Flávio teve plano de saúde e mensalidade de escolas pagos com dinheiro vivo, diz MP-RJ

Suspeita da Promotoria é que Queiroz tenha realizado os pagamentos com dinheiro da rachadinha

Rio de Janeiro

O senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) teve a maior parte das contas de plano de saúde e mensalidade escolar de suas filhas pagas com dinheiro vivo, apontou o Ministério Público do Rio de Janeiro.

De acordo com a Promotoria, cerca de 70% do valor pago por esses dois serviços foi quitado em espécie entre os anos de 2013 e 2018.

O plano de saúde da família do senador foi praticamente todo quitado em espécie, de acordo com a investigação. Foram 63 boletos pagos na boca do caixa com dinheiro vivo, que somam R$ 108.407,98. As contas do casal só registram débitos de R$ 8.965,45 para o serviço.

Já a escola das netas do presidente Jair Bolsonaro tiveram 53 boletos pagos com dinheiro vivo, somando R$ 153.237,65. As contas de Flávio e Fernanda, mulher do senador, apresentam débito de apenas R$ 95.227,36.

Os promotores afirmam no pedido de prisão do ex-policial militar Fabrício Queiroz que o casal não realizou saques em valores correspondentes ao pagamento dos boletos. A suspeita é que o dinheiro usado seja proveniente da “rachadinha” no antigo gabinete de Flávio na Alerj. Queiroz foi assessor de Flávio de 2007 a 2018.

A investigação identificou ao menos uma oportunidade em que o pagamento dos boletos escolares foi feito por Queiroz. Imagens do banco Itaú mostram o ex-assessor de senador realizando um pagamento na mesma hora e valor da quitação feita em favor das filhas de Flávio.

O pagamento ocorreu em outubro de 2018, mês em que Queiroz foi demitido.

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O ex-policial militar Fabrício Queiroz em Atibaia, onde foi preso. Ele é suspeito de operar um esquema de rachadinha no gabinete de Flávio Bolsonaro na Alerj, onde o hoje senador foi deputado estadual de 2003 a 2019 - Divulgação/MP-RJ

Os investigadores afirmam que o dinheiro vivo usado por Queiroz nessa e em outras transações é fruto da "rachadinha" investigada no antigo gabinete de Flávio na Assembleia Legislativa.

A suspeita é que os funcionários do senador repassavam parte do salário ao PM aposentado, apontado como operador financeiro do esquema.

Os investigadores desconfiam que parte do dinheiro vivo tinha como destino o senador. Eles apuram o uso de recursos em espécie na compra de dois apartamentos em Copacabana, na aquisição de mobiliário para um apartamento na Barra da Tijuca e em depósitos na loja de chocolate de Flávio.

O senador também pagou em dinheiro vivo uma dívida junto a uma corretora em razão de investimentos na Bolsa de Valores. Quitou ainda em espécie o empréstimo feito pelo policial militar Diego Ambrósio, que quitou uma das parcelas da compra de um imóvel para Flávio.

Essas transações, para os promotores, eram uma forma de lavagem do dinheiro obtido com a "rachadinha" —prática em que funcionários são coagidos a devolver parte de seus salários​.

Em nota sobre a questão dos pagamentos, o senador Flávio disse que "trata-se de mais uma ilação de alguns promotores de injustiça do Rio". "O patrimônio do senador é totalmente compatível com seus rendimentos e isso ficará inequivocamente comprovado dentro dos autos."

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