Descrição de chapéu Coronavírus

Relembre os embates entre Bolsonaro e Mandetta na crise do coronavírus

O ministro da Saúde foi demitido nesta quinta-feira (16)

São Paulo

O ministro Luiz Henrique Mandetta (Saúde) foi demitido nesta quinta-feira (16) pelo presidente Jair Bolsonaro, após um longo processo de embate entre eles diante das ações de combate ao coronavírus.

Mandetta, que viu sua popularidade crescer desde o início da crise e chegou a ganhar apoio dos militares do Planalto para continuar no cargo, foi alvo de críticas desde que cedeu entrevista à TV Globo neste domingo (12). Ao programa Fantástico disse que brasileiro "não sabe se escuta o ministro da saúde, se escuta o presidente, quem é que ele escuta".

Relembre, a seguir, os embates entre o presidente e o ministro desde o início da crise.

É 'não' para todo mundo

Contradizendo orientações do ministério da Saúde, Bolsonaro participa de protestos pró-governo no dia 15 de março. Naquele momento havia 200 casos confirmados no Brasil e 1.917 suspeitos.

Sem máscara, o presidente segue até simpatizantes e manuseia o celular de alguns apoiadores para fazer selfies. "Isso não tem preço", diz, durante transmissão ao vivo em suas redes sociais. Ele ainda faria um teste para saber se havia contraído o coronavírus.

Questionado naquele dia pela imprensa, o ministro afirma: “É ilegal? Não. Mas a orientação é não. E continua sendo não para todo mundo”.

Humildade

Em 2 de abril, Bolsonaro afirma que está "faltando humildade" ao ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta. Foi o primeiro de muitos conflitos explícitos.

"O Mandetta quer fazer muito a vontade dele. Pode ser que ele esteja certo. Pode ser. Mas está faltando um pouco mais de humildade para ele, para conduzir o Brasil neste momento difícil que encontramos e que precisamos dele para vencer essa batalha”, diz, em entrevista à Jovem Pan.

Em resposta, o ministro diz que não comentaria as declarações do presidente. Mas afirma: "Ele tem mandato popular, e quem tem mandato popular fala, e quem não tem, como eu, trabalha".

Usar a caneta

Em 5 de abril, Bolsonaro ameaça "usar a caneta" contra ministros que "viraram estrelas". "[De] algumas pessoas do meu governo, algo subiu à cabeça deles. Estão se achando demais. Eram pessoas normais, mas, de repente, viraram estrelas, falam pelos cotovelos, tem provocações", afirma.

No dia seguinte, Mandetta questiona Bolsonaro sobre o motivo pelo qual não o demite, e o presidente fica em silêncio.

Ministros militares, que naquele dia conseguem demover Bolsonaro da ideia de exonerar o ministro da Saúde, tentam contornar a situação. Mandetta também questiona o motivo de sua nomeação, já que o presidente não o ouve.

Recados em discurso

Após um dia inteiro de indefinição por parte do governo, naquela mesma segunda (6), Mandetta anuncia que ficaria na pasta de Saúde. E dá alguns recados a Bolsonaro.

Em pelo menos dois trechos de seu pronunciamento, ele fala insistentemente no respeito à ciência, além de citar O Mito da Caverna, alegoria usada para ilustrar o conflito entre a ignorância e o conhecimento.

O ministro reclama de "mais um solavanco" durante o seu trabalho e apoia as medidas dos governadores, que se tornaram os antagonistas do presidente na crise de saúde.

Crítica ao presidente em Goiás

​Neste último sábado (11), Bolsonaro provoca aglomerações com apoiadores em Águas Lindas de Goiás, quando visitou obra de hospital de campanha. Mandetta, que também está na cidade e observa a multidão à distância, critica o presidente.

"​Posso recomendar, não posso viver a vida das pessoas. Pessoas que fazem uma atitude dessas hoje daqui a pouco vão ser as mesmas que vão estar lamentando"​, afirma.

Entrevista para o Fantástico

Em entrevista neste domingo (12) para o programa Fantástico, da TV Globo, Mandetta diz que o brasileiro "não sabe se escuta o ministro da saúde, se escuta o presidente, quem é que ele escuta".

"Espero que essa validação dos diferentes modelos de enfrentamento dessa situação possa ser comum e que a gente possa ter uma fala única, uma fala unificada. Porque isso leva para o brasileiro uma dubiedade", afirma.

Erro

Nesta terça, Mandetta afirma a interlocutores que cometeu um erro ao dar a entrevista ao Fantástico e reconhece que, diante disso, seu cargo está novamente ameaçado.

Bolsonaro, então, vê uma brecha para, novamente, tentar a demissão: dessa vez, percebe agora menor movimentação em defesa do ministro, tanto dos militares de sua equipe quanto nas redes sociais.

Tocar o barco

Na manhã de quarta (15), Bolsonaro afirma a apoiadores que o aguardam na frente do Palácio do Alvorada pela manhã que resolverá "a questão da Saúde".

"Pessoal, estou fazendo a minha parte", disse o presidente. "Resolveremos a questão da Saúde no Brasil para tocar o barco". A fala ocorre em meio ao fortalecimento dos boatos de demissão do ministro.

'Descompasso'

Em uma entrevista coletiva em tom de despedida Henrique Mandetta, afirma na quarta (15), véspera de sua demissão, ao lado de sua equipe, que há um descompasso em relação ao que defende o presidente Jair Bolsonaro e volta a dizer ter apenas o caminho da ciência a oferecer

Demissão

Mandetta é demitido, na quinta-feira (16), pelo presidente Jair Bolsonaro, após um longo processo de embate entre eles diante das ações de combate ao coronavírus.

O presidente anunciou o oncologista Nelson Teich no lugar de Mandetta, que confirmou sua demissão por meio de sua conta no Twitter.

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