Descrição de chapéu Governo Bolsonaro

Bolsonaro defende que Polícia Federal reabra investigação sobre facada

Corporação ainda tem um inquérito em andamento sobre o caso, para apurar se houve mandante

Brasília

O presidente Jair Bolsonaro disse nesta terça-feira (28) que a investigação da Polícia Federal sobre a facada que ele recebeu durante a campanha eleitoral em 2018 foi negligenciada e que ela será reaberta pela corporação.

A declaração foi dada a apoiadores na frente do Palácio da Alvorada. No momento, ainda há uma apuração da PF sobre a facada em andamento. A investigação, que busca mostrar a existência de eventuais mandantes, comparsas ou financiadores do atentado, até o momento descartou essa hipótese.

No primeiro inquérito sobre o episódio, a PF concluiu que Adélio Bispo, que esfaqueou o então candidato em Juiz de Fora (MG), agiu sozinho e sofre de transtornos mentais. O autor foi declarado inimputável e cumpre medida de segurança na penitenciária federal de Campo Grande (MS).

“Vai ser reaberta a investigação. Vai fazer a investigação. Foi negligenciado. A conclusão foi o ‘lobo solitário’. Como é que pode o ‘lobo solitário’ com três advogados, com quatro celulares, inclusive andando pelo Brasil?”, disse Bolsonaro a uma apoiadora que o questionou sobre o assunto.

O presidente insiste que a polícia siga investigando para saber se havia um mandante por trás do ataque. Ele já havia falado sobre esse desejo na sexta-feira (24), durante o discurso que fez após a demissão do ministro Sergio Moro (Justiça).

“Eu entendo que o meu caso é 200 vezes mais fácil de solucionar do que o da [vereadora] Marielle [Franco]. O meu tem o assassino e tem uma série de indícios e quase ele teve sucesso. Eu fui salvo por milímetros”, disse a apoiadores.

Em seguida, em entrevista a jornalistas, Bolsonaro disse que poderá sugerir à PF que reabra a investigação sobre o caso. "Eu não tenho provas pessoalmente. Eu tenho é sentimentos, sugestão para dar para a Polícia Federal", disse.

"Eu acho prudente sim e não quero forçar nada, zero. Mas tem que ser aprofundado isso aí. Meu Deus do céu! Se fosse uma tentativa de assassinato de alguém da esquerda, estava até hoje alguém buzinando", acrescentou o presidente.

"Por que é que eu passei a ser um elemento descartável, diferente dos outros? Eu acho que quem é sério no país quer saber quem é que está por trás dessa tentativa de assassinato", continuou.

Apesar de admitir que pode pedir à polícia para intensificar o trabalho no caso, Bolsonaro disse que o órgão é independente. "A Polícia Federal tem que ser independente. Não só do presidente, como do ministro [da Justiça]", afirmou.

O presidente foi acusado pelo agora ex-ministro Sergio Moro, que pediu exoneração na semana passada, de querer trocar o comando da Polícia Federal para interferir em investigações.

Bolsonaro disse que tentou negociar com Moro a troca no comando da direção da PF, mas que o ex- ministro não cedeu.

"Está na lei que quem tem que indicar o chefe da PF sou eu, não ele", afirmou Bolsonaro "Para encerrar o caso Moro, ele tem que provar que eu interferi, não eu que tenho que provar que sou inocente", continuou o presidente.

O ex-juiz da Lava Jato chegou a mostrar uma troca de mensagens com Bolsonaro na qual o chefe do Executivo manda uma reportagem sobre inquérito que investiga atos pró-intervenção militar e escreve que esse seria mais um motivo para a troca do comando da PF.

As acusações de Moro motivaram a abertura de um inquérito pelo STF (Supremo Tribunal Federal), que está sob a relatoria do ministro Celso de Mello.

Nesta terça, Bolsonaro evitou comentar a investigação autorizada pela corte.

"Não acho nem exagero [a abertura do inquérito], não acho nada. Ele faz a parte dele, nós nos defendemos pela AGU [Advocacia-Geral da União]", afirmou nesta terça.

DIÁLOGO COM CENTRÃO

O presidente segue negociando com partidos do chamado centrão no Congresso para conseguir formar uma base no Parlamento e arregimentar votos suficientes para, por exemplo, barrar um processo de impeachment.

Bolsonaro tem, inclusive, oferecido cargos para integrantes dessas siglas, segundo parlamentares. O presidente, diz que tem conversado com as legendas, mas não confirma a oferta de postos no governo.

"Quando eu converso com alguém de partidos outros, vocês falam que estou oferecendo cargo. Me acuse, tudo bem, mas com racionalidade. Eu converso praticamente com todos os parlamentares. Aqueles partidos que a gente conhece", disse.

"Nunca exigi nada de ninguém. Vocês mesmos dizem que eu não tenho uma base. Realmente, eu não tenho uma base. É a consciência de cada parlamentar que decide o que eu mando para lá."

Bolsonaro, porém, falou que "não é pecado" conversar com parlamentares e que não vê problema em dialogar com partidos do centrão, como o Progressistas, antigo PP.

"Por que não vou conversar com nomes do Partido Progressista que foram meus colegas por uns 15 anos? Qual o problema? Eles que votam. Se eles têm algum pecado, o eleitor do seu estado é que deve tomar providência, não vota mais. Eu não estou aqui para julgar, condenar, acusar, pedir cassação de qualquer parlamentar. Vou fazer meu trabalho e conversar."

O presidente ainda negou ter dado a gerência do porto de Santos para o Solidariedade, conforme disse o presidente da sigla, Paulinho da Força (SP).

Ele ponderou, no entanto, que não tem controle sobre todas as nomeações das pastas.

"Agora, como já disse para vocês, tem dezenas de milhares de cargos. Você acha que eu tenho controle de tudo o que acontece? [...] Se um ministro quiser dar um cargo para alguém de um partido sem eu saber, tu acha que isso pode acontecer? Pode. Eu posso ficar sabendo? Talvez, é muito difícil. Agora, são seres humanos que estão na ponta da linha", disse.

"Em qualquer ministério pode aparecer um ato de corrupção. Pode. Até agora não apareceu. Tem pedido de impeachment com um presidente honesto, que nunca foi acusado de corrupção. Tráfico de influência."

Colaborou Joelmir Tavares, de São Paulo

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