Descrição de chapéu Coronavírus

Toffoli diz que imprensa tem atuação impecável na crise do coronavírus

Presidente do STF foi a pronunciamento com Bolsonaro, sem chefes do Congresso

Brasília

O presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Dias Toffoli, elogiou a atuação da imprensa na noite desta quarta (18) durante entrevista coletiva ao lado do presidente da República, Jair Bolsonaro.

A declaração ocorreu após reunião entre os dois chefes de Poderes e outros representantes da Justiça e do Ministério Público no Palácio do Planalto.

"[Agradeço] a imprensa que tem tido uma atuação impecável em auxiliar nas informações necessárias à prevenção da sociedade quanto a esse drama que todos nós passamos", disse.

O presidente do STF, ministro Dias Toffoli, em pronunciamento junto com o presidente Jair Bolsonaro, nesta quarta-feira (18)
O presidente do STF, ministro Dias Toffoli, em pronunciamento junto com o presidente Jair Bolsonaro, nesta quarta-feira (18) - Pedro Ladeira/Folhapress

Mais cedo, em entrevista ao lado de ministros, Bolsonaro atacou a jornalista Vera Magalhães, colunista de O Estado de S. Paulo, e chamou a profissional de "mentirosa".

Vera publicou em suas redes sociais, na terça (17), uma mensagem dizendo que Bolsonaro, diante da crise do coronavírus, deveria desconvocar manifestações que estavam sendo chamadas por WhatsApp para o dia 31 de março (aniversário do golpe de 1964), em frente a quartéis.

"A jornalista Vera Magalhães, que foi uma mentirosa e sem qualquer compromisso com a verdade, está divulgando que eu farei um movimento 31 de março na frente dos quartéis. Esse tipo de profissional não merece respeito por parte de nós da gente aqui no Brasil. Lamento a jornalista Vera Magalhães estar divulgando uma fake news", disse Bolsonaro, que sugeriu ainda a convocação da jornalista na CPI das Fake News.

Em nota, o jornal repudiou as declarações do presidente. "Infelizmente, o presidente não respeitou os fatos. A jornalista não publicou, nem no BR Político, nem em sua coluna, nem em suas contas nas redes sociais, que o presidente 'faria um movimento' no dia 31 de março", disse. "Continuamos dedicados à nossa missão de oferecer à sociedade brasileira conteúdo de qualidade e no combate das fake news, ainda mais num momento tão crítico como o atual', afirmou o jornal.

Bolsonaro tentou costurar um encontro entre os Três Poderes desde a noite de terça (17). Apenas o presidente do STF, porém, compareceu.

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), teve o resultado de um teste para coronavírus positivo nesta quarta, de acordo com sua assessoria.

Já o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse que estava com a agenda cheia e que não compareceria ao Palácio do Planalto só "para a fotografia", sem uma pauta definida.

Além de Toffoli, participaram do encontro com Bolsonaro o procurador-geral da República, Augusto Aras, o presidente do TCU (Tribunal de Contas da União), José Múcio, o advogado-geral da União, André Mendonça, e o ministro da Secretaria Geral, Jorge Oliveira.

Ainda na coletiva da tarde desta quarta, Bolsonaro reclamou da cobertura da imprensa dos protestos do último domingo (15), que tinham bandeiras contra o Congresso e o STF, e dos quais ele participou.

"Vimos críticas [da imprensa] em cima deste evento como se fosse o único a ocorrer e como se tivesse sido convocado por mim", disse o presidente da República.

Além de ter compartilhado vídeos com convocações para as manifestações, Bolsonaro deu declarações incentivando a população a ir aos atos.

Depois de ser aconselhado por aliados, na quinta passada (12), o presidente fez um pronunciamento na TV pedindo que as pessoas não fossem às ruas por causa do coronavírus. Mesmo assim, alguns atos foram mantidos.

Criticado por seu endosso aos protestos, Bolsonaro disse que as manifestações foram espontâneas, e alegou que não estava infectado pelo vírus, por isso, não colocou em risco a vida de ninguém.

Apesar de ter modulado seu tom sobre o coronavírus reconhecendo a gravidade da doença, Bolsonaro voltou a dizer que não se pode ter "histeria".

"É grave e é preocupante, mas não devemos entrar no campo da histeria ou da comoção nacional", afirmou.

Bolsonaro já se referiu à dimensão da doença como "fantasia".

Depois da reunião, o presidente assinou um projeto de lei prevendo a criação de um comitê com o objetivo de prevenir e solucionar litígios judiciais relacionados às medidas de combate ao coronavírus.

"O objetivo é preveni-los e solucioná-los de maneira rápida. Porque todos temos a real dimensão de que a dramaticidade e o momento em que vivemos levará a uma alta de litigiosidade, para podermos ter uma atuação mais rápida possível", afirmou o presidente do STF.

Tanto Toffoli como Bolsonaro pregaram a necessidade de diálogo e união entre os Poderes para enfrentar a crise do coronavírus.

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