Descrição de chapéu Eleições 2020

Eleição em Curitiba tem racha da centro-direita e disputa pelo cobiçado governador Ratinho Jr.

Entre os principais pré-candidatos, quatro são de partidos desse campo político; Rafael Greca (DEM) vai tentar a reeleição

Curitiba

Com um eleitorado tradicionalmente conservador, a disputa para a Prefeitura de Curitiba em 2020 está dividindo o campo da centro-direita, vencedor na maior parte dos pleitos na capital paranaense.

Entre os principais pré-candidatos, pelo menos quatro são de partidos desse espectro político, como o próprio prefeito, Rafael Greca (DEM), que vai tentar a reeleição.

A pré-campanha tem alguns temperos a mais, como brigas intrapartidárias em torno da definição de nomes e atrás do cobiçado apoio do governador Ratinho Jr. (PSD).

No entanto, ele já avisou que deve ficar neutro ao menos no primeiro turno da disputa. Greca e o deputado federal Ney Leprevost (PSD) são os protagonistas da queda de braço em torno do governador.

“Isso me libera de ter a mesma postura. Se ele [Ratinho] for neutro, eu serei na próxima eleição [de 2022] neutro. Amor com amor se paga”, avisa o atual prefeito diante da possível neutralidade de Ratinho.

O governador do Paraná, Ratinho Jr., durante anúncio de medidas para conter o avanço da pandemia no estado, em março
O governador do Paraná, Ratinho Jr., durante anúncio de medidas para conter o avanço da pandemia no estado, em março - Eduardo Matysiak/Futura Press/Folhapress

O aceno de Greca ao governador ocorreu principalmente com a filiação de seu vice, Eduardo Pimentel, no PSD. A jogada ameaçou a pré-candidatura de Leprevost, que garante, de outro lado, ser o nome oficial do partido na disputa, mesmo sem apoio explícito de Ratinho.

“Me dediquei mais à campanha do governador do que à minha própria de deputado federal [em 2018] em Curitiba. O eleitor firme dele [Ratinho] já vem naturalmente comigo, independente de exposição pública manifestando apoio”, avalia.

Greca e Leprevost já se enfrentaram no segundo turno do último pleito, do qual o atual prefeito saiu vencedor com diferença de seis pontos percentuais. O então prefeito Gustavo Fruet (PDT), que também quer retomar a cadeira em 2021, amargou o terceiro lugar na ocasião.

A derrota, na opinião do hoje deputado federal, foi consequência de uma “perseguição” do então governador, Beto Richa (PSDB), sobre a gestão municipal, principalmente na falta de liberação de recursos para pavimentação e subsídio sobre o preço da passagem de ônibus.

“O nível de investimento na nossa gestão foi maior do que o da atual, mesmo com a perseguição estadual”, defende Fruet, alternativa mais à esquerda no jogo político local. Ele acredita, porém, que a ideologia tem menor importância na escolha em comparação à eleição nacional.

O parlamentar ainda luta para ser o candidato do PDT, já que não é descartado o nome do deputado ​Goura Nataraj para encabeçar a campanha. Mestre em filosofia e professor de yoga, o político tem se destacado na oposição a Ratinho na Assembleia Legislativa. “São perfis diferentes para a eleição, mas tem que entrar pra ganhar, não pra marcar posição”, diz Fruet.

O prefeito de Curitiba, Rafael Greca, em cerimônia de inauguração da fazenda urbana da cidade, em junho
O prefeito de Curitiba, Rafael Greca, em cerimônia de inauguração da fazenda urbana da cidade, em junho - Robson Mafra/AGIF

Mais à direita do que os outros políticos, aparece o deputado estadual Delegado Francischini (PSL). Principal apoiador do presidente Jair Bolsonaro no Paraná, até hoje ele não ocupou cadeiras eletivas no Executivo.

Por quatro meses, foi secretário de segurança do governo Richa (2015-2018), cargo em que protagonizou o controverso cerco a professores que protestavam contra um pacote de austeridade do tucano, episódio que acabou com mais de 200 feridos.

