'Achei que eu ia morrer dentro de casa', diz Janaina Paschoal ao revelar que teve coronavírus

Deputada chegou a ser internada duas vezes após passar 14 dias com sintomas mais leves

São Paulo

A deputada estadual Janaina Paschoal (PSL-SP) afirmou neste sábado (18) que já contraiu coronavírus e ainda não se sente completamente recuperada. Ela chegou a ser internada duas vezes e afirmou que pensou que iria morrer.

A revelação foi feita ao site O Antagonista. "É uma doença que castiga muito. Ninguém que teve consegue dizer com tranquilidade 'estou curado'. Ela tem um impacto físico muito grande", afirmou.

Janaina disse que não divulgou o fato de ter contraído coronavírus para que seus pais não ficassem preocupados.

Segundo o relato da deputada, ela sentiu sintomas leves por 14 dias antes de sentir necessidade de ir ao hospital. Janaina não precisou as datas em que esteve com a doença, mas afirmou que começou após a Assembleia ter suspendido os trabalhos presenciais, o que ocorreu em 23 de março.

"Deus é tão bom pra mim que eu fiquei doente quando eu podia trabalhar à distância. Enquanto a Assembleia estava presencial, eu estava bem. Dois dias depois de Assembleia criar a votação virtual, eu perdi o olfato e o paladar", contou.

A primeira votação virtual da Assembleia ocorreu no dia 26 de março.

Janaina afirmou que, embora soubesse que a perda de olfato e paladar eram sintomas da doença, ficou na dúvida. "Na dúvida, eu usei máscara, fiquei num cantinho mais isolado da casa", disse a deputada. Os familiares que moram com ela não contraíram o coronavírus.

"Passei 14 dias trabalhando à distância, participando de todas as votações, fazendo tudo que eu tinha que fazer na minha casa, no isolamento, sem febre. Cansada, com falta de fôlego, falava cinco minutos e economizava quatro horas de fala", relatou.

Quando achou que ia melhorar, no 14º dia, Janaina piorou. "Eu piorei num grau, que eu achei que eu ia morrer dentro de casa."

Janaina foi ao hospital e fez um teste, que deu negativo. Segundo a deputada, isso ocorreu porque o vírus já não estava mais presente em seu corpo, mas os estragos estavam feitos. Posteriormente, ela fez outro teste, que verifica se há anticorpos contra o vírus no sangue, e deu positivo.

Com muita dificuldade de respirar, ela foi internada. Uma tomografia também apontou as lesões comuns aos pacientes de coronavírus.

Depois de três dias, Janaina chegou a ir para casa, mas voltou a ser internada após nova piora. Ficou mais três dias no hospital.

Em recente entrevista à Folha, a autora do pedido de impeachment de Dilma Rousseff (PT) e recordista de votos na disputa ao Legislativo nas eleições de 2018, defendeu o isolamento social praticado no estado de São Paulo.

O governador João Doria (PSDB) estendeu a quarentena até 10 de maio.

Na entrevista, Janaina também afirmou que o Brasil precisará, em 2022, de uma alternativa ao PT e ao atual presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido).

Fenômeno eleitoral que teve mais de 2 milhões de votos, ela é vista pelo PSL como uma possível candidata ao Palácio do Planalto, mas não responde quem seriam as alternativas. “Não sabemos nem quem estará vivo.”

“Em 2018, nós não tínhamos alternativa. Eu nunca fui bolsonarista, mas Bolsonaro era o único com potencial para vencer a quadrilha que eu, a duras penas, tirei do poder. Não poderia votar no PT. Eu, hoje, tenho clareza que, em 2022, precisamos de uma alternativa ao PT e a Bolsonaro”, diz a deputada.

Janaina afirmou em discurso na Assembleia Legislativa de São Paulo, que Bolsonaro deveria deixar o cargo devido ao seu comportamento durante a pandemia do coronavírus. “Esse senhor tem que sair da Presidência da República, deixa o [Hamilton] Mourão [vice-presidente], que entende de defesa, conduzir a nação”, disse, em 16 de março.

Nesse discurso do último dia 16, em reação à participação de Bolsonaro em manifestação contra os demais Poderes em meio à pandemia contrariando recomendação do Ministério da Saúde, Janaina afirmou também que se arrependeu do seu voto. A ocasião marcou um rompimento, ainda que ela sempre tenha sido crítica ao bolsonarismo.

Agora, ela evita endossar essa opinião ou falar em impeachment.

"Não acho prudente pensar em impeachment, por enquanto. Vamos torcer para que o presidente ouça os bons conselheiros e adote uma postura mais ponderada. O país precisa muito de líderes ponderados. Eu convivi com ele, sei que ele é capaz de um comportamento melhor. Precisa parar de ouvir as pessoas erradas", disse.

“Estou pensando no Brasil. Não é uma questão de manter ou mudar de opinião. Estou observando... Hoje, quero todos os esforços para o enfrentamento do vírus.”

A deputada, porém, diz que a atual crise da Covid-19 mostra que Bolsonaro “não tem grandeza para presidir”.

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