Descrição de chapéu Eleições 2020

Aliados de Russomanno fazem últimas apostas por aliança com PSL de Joice

Vista como improvável, composição de chapa em SP com antigo partido de Bolsonaro ainda é negociada

São Paulo

Enquanto o PSL de São Paulo, rompido com Jair Bolsonaro, insiste na candidatura de Joice Hasselmann para a prefeitura, aliados do pré-candidato Celso Russomanno (Republicanos) avaliam como improvável mas ainda não descartam uma composição com o ex-partido do presidente da República.

Como revelou a Folha, o Palácio do Planalto negocia com o presidente do PSL, Luciano Bivar, uma intervenção em São Paulo para retirar a candidatura da deputada Joice Hasselmann e indicar um nome do PSL para a vaga de vice de Russomanno.

Isso serviria à negociação de Bolsonaro para retornar ao PSL ao mesmo tempo em que fortaleceria a candidatura de Russomanno, apoiada pelo presidente, e que poderia, em caso de vitória, servir-lhe de trincheira em São Paulo na eleição de 2022.

Membros do PSL e do Republicanos, porém, consideram que uma aliança entre os partidos é difícil e há pouco tempo para as definições. A convenção que irá oficializar a chapa de Russomanno está marcada para esta quarta-feira (16), e o registro das candidaturas segue até o final deste mês.

As negociações esfriaram ainda na segunda (14), depois que Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) criticou em rede social o deputado federal Antônio Nicoletti, que vai disputar a Prefeitura de Boa Vista (RR) pelo PSL, por querer associar seu nome ao do presidente. A publicação provocou crise na ala do PSL simpática a Bolsonaro.

Da parte do PSL paulista, aliados de Joice, como o deputado federal Júnior Bozzella e o senador Major Olímpio, afirmam terem freado as articulações do Planalto contra ela. O partido registrou a candidatura da deputada junto à Justiça Eleitoral nesta terça-feira (15).

Ainda assim, uma decisão de Bivar pela coligação com o Republicanos seria legalmente possível, mas abriria uma guerra judicial com o PSL-SP e implodiria o partido internamente. Por isso, a jogada é vista como politicamente duvidosa.

No Palácio do Planalto, a operação era dada como de difícil execução no começo da noite de terça, mas ainda havia conversas para acontecer. Houve demora nos ajustes, e o tuíte de Eduardo dificultou a posição de Bivar ante os outros candidatos do partido.

Aliados de Russomanno já admitem a opção de chapa pura e avaliam que fechar uma coligação com um partido que já registrou sua candidata é missão quase impossível —mas afirmam que não é possível decretar que esse caminho naufragou de vez.

Os últimos acertos da chapa de Russomanno devem ficar para a manhã desta quarta, horas antes da convenção virtual marcada para as 14h. Caso o PSL de fato indique um candidato a vice de Russomanno, o nome não deve ser o de Joice.

Como mostrou o Painel, Russomanno busca um vice militar para colar sua candidatura ao presidente Bolsonaro. O ativista bolsonarista Major Costa e Silva foi procurado e recusou, por já ter o compromisso de ser candidato a vereador pelo PTB de Roberto Jefferson.

São cogitados ainda os nomes do coronel Marcelino (Republicanos), ex-corregedor da Polícia Militar de São Paulo, e do deputado estadual Major Mecca (PSL), caso a composição com Bivar ocorra. Mecca, porém, afirmou à Folha que está focado em seu mandato legislativo.

Entre os quadros do Republicanos, uma chapa com o deputado federal Pastor Marco Feliciano também chegou a ser pensada.

Russomanno, que resistia a ideia de ser candidato a prefeito, só abraçou a missão após ter a sinalização de Bolsonaro de que teria seu incentivo. O pré-candidato esteve com o presidente em três ocasiões e afirmou à Folha ter seu apoio e seu carinho.

O hoje pré-candidato do Republicanos largou na frente nas pesquisas em 2012 e 2016, mas terminou em terceiro.

Com Bolsonaro e um vice do PSL, Russomanno aumentaria suas chances eleitorais. O PSL é o partido com o segundo maior tempo de TV e o segundo maior fundo eleitoral, com R$ 199 milhões.

A ideia de Bolsonaro é construir uma candidatura forte para bater o favorito Bruno Covas (PSDB), candidato à reeleição. A chapa de Covas, com dez partidos, incluindo MDB e DEM, é um ensaio para a candidatura ao Planalto de João Doria (PSDB), adversário do presidente.

Como se daria a participação de Bolsonaro na campanha de Russomanno ainda é uma incógnita. Adversários apostam que o presidente só demonstraria apoio no segundo turno.

Joice, por sua vez, não está disposta a ceder sua candidatura. Uma intervenção de Bivar teria que passar por cima da comissão provisória municipal, presidida por ela. Segundo advogados ouvidos pela reportagem, o fato de o PSL paulistano não estar organizado em diretório, mas em convenção provisória, abre espaço para decisões de cima para baixo.

Bivar poderia ainda rejeitar a ata da convenção do PSL que lançou Joice e aprovar novo documento, com a determinação de que o PSL seja vice.

Bozzella, coordenador da campanha de Joice, afirmou ter sido procurado por interlocutores de Russomanno para tentar uma composição —que, para ele, deveria ser construída pela conversa e não por intervenção.

Para o deputado, a possibilidade de uma intervenção de Bivar é pura especulação, está superada e não foi tratada no partido. Bozzella afirma que estaria disposto a conversar sobre Russomanno ser vice de Joice, mas não o contrário.

Russomanno era cotado para a vice de Covas, mas o acerto com os tucanos não vingou.

“A Joice sempre foi candidata a prefeita e nunca candidata à vice-prefeita. O Russomanno sempre foi candidato a vice. Tanto que a nossa convenção foi no dia 31 [primeiro dia possível] e a dele será amanhã, no último dia. O PSL não será reboque de ninguém. Nós temos candidatura própria e ponto final. Não faz sentido o maior partido de direita do Brasil não ter candidata na maior capital do país”, diz Bozzella.

Procurados pela reportagem, Bivar e Russomanno não responderam.

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