Juiz indica hospital psiquiátrico de Barbacena, em MG, para receber Adélio

Decisão é mais um passo para levar autor de facada em Bolsonaro de Mato Grosso do Sul para Minas Gerais

Belo Horizonte

A Justiça deu mais um passo para a transferência de Adélio Bispo de Oliveira, autor da facada em Jair Bolsonaro na campanha de 2018, de Mato Grosso do Sul para Minas Gerais.

O juiz Bruno Savino, da 3ª Vara Federal de Juiz de Fora (MG), solicitou encaminhamento de carta precatória do processo dele para a Vara de Execução Penal da Comarca de Barbacena, no interior do estado.

O único local disponível para Adélio cumprir a medida de segurança aplicada em sentença, segundo a decisão dele, é a instalação do Hospital Psiquiátrico de Custódia Jorge Vaz, em Barbacena.

Adélio está preso desde setembro de 2018, época do ataque ao então candidato e hoje presidente, na Penitenciária Federal de Campo Grande. Natural de Montes Claros (MG), ele manifestou diversas vezes vontade de ficar perto da família.

A decisão de Savino foi passada pela Secretaria de Saúde de Minas Gerais à DPU (Defensoria Pública da União). Barbacena fica a 583 km da terra natal de Adélio.

A Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública, que realiza a gestão de vagas do hospital, disse que recebeu documento solicitando a custódia de Adélio Bispo e está em tratativas.

O magistrado afirmou que segue convicto de que Adélio estará exposto a perigo se sair do sistema federal, já que os níveis de segurança de um hospital psiquiátrico judicial são menores do que aqueles da unidade de segurança máxima onde está.

Ele lembra ameaças relatadas pelo próprio Adélio, por parte de policiais, no momento em que foi detido em Juiz de Fora, logo depois do ataque a Bolsonaro. E cita que o próprio Adélio repetiu intenção de atentar contra Bolsonaro e o ex-presidente Michel Temer (MDB).

A defesa de Adélio no processo, o advogado Zanone Manuel de Oliveira Júnior, atualmente seu curador, também era favorável a sua permanência no presídio federal, na época da decisão.

Mas a DPU, que assumiu recentemente a posição, discordou do entendimento e pediu sua transferência a um hospital de custódia —unidades indicadas para presos que precisam de tratamento psiquiátrico, no entendimento da Justiça.

​​Savino diz que, apesar das ressalvas, o pedido de transferência tem amparo legal e jurisprudencial. Adélio declarou por escrito estar de acordo com a mudança para Minas.

No início do mês, Dalton Igor Cita Conrado, da 5ª Vara Federal Criminal de Campo Grande, autorizou a transferência de Adélio para um local adequado à medida de segurança aplicada a ele. Adélio foi considerado inimputável na sentença.

A decisão de transferência foi recomendada também por representantes do MPF (Ministério Público Federal) que, junto a DPU, monitoram a situação dele na penitenciária federal, em Campo Grande.

A Folha tentou contato com Zanone, mas não teve retorno até a publicação.

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