Paulo, primeira vítima da doença, ao momento em que os mortos oficialmente atribuídos ao novo coronavírus são suficientes para lotar o estádio do Corinthians, em Itaquera, passaram três meses e quatro dias. É como se, em menos de cem dias, toda a população de Campos do Jordão (SP) sumisse.

Até as 20h do dia 20, a Covid-19 matou 50.058 pessoas no Brasil e mais de 1 milhão de pessoas contraíram a doença. Nas últimas 24 horas, foram registrados 968 mortes e 30.972 novos casos. Os dados foram aferidos pelo consórcio jornalístico integrado por Folha, G1, O Globo, Extra, Estadão e UOL com as secretarias de Saúde estaduais.

'Um pouco de exagero' (22.jun)
O presidente Jair Bolsonaro faz um novo apelo para que governadores e prefeitos comecem a reabrir o comércio.

Segundo ele, "talvez tenha havido um pouco de exagero" na forma como a OMS (Organização Mundial da Saúde) e outras autoridades lidaram com a pandemia do novo coronavírus.

"O campo não parou, mas as cidades e muitos estados pararam. Não vai ser fácil fazer essa economia pegar no tranco novamente. Então a gente apela que os governadores e prefeitos que, obviamente com responsabilidade, comecem a abrir o comércio", diz o presidente, em entrevista ao canal AgroMais, lançado na ocasião.

Presidente não fala sobre a marca dos 50 mil mortos pela doença.

Governo muda data de demissão de Weintraub (23.jun)
O presidente Jair Bolsonaro retifica a data de demissão do ex-ministro Abraham Weintraub inicialmente publicada no Diário Oficial da União e estabelece que a exoneração passou a valer na sexta-feira (19) —um dia antes do que constava no decreto anterior.

A saída do agora ex-ministro da Educação foi anunciada na quinta (18). A exoneração, no entanto, só havia sido oficializada no sábado (20), depois que Weintraub viajou às pressas a Miami (EUA).

Bolsonaro já havia feito retificação do tipo no Diário Oficial na época da saída de Sergio Moro do Ministério da Justiça.

Harmonia entre Poderes (25.jun)
Numa cerimônia ao lado do presidente do STF, Dias Toffoli, o presidente Bolsonaro defende a cooperação e a harmonia entre os Poderes, numa nova sinalização de distensionamento da relação do Planalto com as demais instituições.

As declarações ocorrem em cerimônia de assinatura de um acordo para integração de sites informativos sobre leis e outras normas legais entre os sistemas da presidência da República, do STF e do STJ (Superior Tribunal de Justiça), entre outros órgãos.

"Esse entendimento, essa cooperação, bem revela o momento que vivemos aqui no Brasil. Eu costumo sempre dizer quando estou com o presidente Toffoli, com o [Davi] Alcolumbre [presidente do Senado] e o [Rodrigo] Maia [presidente da Câmara], que somos pessoas privilegiadas. O nosso entendimento, no primeiro momento, é que pode sinalizar que teremos dias melhores para o nosso país", diz Bolsonaro.

No mesmo dia, pesquisa Datafolha mostra que a popularidade de Bolsonaro segue estável na semana seguinte à prisão do ex-assessor de sua família Fabrício Queiroz.

Segundo o levantamento, Bolsonaro manteve sua aprovação em 32%, o mesmo índice do fim de maio (33%). A rejeição ao governo é de 44%, ante 43% da rodada anterior, enquanto os que avaliam Bolsonaro como regular estacionaram nos 23% (eram 22%).

'Paz e amor' (26.jun)
Em uma tentativa de diminuir o desgaste do governo e proteger os filhos, o presidente Jair Bolsonaro deixa de lado a postura beligerante, dá uma guinada em seu discurso público e passa a adotar um estilo “paz e amor”.

Nas duas últimas semanas, marcadas por​ operações policiais contra alvos próximos à sua família, o presidente recuou em conduta agressiva e fez gestos de pacificação ao Judiciário e ao Legislativo.

A mudança de postura —ao menos por enquanto— ocorreu após pelo menos dois integrantes da equipe ministerial terem recomendado ponderação ao presidente: Fernando Azevedo (Defesa) e Fábio Faria (Comunicações).

