Silvio Almeida e Angela Alonso estreiam colunas em seção de política da Folha

Dinâmicas sociais do país e racismo são temas a serem abordados pelos estudiosos

São Paulo

O advogado, professor e escritor Silvio Almeida estreia nesta sexta-feira (7) como colunista do caderno Poder da Folha. Almeida escreverá a cada duas semanas, revezando o espaço com a socióloga Angela Alonso, com a primeira coluna prevista para a próxima sexta-feira (14).

As duas colunas de opinião estarão disponíveis em todas as plataformas do jornal. Reinaldo Azevedo seguirá com suas colunas publicadas todas às sextas-feiras.

Conhecido pela obra “Racismo Estrutural” (2019), Almeida, 43, é doutor em filosofia e teoria do direito pela USP, professor da Fundação Getulio Vargas (FGV-SP) e da Universidade Mackenzie.

"O grande desafio de ter uma coluna é lidar com a complexidade do mundo e lembrar que o negro pode falar de diversos assuntos e não só da questão racial”, afirma o professor, presidente da Fundação Luiz Gama e autor de diversos livros sobre filosofia, racismo e consciência de classe.

Tendo como essência a política, Almeida acredita que seus textos vão refletir toda a sua formação acadêmica, que envolve direito, economia e filosofia. “Vou falar muito do Brasil, que é o meu objeto de estudo, e também citar a cultura pop. Gosto de música, literatura de quadrinhos”, afirma.

Silvio Luiz de Almeida, e retrato da socióloga Angela Alonso - Alex Deitos/Divulgação e Bruno Santos/ Folhapress

Angela Alonso, 51, vai migrar sua coluna na Folha da Ilustríssima para Poder. “Na época do impeachment [de Dilma Rousseff] eu passei a falar de política, então só farei essa transição de um caderno para o outro”, afirma a socióloga, que escreveu sobre o abolicionismo e outros movimentos sociais e intelectuais do final do século 19 até se ver imersa nos movimentos de 2013 e suas consequências.

Alonso tem se dedicado mais à política pelo calor dos acontecimentos. “Comecei a falar sobre como o país vinha crescendo mais à direita, depois dos riscos em torno da ocorrência desse impeachment, do risco da eleição com Bolsonaro até os problemas decorrentes de termos um político desse perfil.”

Em Poder, diz, essa análise se manterá. “Falarei também de temas que dizem respeito à dinâmica da sociedade. Como se forma uma sociedade que permite esse gênero de política, que reproduz e perpetua a desigualdade, por exemplo”, afirma a socióloga.

Alonso é professora de sociologia da USP e pesquisadora do Cebrap (Centro Brasileiro de Análise e Planejamento), que presidiu de 2015 a 2019. É doutora em sociologia pela USP, com pós-doutorado na Yale University.

Entre os livros publicados, estão "Ideias em Movimento: a Geração 1870 na Crise do Brasil-Império (2001) e "Joaquim Nabuco: os Salões e as Ruas" (2007), que foram traduzidos para o francês.

Com "Flores, Votos e Balas: o Movimento Abolicionista Brasileiro (1868-1888)", de 2015, venceu o prêmio Jabuti de Ciências Humanas e o Prêmio Academia Brasileira de Letras de melhor livro do ano. Também foi premiada pela CNPq/Anpocs (2001) e pela John S. Guggenheim Foundation (2009).

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