Educação digital e porta presencial devem acompanhar tecnologia em defensorias, dizem especialistas em live da Folha

Avanços tecnológicos não podem excluir hipervulneráveis que não tem acesso à internet, segundo convidados do Ao Vivo em Casa

São Paulo

A promoção da educação digital e a manutenção de portas presenciais devem ser adotadas em paralelo à implantação de ferramentas tecnológicas no atendimento jurídico às pessoas de baixa renda nas defensorias públicas, de acordo com os convidados da edição desta segunda-feira (28) do Ao Vivo em Casa, série de lives (transmissões ao vivo) da Folha com entrevistas, serviços, dicas e apresentações musicais.

Na live que discutiu a democratização da tecnologia no direito, a controladora-geral da Defensoria Pública do Estado de São Paulo, Juliana Belloque, afirmou que a administração pública deve investir em políticas para incentivar a inclusão digital.

“Há um gap educacional. Temos que ir construindo cidadania digital também através dos órgãos públicos. Mas é claro que vamos ter sempre os hipervulneráveis, como moradores de rua ou pessoas que padecem de algum transtorno mental sério, que estão abaixo da linha de pobreza, absolutamente marginalizados. É preciso trabalhar com esse público de uma maneira diferente e sempre vai passar pelo presencial”.


Para Gabriela Lotta, professora da FGV e coordenadora do Núcleo de Estudos da Burocracia (NEB), é preciso considerar também o aspecto geracional na discussão do tema do uso da tecnologia.

“A educação digital é central e tem que ser pensada como uma política estratégica, mas há grupos populacionais para quem a educação não vai ser suficiente, talvez a gente esteja falando de gerações para quem vamos ter que manter múltiplas portas de entrada”.

Fundo azul com logo escrito Ao vivo em casa e ao lado da logo recorte da foto de três pessoas, à esquerda homem branco de termo e cabelo curto, ao centro mulher branca sorrindo e de cabelo curto, à direito mulher com leve sorriso e cabelos compridos
Os convidados Daniel Marques, Gabriela Lotta e Juliana Belloque debaterão o uso e o impacto da tecnologia no atendimento das defensorias públicas - Reprodução

O diretor da AB2L (Associação Brasileira de Lawtechs e Legaltechs), Daniel Marques, diz que no campo do direito ainda há muita resistência ao uso de inovações tecnológicas, e o motivo não é o custo das ferramentas.

“Fizemos um estudo no início da pandemia e mapeamos que apenas 22% dos escritórios utilizam alguma lawtech ou legaltech. Práticas que já são comuns no mercado financeiro, na agropecuária e na saúde, no direito agora que estão começando a amadurecer e crescer”.

Os convidados foram entrevistados pelo repórter Flávio Ferreira, da editoria Poder da Folha. Essa foi a segunda de uma série de lives da FolhaJus no Ao Vivo em Casa. Ao longo da série, serão abordados o uso e o impacto da tecnologia em diferentes vertentes do mundo jurídico.

A agenda das lives sobre direito e tecnologia é a seguinte:

19.out: Aplicativos jurídicos e a uberização da advocacia

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