Estimulados por Bolsonaro, conservadores ignoram pandemia e mantêm congresso

O encontro vem sendo chamado de o maior evento conservador da história de Minas Gerais

São Paulo

Apesar do crescimento dos casos de coronavírus, um grupo conservador de Minas Gerais pretende manter a realização de um congresso para 500 pessoas que começa na próxima sexta-feira (20) e se estende pelo final de semana em Belo Horizonte.

"Está confirmado. A gente entende que eventos iguais a esses, com 500 pessoas, em regra estão sendo realizados. O efeito de transmissão comunitária, nesses casos, é muito inferior ao das pessoas que estão usando transporte coletivo, por exemplo. São milhões diariamente", disse o deputado estadual Coronel Sandro (PSL), um dos organizadores.

O congresso vem sendo chamado de o maior evento conservador da história de Minas Gerais. Os organizadores pertencem a um grupo local chamado Nação Conservadora, e começaram a promover o encontro há cerca de três meses, afirma o deputado.

"A gente tem compromisso com esse público, que inclusive já pagou o ingresso. É seguro, da mesma forma que são seguras pequenas aglomerações do dia a dia", diz.

Entre os participantes confirmados está a nata do conservadorismo brasileiro, a começar pelo filósofo Olavo de Carvalho, cuja foto estampa a principal imagem de promoção do evento. Ele participará por videoconferência.

Também estão previstas as participações de Allan dos Santos, dono do canal Terça Livre, de deputados federais como Bia Kicis (PSL-DF), Carlos Jordy (PSL-RJ) e Alê Silva (PSL-MG) e de membros do governo, com Salim Mattar (secretário de Privatizações do Ministério da Economia) e Carlos Nadalim (secretário de Alfabetização do Ministério da Educação).

Os dois primeiros lotes de ingresso, a R$ 75 e R$ 120, já estão esgotados. Resta apenas o último lote, ao preço de R$ 150.

Segundo Coronel Sandro, não houve desistências por causa da pandemia até o momento, nem entre palestrantes, nem entre participantes.

Minas Gerais já teve dois casos confirmados de coronavírus até o momento.

Uma reunião dos organizadores deve ocorrer no final da tarde desta segunda (16), mas segundo o parlamentar, a princípio é apenas um encontro de rotina para fazer um checklist dos últimos preparativos para o congresso.

A Folha apurou, no entanto, que a possibilidade de cancelar o evento estará na pauta de discussões.

Coronel Sandro afirmou que a participação do presidente Jair Bolsonaro em um ato em Brasília no domingo (15), contrariando orientação médica, serve de estímulo.

"O presidente Bolsonaro, nos dias que antecederam o evento, ele cumpriu uma função de estadista, pediu que as pessoas não fossem. Mas houve um movimento espontâneo, e ele é uma referência para a direita. Teve uma participação mínima [no ato]", afirmou o parlamentar.

Ele próprio fez o mesmo em Belo Horizonte. Diz que não convocou ninguém para a manifestação, mas participou do ato na praça da Liberdade, no centro da cidade.

Coronel Sandro afirma que por ora não pretende se testar para o vírus. "Eu vou seguir as orientações gerais. Por enquanto não vejo necessidade", afirma.

De acordo com ele, também não houve nenhum pedido das autoridades municipais, estaduais ou federais para que o congresso seja cancelado.

Outro evento importante para a direita, o Fórum da Liberdade, que anualmente reúne liberais em Porto Alegre, foi adiado por tempo indeterminado. Estava previsto para 6 de abril.

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