Governador do Ceará defende Cid Gomes e diz que união de forças acabou com motim

Petista adota tom de apaziguamento em meio às discussões políticas e pede permanência do Exército até dia 6

Fortaleza

O governador do Ceará, Camilo Santana (PT), defendeu o senador licenciado Cid Gomes (PDT) em Sobral e afirmou que a “união de forças” acabou com o motim dos policiais militares no estado

O ministro Sergio Moro afirmou nesta segunda-feira (12) em rede social que a crise “só foi resolvida pela ação do governo federal”, em bate-boca com o ex-governador Ciro Gomes (PDT), aliado de Camilo.

Para o governador cearense, “foi a união de forças" que ajudou a contornar a crise.

"Agradeço a grande maioria da tropa que não aderiu ao motim, a Polícia Civil, os bombeiros, o Exército, a Força Nacional. Foi a união de forças tanto estadual quanto federal na tentativa de garantir a segurança da população cearense”, disse Camilo, sem citar o presidente Jair Bolsonaro ou o ministro Sergio Moro. 

Em tom de apaziguamento, na primeira entrevista coletiva após o fim da paralisação da polícia, Camilo pediu que o Exército continue no estado até o dia 6, quando vence a GLO (Garantia da Lei e da Ordem), prorrogada por Bolsonaro. 

Camilo Santana (PT), governador do Ceará
Camilo Santana (PT), governador do Ceará - Lucas Seixas - 28.ago.19/Folhapress

“É importante que o Exército permaneça no estado para reestabelecer a normalidade, enquanto os veículos e equipamentos estão sendo recuperados”, afirmou o governador, que diz ainda não ter o balanço de quantos policiais participaram do motim e quantas viaturas foram danificadas. 

Na capital cearense ainda há pouca presença da Polícia Militar neste primeiro dia de retomada do policiamento. O acordo previu que os agentes voltassem aos postos às 8h desta segunda-feira. Nas ruas, no entanto, são mais frequentes as tropas do Exército e da Força Nacional. 

O governador também reafirmou que a anistia é “inegociável” e que espera que a PEC (Proposta de Emenda Constitucional) enviada pelo governo do estado para proibir a anistia de policiais seja aprovada pela Assembleia Legislativa cearense nesta terça-feira (13). 

“A sociedade não pode ficar refém. Enviei a PEC para que não seja só uma resolução do governador. Já conversei com parlamentares de Brasília. A ideia é que se tenha uma legislação federal, proibindo a anistia no Brasil, em todos os estados”, disse Camilo. 

Camilo também criticou a “mistura da política com polícia”, mas defendeu o senador Cid Gomes, quando questionado se a atitude do pedetista, de tentar entrar no batalhão amotinado com uma retroescavadeira, não prejudicou as negociações e ajudou na radicalização dos policiais. 

“A minha interpretação sobre a atitude do senador Cid é uma atitude de indignação, de quem vê a sua cidade sendo sitiada, policiais mascarados mandando fechar o comércio da sua cidade. Isso causa indignação em qualquer um de nós”, afirmou.

Mais cedo, Moro decidiu politizar o fim do motim de policiais militares do Ceará, encerrado na noite de domingo (1º) após 13 dias.

Nas redes sociais, o ministro do governo Jair Bolsonaro disse que "prevaleceu o bom senso", "sem radicalismos", mesmo depois de 241 pessoas terem sido assassinadas no estado durante nove dias de motim.

"O governo federal esteve presente, desde o início, e fez tudo o que era possível dentro dos limites legais e do respeito à autonomia do estado. Prevaleceu o bom senso, sem radicalismos", afirmou o ex-juiz federal.

O ministro também disse que a crise local foi solucionada "apesar dos Gomes". Em mensagem, Ciro disse que, no Ceará, manda a lei e chamou Moro de "capanga". 

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