De acordo com assessores palacianos, ambos sugeriram a Bolsonaro que ele intensifique o diálogo tanto com o Judiciário como com o Legislativo na tentativa de evitar novos reveses, entre eles contra seus filhos.

Nova aglomeração (27.jun)
Em uma viagem não divulgada na agenda, Bolsonaro utiliza helicóptero oficial para viajar e provoca aglomeração em uma rodovia federal e na cidade de Araguari, em Minas Gerais.

Sem vestir a máscara de proteção contra a Covid-19, carregada nas mãos, o presidente cumprimenta um grupo de simpatizantes que, sem respeitar o distanciamento recomendado, acenaram para ele no acostamento da BR-050 com palavras de apoio ao governo.

Presidente Jair Bolsonaro faz aglomeração em rodovia
Presidente Jair Bolsonaro faz aglomeração em rodovia - @jairmessias.bolsonaro no Facebook

Apoio à democracia bate recorde (27.jun)
O apoio do brasileiro à democracia cresceu em meio ao agravamento da crise política do governo Jair Bolsonaro, e atingiu o maior índice da série histórica do Datafolha.

Segundo o instituto, 75% dos entrevistados consideram o regime democrático o mais adequado, enquanto 10% afirmam que a ditadura é aceitável em algumas ocasiões.

Demissão de Decotelli (30.jun)
O ministro da Educação, Carlos Decotelli, anuncia o pedido de demissão, cinco dias após ser nomeado para o cargo pelo presidente Jair Bolsonaro.

A demissão foi a maneira encontrada pelo governo para encerrar a crise criada com as falsidades no currículo divulgado por Decotelli, o terceiro ministro da Educação da gestão Bolsonaro.

Constava no currículo de Decotelli um doutorado pela Universidade Nacional de Rosario, da Argentina. O reitor da instituição, Franco Bartolacci, negou que ele tenha obtido o título, informação antecipada pela coluna Mônica Bergamo. Há ainda sinais de plágio na sua dissertação de mestrado. ​Houve ainda uma polêmica em relação ao seu cargo de professor na FGV (Faculdade Getúlio Vargas).

Aceno ao Congresso (30.jun)
O presidente Jair Bolsonaro faz novos gestos ao Congresso Nacional e convida os chefes do Legislativo, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ) e senador Davi Alcolumbre (DEM-AP), para acompanhá-lo em uma futura viagem presidencial pelo interior do Brasil.

Os presidentes da Câmara e do Senado participaram de cerimônia no Palácio do Planalto da prorrogação por dois meses do auxílio emergencial, que pagará, nesse período, um total de R$ 1.200 a cada beneficiário.

Durante o ato no Palácio do Planalto, Bolsonaro diz que a presença de Maia e Alcolumbre é um sinal de que, juntos, "podemos fazer muito pela nossa pátria".

Campanha com imagens falsas (1°.jul)
Bolsonaro divulga uma propaganda em que ele conversa, por telefone, com pessoas cujos rostos estão disponíveis em bancos de imagens. Uma das fotos já havia sido usada em outra campanha do governo.

Horas após a publicação, o Palácio do Planalto diz que o vídeo era uma "peça piloto inacabada" e que ela foi retirada do ar.

O PT acionou o Tribunal de Contas da União contra a Secretaria de Comunicação (Secom). Na representação, o deputado federal Alexandre Padilha (PT-SP) afirma que a campanha dissemina informações falsas de pessoas inexistentes, o que afronta a legislação que regula a publicidade oficial. Em suas palavras, trata-se de uma prática "inconcebível".

Eleição adiada (1°.jul)
A Câmara dos Deputados aprova em dois turnos a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que adia as eleições municipais de outubro para novembro deste ano e muda outros prazos, em tentativa de adaptar a disputa à pandemia do novo coronavírus.

O texto, que já havia passado pelo Senado, é promulgado em sessão do Congresso no dia seguinte

A PEC adia o primeiro turno das eleições municipais de 4 de outubro para 15 de novembro. O segundo turno, onde houver, passa de 25 de outubro para 29 de novembro.

