Descrição de chapéu Governo Bolsonaro

Defesa de Moro diz que governo omite trechos de reunião e vê 'disparidade de armas' em inquérito

Advogado do ex-ministro afirma que transcrição divulgada pela AGU provoca desigualdade de acesso a informações relativas às partes

Brasília

O ex-ministro da Justiça Sergio Moro, através de seus advogados, afirmou que a AGU (Advocacia Geral da União) omitiu trechos da reunião ministerial em petição apresentada ao STF (Supremo Tribunal Federal) pedindo a divulgação parcial do vídeo.

O advogado de Moro, Rodrigo Sanchez Rios, afirmou que a transcrição parcial da reunião revela uma “disparidade de armas”, termo usado no mundo jurídico para caracterizar a desigualdade de acesso a informações relativas às partes de uma ação.

“A transcrição parcial revela disparidade de armas, pois demonstra que a AGU tem acesso ao vídeo, enquanto a defesa de Sergio Moro não tem”, afirmou Rios em nota.

Nesta quinta-feira (14), a AGU incluiu a transcrição de trechos de falas do presidente Jair Bolsonaro durante a reunião ministerial de 22 de abril.

O documento pede ao relator do processo, ministro do STF Celso de Mello, que torne público apenas o que foi dito pelo presidente, com exceção a menções ao comportamento de outras nações. As falas dos ministros, para o órgão, devem ser mantidas em sigilo.

De acordo com a AGU, os trechos transcritos por ela na petição são os únicos referentes às acusações do ex-ministro da Justiça presentes no vídeo relevantes ao caso.

Em um dos trechos transcritos pela AGU, Bolsonaro diz que não iria esperar "f." alguém de sua família ou amigo dele.

"Já tentei trocar gente da segurança nossa no Rio de Janeiro oficialmente e não consegui. Isso acabou. Eu não vou esperar f. minha família toda de sacanagem, ou amigo meu, porque eu não posso trocar alguém da segurança da ponta de linha que pertence à estrutura. Vai trocar; se não puder trocar, troca o chefe dele; não pode trocar o chefe, troca o ministro. E ponto final. Não estamos aqui para brincadeira."

A defesa de Moro contesta a posição do órgão do governo.

De acordo com Rios, apesar da petição conter transcrições literais de trechos das declarações do presidente, elas omitem o contexto em que foram ditas e “trechos relevantes para a adequada compreensão”.

“A transcrição parcial que busca apenas reforçar a tese da defesa do Presidente reforça a necessidade urgente de liberação da integralidade do vídeo”, afirmou o defensor na nota.​

Na quarta (13), a defesa do ex-ministro pediu a Celso de Mello que divulgue a íntegra do vídeo anexado ao inquérito que apura suposta interferência de Bolsonaro na autonomia da Polícia Federal. Segundo Moro, a tentativa do presidente foi evidenciada na reunião.

Além do desejo de trocar o então diretor-geral da corporação, Maurício Valeixo, na ocasião Bolsonaro também teria expressado o interesse em mudar o superintendente da PF no Rio de Janeiro.

Segundo a transcrição apresentada pela AGU, o presidente afirma que vai interferir em órgãos de segurança, inclusive a PF.

“Pô, eu tenho a PF que não me dá informações; eu tenho a inteligência das Forças Armadas que não tem informações; a Abin tem os seus problemas, tem algumas informações, só não tem mais porque tá faltando realmente… temos problemas… aparelhamento etc. A gente não pode viver sem informação”, disse.

Após se queixar de não estar recebendo informações da corporação e de outros órgãos de segurança, Bolsonaro afirma: "E me desculpe o serviço de informação nosso —todos— é uma vergonha, uma vergonha, que eu não sou informado, e não dá para trabalhar assim, fica difícil. Por isso, vou interferir. Ponto final”.

A menção à PF na transcrição feita pelo próprio órgão de do governo desmente o presidente da República que, na quarta, insistiu que não tinha citado a corporação no vídeo.

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