Candidato à reeleição, Kalil acumula novos débitos de IPTU, e dívida com a própria prefeitura atinge R$ 243 mil

De 2017 e 2019, prefeito de Belo Horizonte não pagou R$ 93 mil em impostos e foi cobrado pela prefeitura

São Paulo

O prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PSD), que concorre à reeleição neste ano, deve R$ 243 mil de IPTU à prefeitura que comanda. A dívida, referente a cinco imóveis em seu nome, se acumula desde 2001 e continuou a crescer durante seu mandato.

Entre 2017 e 2019, segundo levantamento da Folha, o prefeito deixou de pagar R$ 93.240,42 referentes ao imposto. Nesse período, as dívidas foram protestadas em cartório nove vezes. A última ocasião em que a prefeitura cobrou a dívida por meio de protesto foi em 27 de agosto de 2019.

O prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil, durante entrevista coletiva sobre medidas de combate ao coronavírus - Amira Hissa - 19.jun.2020/Divulgação PBH

A dívida de Kalil com a prefeitura veio à tona na campanha de 2016 e foi usada por adversários para atacá-lo. Como o débito perdura quatro anos depois, o tema promete voltar a gerar questionamentos na eleição deste ano –em que Kalil é considerado favorito.

Dias antes do segundo turno, em 2016, Kalil prometeu que não assumiria a Prefeitura de BH sem pagar o IPTU. Em entrevista à TV Globo, no dia 25 de outubro, ainda antes do segundo turno, o então candidato afirmou que a dívida estava paga e que o assunto estava superado.

"Mas eu já paguei, estou pagando, né? [...] Mas esse assunto já está superado e esse problema tão grande que eles criaram, depois de revirar a minha vida, foi esse IPTU e isso já está resolvido, né?", afirmou à TV Globo.

Segundo ele, o valor do débito não era de R$ 500 mil, como divulgado à época, mas de R$ 120 mil.

Como mostrou a Folha, Kalil descumpriu a promessa e assumiu a prefeitura sem quitar o débito com a administração municipal, que somava R$ 297 mil. Na época, o prefeito pagou R$ 78 mil e acertou o parcelamento do restante em até 96 meses (oito anos).

Na semana passada, ao jornal Estado de Minas, Kalil disse que segue devendo o IPTU, mas não revelou o montante da dívida nem entrou em detalhes sobre o tema. “O que eles tinham pra falar de mim, que eu devia IPTU, eu continuo devendo”, disse ao referir-se a adversários políticos.

O atual débito de IPTU refere-se a três propriedades em bairros nobres de Belo Horizonte (Serra e Savassi), uma em bairro da região norte (Venda Nova) e uma em bairro da região leste (Santa Tereza). Mesmo após assumir a prefeitura, Kalil deixou de pagar IPTU referente a três desses imóveis nos anos de 2017, 2018 e 2019.

Desde 2017, a dívida de IPTU acumulada somente na propriedade de Venda Nova supera R$ 68 mil.

Na eleição municipal de 2016, Kalil declarou patrimônio de quase R$ 2,8 milhões e investiu R$ 2,4 milhões do próprio bolso em sua campanha. O prefeito afirma que vendeu um imóvel para bancar sua candidatura.

Kalil foi presidente do Clube Atlético Mineiro e é sócio de duas empresas de construção civil. Sua dívida de IPTU e dívidas trabalhistas das empresas foram a principal acusação contra ele na campanha passada.

Procurado pela Folha, o prefeito afirmou que pagou parte da dívida em 2016, mas continua devendo.

"Isso porque não roubei, não enriqueci na prefeitura nem usei do cargo para me beneficiar. Estranho seria se as dívidas tivessem desaparecido. Nenhum tratamento especial foi dado a mim", afirmou.

"Inclusive, as dívidas que o município tem comigo e com minha família também não tiveram nenhum tipo de tratamento diferenciado. Minha dívida foi processada como as dos milhares de cidadãos que também tem débitos", completou.

Segundo Kalil, uma de suas empresas, a Erkal, tem R$ 1,5 milhão a receber da prefeitura por serviços prestados, como o asfaltamento de ruas ao município. Em 2016, a empresa chegou a ter a falência decretada pela Justiça devido a uma dívida, mas a decisão foi suspensa.

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