Exame positivo (7.jul)

O presidente Bolsonaro afirma nesta terça-feira (7) que contraiu o novo coronavírus, após realizar um novo exame para detectar o vírus na segunda-feira (6).

“Estou perfeitamente bem”,diz Bolsonaro, ao anunciar, de máscara, o resultado positivo para Covid-19 em entrevista para CNN Brasil, Record e TV Brasil no Palácio da Alvorada.

O presidente decidiu realizar o teste após sentir sintomas leves: febre baixa e tosse. Em nota, a assessoria do Palácio do Planalto disse que Bolsonaro "mantém bom estado de saúde".

Afirmações erradas, principalmente relacionadas ao uso de hidroxicloroquina contra a Covid-19, fizeram parte da entrevista na qual o presidente anunciou que tinha sido infectado.

Até o momento, os melhores estudos sobre a droga não apontaram quaisquer efeitos benéficos da cloroquina ou da hidroxicloroquina contra o coronavírus Sars-CoV-2.

Facebook exclui contas falsas (8.jul)
O Facebook afirma que removeu uma rede com 73 contas ligadas a integrantes do gabinete do presidente Jair Bolsonaro, seus filhos e aliados. Parte delas promovia propagação de ódio e ataques políticos.

Foram removidas 35 contas do Facebook e 38 do Instagram que, segundo a empresa, atuaram para manipular o uso da plataforma antes e durante o mandato de Bolsonaro —incluindo a criação de pessoas fictícias que se passavam por repórteres.

A empresa também excluiu 14 páginas e um grupo no Facebook.

Os dados que constam das investigações da plataforma foram analisados por pesquisadores americanos que apontam para, ao menos, cinco funcionários e ex-funcionários de gabinetes de bolsonaristas.

Novo ministro da Educação (10.jul)
O presidente Jair Bolsonaro nomeia o pastor e professor universitário Milton Ribeiro para comandar o MEC. O anúncio é feito em uma rede social. Em seguida, a decisão é publicada no Diário Oficial da União, em edição extra.

Ribeiro foi vice-reitor da Universidade Mackenzie, em São Paulo, no início dos anos 2000 e é pastor da Igreja Presbiteriana Jardim de Oração de Santos, litoral de São Paulo.​

"Indiquei o professor Milton Ribeiro para ser o titular do Ministério da Educação. Doutor em educação pela USP [Universidade de São Paulo] e mestre em direito pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e graduado em direito e teologia", escreveu o presidente. "Desde maio de 2019, é membro da Comissão de Ética da Presidência da República."

Milton Ribeiro é o quarto ministro da Educação em pouco mais de um ano e meio de governo. Bolsonaro tenta dar um caráter técnico para a escolha e ao mesmo tempo acenar a grupos de apoio do governo, como os evangélicos e a chamada ala ideológica —que é influenciada pelo escritor Olavo de Carvalho e tem entre suas prioridades promover uma "guerra cultural" contra pautas associadas à esquerda.

Queiroz deixa presídio (10.jul)
O policial militar aposentado Fabrício Queiroz deixa o Complexo Penitenciário de Gericinó, no Rio de Janeiro, durante a noite, para cumprir prisão domiciliar. Ele seguiria para sua casa na Taquara, zona oeste da cidade.

O ex-assessor estava preso preventivamente desde o dia 18 de junho, no âmbito de investigação sobre a prática de "rachadinha" no gabinete de Flávio Bolsonaro na Alerj.

Na quinta-feira (9), o presidente do STJ, João Otávio de Noronha, atendeu pedido da defesa e concordou com a transferência de Queiroz para a prisão domiciliar, com uso de tornozeleira eletrônica e restrição de comunicação.

Ao conceder a prisão domiciliar, Noronha afirmou que, consideradas as condições de saúde de Queiroz, o caso se enquadra em recomendação do CNJ (Conselho Nacional de Justiça), que sugere o não recolhimento a presídio em face da pandemia do novo coronavírus.

Queiroz é investigado por participação em suposto esquema de "rachadinha" (devolução de salários) na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, no gabinete do então deputado estadual e hoje senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), filho do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Queiroz é apontado pelo Ministério Público como operador do esquema.

Tópicos relacionados

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.