“No novo normal, vamos ter que trabalhar em conjunto com a iniciativa privada para fazer a roda da economia curitibana girar, principalmente em serviços”, propõe o parlamentar.

Na última eleição, Francischini obteve recorde de votos para o Legislativo estadual, levando seu partido a formar a maior bancada, base de Ratinho. Ele ainda emplacou o filho, Felipe Francischini (PSL), para a Câmara Federal, na qual preside a Comissão de Constituição e Justiça.

Ainda no campo da direita, deve estrear nas urnas o médico oftalmologista João Guilherme, do Novo. Ao lado dos demais pré-candidatos, faz coro às críticas sobre o controle da pandemia do novo coronavírus em Curitiba por parte do atual prefeito.

“A eleição não pode atrapalhar o enfrentamento da Covid-19 e nem devia influenciar as críticas desinformadas de quem quer ganhar espaço no debate eleitoral”, defende-se Greca.

Outra recordista de votos no Paraná, mas para a Câmara Federal em 2014, a deputada Christiane Yared (PL) promete contrapor os demais pré-candidatos na análise da atual gestão.

“Ele [Greca] jamais achou que teríamos uma pandemia. Não sou de criticar e não vejo como isso vá acrescentar no debate”, avalia a parlamentar, cujo partido faz parte da base de Bolsonaro no Congresso e de Ratinho na Assembleia Legislativa do Paraná.

Em seu segundo mandato na Câmara, Yared atua principalmente na área de trânsito. Há 11 anos, ela perdeu o filho, Gilmar, que teve o carro atingido pelo então deputado estadual, Carli Filho, condenado a sete anos de prisão pela responsabilidade do ocorrido.

Ex-prefeito da capital, quando assumiu o mandato deixado por Richa, em 2010, o deputado federal Luciano Ducci (PSB) também tem o nome cotado para o Executivo, por vontade do presidente nacional do partido, Carlos Siqueira. No segundo mandato na Câmara Federal, Ducci não chegou ao segundo turno quando tentou a reeleição em 2012, vencida por Fruet.

Enfraquecido após denúncias de corrupção envolvendo Richa e outros figurões da sigla, o PSDB não exclui a possibilidade de candidatura própria à prefeitura com Edson Lau, presidente do diretório do partido em Curitiba. Ele foi assessor de secretaria na gestão tucana na capital.

O ex-deputado federal João Arruda (MDB), sobrinho do ex-governador e ex-senador Roberto Requião, também deve entrar na disputa. Ele tentou ocupar a cadeira de governador em 2018, mas ficou em terceiro lugar, com 13% dos votos. Mesmo derrotado, aposta na projeção que a candidatura lhe rendeu para se apresentar como alternativa ao eleitor curitibano.

Derrotado na maior parte das eleições na capital paranaense—emplacou até hoje apenas uma vice-prefeitura na gestão de Fruet (2012-2016)— o PT escolheu como pré-candidato o professor de direito do trabalho na Universidade Federal do Paraná Paulo Opuszka. Já o PSOL optou pelo nome de Diego Xavier, primeiro postulante assumidamente gay a disputar a prefeitura na história de Curitiba.

Republicanos, Podemos e Patriota também querem apresentar alternativas de voto aos eleitores curitibanos. O primeiro pretende lançar o atual deputado federal Luizão Goularte para a prefeitura. Em 2012, ele foi reeleito prefeito de Pinhais, município da região metropolitana da capital, com o maior porcentual de votos do país: 93,4%.

Já o Podemos aposta no nome de Caroline Arns, filha do senador Flávio Arns (Rede), e o Patriota pretende emplacar o advogado e professor de gestão pública Thiago Chamulera.

O PV municipal também já aprovou o nome do historiador e ambientalista Renato Mocellin, professor de um curso pré-vestibular, como pré-candidato da legenda à prefeitura de Curitiba.

O PTC, com Zé Boni, e o PCdoB, com Camila Lanes, igualmente devem lançar candidatos ao Executivo municipal. Os nomes do deputado federal Paulo Martins (PSC) e da deputada estadual Maria Victória (Progressistas) também não são excluídos do pleito em Curitiba.

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