Carlos Bolsonaro estremece acordos eleitorais em partido de Crivella no Rio

Prefeito do Rio abriu mão de aliados em troca do apoio da família Bolsonaro à sua reeleição

Rio de Janeiro

Recém-chegado ao Republicanos, partido do prefeito Marcelo Crivella, o vereador Carlos Bolsonaro já está dando as cartas e desfazendo acordos prévios do bispo no Rio de Janeiro.

O ingresso do filho do presidente Jair Bolsonaro mexeu com a lista de candidatos a vereador e desmontou negociação com o presidente da Câmara Municipal, o vereador Jorge Felippe.

Ex-sogro de Rodrigo Bethlem, que vinha articulando a campanha à reeleição de Crivella, Jorge Felippe tinha seu ingresso no Republicanos encaminhado. Tudo mudou quando Carlos Bolsonaro entrou no partido e avisou que, além de sua mãe, Rogéria Bolsonaro, levaria a tiracolo o vereador Leandro Lyra, então no Novo.

A legenda já contava com três vereadores eleitos e tinha acertado a transferência de mais um, o Zico, então no PTB. Somados Carlos e Lyra, o partido teria seis vereadores para tentar a reeleição, teto máximo admitido pela bancada atual, formada por três parlamentares ligados à Igreja Universal.

Os vereadores acreditam que Jorge Felippe seria uma ameaça por ter uma votação expressiva, maior do que a deles, mas não o suficiente para atuar como puxador de votos.

Dessa forma, não havia mais espaço no partido para o presidente da Câmara. Rejeitado, ingressou no DEM, partido do opositor de Crivella, Eduardo Paes, que quer voltar a comandar a Prefeitura.

Com o escanteamento de Jorge Felippe e de Bethlem, Crivella sinalizou que prioriza sua aliança com a família Bolsonaro em detrimento da manutenção de um bom relacionamento com o presidente da Câmara.

A decisão é arriscada, já que o prefeito chegou a ser alvo de um processo de impeachment no ano passado e depende da boa vontade do presidente da Câmara para pautar projetos favoráveis à prefeitura.

Com alto índice de rejeição e enfrentando crise fiscal, Crivella se escora na aliança selada com Bolsonaro para lutar pela reeleição.

O acordo foi oficializado na semana passada, também com a entrada no Republicanos do senador Flávio Bolsonaro, que precisava se filiar a um partido para garantir vaga em comissões da Casa. O ingresso de Flávio foi negociado com o presidente nacional do partido e ocorreu independentemente da entrada do irmão, encaminhada no Rio.

Para agradar Bolsonaro, o prefeito está disposto a fazer importantes concessões. Além de prejudicar sua relação com o presidente da Câmara, Crivella foi obrigado a aceitar em seu partido Leandro Lyra, um vereador que, assim como Carlos, votou a favor da abertura do processo de impeachment contra ele.

A própria candidatura de Carlos ainda não é uma certeza e deve ser definida apenas na metade do ano. Campeão de votos para a Câmara Municipal nas últimas eleições, o filho do presidente pode conseguir votação ainda maior e puxar outros vereadores, de acordo com o sistema proporcional em lista aberta.

O sistema funciona a partir do quociente eleitoral: o número de votos que um partido precisa para obter uma vaga na Câmara. Esse quociente é calculado pela soma de todos os votos válidos divididos pelo total de cadeiras na Casa.

Se o quociente eleitoral é de, por exemplo, 60 mil, e todos os candidatos de um partido reúnem 600 mil votos, esse partido elegerá 10 vereadores. Assim surge a figura dos "puxadores de voto", como Carlos, que têm uma votação suficientemente expressiva para eleger a si próprios e, de quebra, outros candidatos da legenda.

Nas últimas eleições, em 2016, o quociente eleitoral no Rio foi de 58 mil votos. Carlos teve 106 mil. Com o aumento de visibilidade diante da eleição presidencial de seu pai, é esperado que o vereador consiga impulsionar essa votação, caso decida se candidatar.

Com a candidatura de Carlos, o partido sonha em eleger oito vereadores, mas deve emplacar cinco. Sem ele, o cálculo cai para quatro.

Se não concorrer, o filho do presidente deve atuar nos bastidores, batalhando pela candidatura da mãe e de Crivella. Surgiram rumores, inclusive, de que Carlos poderia assumir o comando das redes sociais da campanha do prefeito, replicando estratégia que ajudou na vitória de Jair Bolsonaro.​

Questionado sobre qual será o papel dos filhos do presidente na campanha de Crivella, o presidente estadual do Republicanos, Luis Carlos Gomes, afirmou que o prefeito está focado no combate ao coronavírus e que a estratégia será discutida mais adiante.

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